terça-feira, 30 de setembro de 2014

Sabedoria...






Bryan Adams, Rod Stewart, Sting - All For Love



O Banco Central deve ser independente?



O cenário político recente despertou novamente o debate sobre independência (ou autonomia) do Banco Central do Brasil (BCB). Uma diversidade de argumentos, teóricos ou ideológicos, vem sendo utilizada para defender, de um lado, um maior controle do Poder Executivo sobre as decisões do BCB, ou, de outro, um maior isolamento do órgão com respeito a oscilações políticas. Neste texto, entregamos uma análise sobre o papel do Banco Central na sociedade e esclarecemos argumentos em defesa da sua independência.

Primeiramente, é preciso clarificar o que é (e o que não é) independência do Banco Central.

Independência pode ser entendida como um arranjo institucional em que estão presentes mecanismos de insulação do órgão em relação a intervenções discricionárias do governo. Dito de outra forma, a independência representa um desenho das regras do jogo de modo a deixar o BC livre de influências políticas que prejudiquem o cumprimento da sua missão como guardião da estabilidade da moeda – leia-se, inflação sob
controle.
Que mecanismos garantem independência na prática? Como exemplos, podemos citar:
• Período de tempo predefinido para o mandato do presidente e da diretoria do órgão, assim como critérios alternativos de escolha da direção (que não a nomeação direta por parte do governo), são regras que evitam a interferência do governante.
• A autonomia orçamentária é tida como outra forma de reforçar a independência do órgão, já que o governo poderia exercer pressão sobre o órgão retendo recursos orçamentários ou obstruindo contratação de funcionários.
Antes de discutirmos os benefícios de um BC independente, é preciso quebrar alguns mitos por vezes disseminados ao público geral a respeito deste tema.
Independência não é entregar o galinheiro a comando da raposa, como argumentam alguns veículos na mídia1. De fato, o quadro de funcionários do BC precisa de pessoas com experiência com bancos e com o mercado financeiro, inclusive na diretoria, devido ao nível técnico exigido pelo trabalho que é desempenhado no órgão. Todavia, o desenho de instituições como o BC certamente não ignora a possibilidade de conflitos de interesse, informação privilegiada, nem a possibilidade de captura da agência pública por interesses privados, os quais representam comportamentos abusivos em prejuízo da comunidade. Para esses problemas, há dispositivos especialmente criados no design institucional, como o período de quarentena profissional dos ex-diretores, a subordinação do presidente a conselhos de administração e a auditoria externa.
Independência não significa abrir mão da determinação dos objetivos de política pela nossa democracia representativa. Até mesmo um BC com operação independente precisa respeitar a lei existente e seguir as diretrizes de política estabelecidas por instâncias superiores, como o Congresso. Para prevenir condutas que se desviem dessas diretrizes, há dispositivos como a avaliação independente e incentivos para a responsabilização (accountability). Vide, por exemplo, o sistema de accountability do Banco Central Europeu, um BC independente com o desafio de harmonizar objetivos de política de dezoito nações2.
Mas por que a independência de uma instituição pode ser desejável?
1. No caso de alguns órgãos, não é bom que o seu desempenho seja contaminado por preocupações de curto prazo do governo de situação. Seja porque o horizonte temporal relevante vai além dos ciclos eleitorais, seja porque o objeto da atuação do órgão é sensível politicamente (por exemplo, se trata de medidas impopulares ou medidas com benefícios somente para a geração futura).
2. Em outros casos, o objetivo do órgão precisa de credibilidade para ser cumprido. Assim, o único modo de os agentes envolvidos acreditarem no comprometimento do órgão é se houver insulação dos humores da política.

Dito de outra forma, em alguns setores a estabilidade das regras e dos procedimentos é peça central para se alcançar o objetivo almejado.
São exemplos de entidades cuja independência é desejável aquelas que lidam diretamente com a regulação dos agentes, como, por exemplo, o Poder Judiciário, as Agências Reguladoras, o CADE, a CVM. Outro exemplo são os órgãos de fiscalização da própria ação do governo, como o TCU, o Ministério Público e a Polícia Federal.
O Banco Central mistura elementos desses dois tipos de órgão. Sua missão, conforme declarada em seu estatuto, é dupla: (i) manter a estabilidade de preços e (ii) assegurar um sistema financeiro sólido e eficiente. A segunda tarefa está ligada à formulação de regras e à fiscalização da atividade bancária com o objetivo de controlar o risco sistêmico e evitar fraudes e crimes como lavagem de dinheiro. Só esta missão já justificaria a independência do banco para assegurar sua credibilidade e a segurança jurídica.
No entanto, a primeira missão é a mais sensível, especialmente no caso do Brasil. A estabilidade do poder de compra da moeda (ou seja, a inflação sob controle) tem no Banco Central o seu principal guardião, devido, principalmente, à eficácia da atuação desse órgão para influenciar a macroeconomia, por meio da política monetária.
O Brasil tem um histórico de coexistência com altos e persistentes níveis de inflação, um problema crônico denominado pelo historiador econômico Gustavo Franco como ‘inflacionismo’3. Este fenômeno consiste na incapacidade do governo de se financiar via aumento de impostos no presente ou no futuro (via emissão de dívida), e está intimamente relacionado com a instabilidade política do Estado aliada a uma estrutura extremamente desigual de distribuição de riqueza. Sendo assim, somente através do aumento da inflação o governo consegue expandir seus gastos politicamente direcionados e, dessa forma, garantir o apoio político de grupos diversos para se sustentar no poder. O lado perverso disso é que o financiamento inflacionário do Estado funciona como um imposto regressivo, incidindo de forma mais acentuada sobre os mais pobres e piorando a estrutura distributiva.
Entretanto, com a redemocratização dos anos 1980 e a consequente emergência das demandas sociais, o controle da inflação se tornou claramente uma prioridade de política pública. Após várias tentativas fracassadas nos primeiros governos democráticos, o Plano Real conseguiu, em 1994, lançar as bases para uma inflação estabilizada. Além de prescrever uma série de ajustes macroeconômicos, como controle do déficit público e âncora cambial, o Plano tinha um pilar central: a credibilidade do governo no compromisso com a estabilidade de preços.
Essa credibilidade afeta a raiz das expectativas dos agentes da economia (produtores, consumidores, bancos), os quais, tomando suas decisões de forma descentralizada, determinam conjuntamente a evolução dos preços.

Porém, o Plano não poderia depender, para sempre, da credibilidade dos indivíduos à frente da condução da política naquela época. Seus proponentes estavam cientes da inconsistência de programas de controle da inflação que dependessem da discricionariedade do governo, fato consolidado na literatura econômica 4 5.
Por isso, o programa de controle da inflação inaugurado pelo Plano Real foi transformado, a partir de 1999, em um mecanismo de caráter institucional: o Sistema de Metas para a Inflação. Neste sistema, o BCB se compromete institucionalmente a utilizar os instrumentos à sua disposição para manter a inflação anual projetada dentro de uma meta centrada em 4,5%, com 2 pontos de tolerância para mais ou para menos (ou seja, entre 2,5 e 6,5).

Além disso, para o sistema funcionar bem, é necessário que o BC opere com absoluta transparência e que seus objetivos de política sejam de amplo conhecimento do público. O resultado deste modelo é claro: os níveis de inflação foram consistentemente mais baixos desde 1994 [veja o gráfico].
 
Inflação anual medida pelo IGP-DI (Fonte: BCB)

O funcionamento do Sistema de Metas, porém, depende criticamente da credibilidade do Banco Central. Apesar de operar com relativa autonomia, qual seja, uma relativa liberdade para decidir os meios e instrumentos para implementar as metas e diretrizes estabelecidas pelo governo, o BCB não possui independência de fato. As dúvidas quanto à credibilidade do Banco podem ser evidenciadas pelo fato de que, nos anos recentes, rumores de que o Governo estaria pressionando o presidente do BC no sentido de ser menos rigoroso com o cumprimento da meta, por si só, contribuíram para o aumento da expectativa de inflação, que hoje beira o teto da meta (6,5%) no acumulado de 12 meses.
A atual geração jovem pouco vivenciou o caos e a aflição causados pela inflação fora de controle, mas ouviu histórias sobre como era difícil o planejamento e a vida econômica naquela época. Os dados e a literatura também ensinam sobre os efeitos perversos da inflação sobre as camadas de menor renda, bem como sobre o potencial de desenvolvimento da nossa economia.
Esses fatos nos levam a crer que a estabilidade de preços figura como senão a mais valiosa conquista econômica da nossa jovem democracia.


Para saber mais:
Para uma abordagem didática sobre como funciona a política monetária, recomendamos o artigo de Carlos Góes sobre independência do BC para não-economistas: http://mercadopopular.org/2014/09/o-que-e-autonomia-do-banco-central-um-manual-para-nao-economistas/
Texto originalmente publicado em: http://economiadependrive.wordpress.com/2014/09/07/sobre-a-independencia-do-bc/
____________
1 http://www.cartacapital.com.br/economia/o-banco-central-independente-e-os-20-centavos-8002.html
2 Banco Central Europeu. Organização > Responsabilização. Acesso em 07/09/2014. Disponível em: https://www.ecb.europa.eu/ecb/orga/accountability/html/index.pt.html
3 Franco, Gustavo. “Auge e Declínio do Inflacionismo no Brasil.” In: Fábio Giambiagi, André Villela, Lavinia Barros de Castro e Jennifer Hermann (orgs.) Economia Brasileira Contemporânea 1945/2004, Capítulo 10, p.258-283. Rio de Janeiro, Editora Campus, 2004.
4 Kydland, Finn E.; Prescott, Edward C. “Rules rather than discretion: the inconsistency of optimal plans.” Journal of Political Economy Vol. 85 No. 3., p.473-492, 1977.
5 Bernanke, Ben S. “Central Bank Independence, Transparency and Accountability.” Speech at the institute for monetary and economic studies international conference, Bank of Japan, May 25th 2010. Disponível em: http://www.federalreserve.gov/newsevents/speech/bernanke20100525a.htm
Autores:
Alexandre Balduino Sollaci, André Victor Doherty Luduvice, Andressa Castro, Bruno Ricardo Delalibera, Diego Martins Silva, Fernando de Barros Jr, Gustavo Lôpo Andrade, Gustavo de Cicco Pereira, João de Faria, João Vitor Almeida, Kym Ardison, Leticia Nunes, Luiz Brotherhood, Luiz Gustavo Moza, Marcel Cortes Peruffo, Rafael Amaral Ornelas, Raphaela Mattos Gonzales, Rodrigo Bomfim de Andrade, Vinicius Barcelos e Vinicius Pecanhasão, pós-graduados e pós-graduando dos programas de Mestrado e Doutorado da Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getúlio Vargas (EPGE/FGV).

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Recomeçar...


Neil Young - Harvest Moon



A BUROCRACIA.


 
É bastante raro se deparar com um cidadão comum que não tenha passado por algum tipo de constrangimento ao tentar acessar um serviço público qualquer.

A burocracia tem sido por demais atroz com todos os que necessitam acessar algum serviço público, todos os habitantes deste planeta.

Não são poucas as definições do vocábulo e, dentre as inúmeras existentes, o Novo Dicionário Aurélio registra aquela que talvez expresse o melhor diagnóstico “... complicação ou morosidade no desempenho do serviço administrativo ...”.

Desde os primórdios, o estado brasileiro tem passado por um vigoroso processo de sucateamento. Já nasceu imbricado superpondo interesses de grupos, turvando o ambiente para torná-lo adequado ao tráfico de influências. 

Uma das características mais relevantes, sem dúvidas, é seu contingente: o quadro de recursos humanos é bastante rígido, invariavelmente defasado, carente de capacitação e de um ideário focado na qualidade. Numa outra vertente, os recursos patrimoniais sucateados e em permanente processo de decomposição. Os fluxos e rotinas são, praticamente, inamovíveis, calcificados e, consequentemente, ultrapassados. Não bastasse, é expressiva a hipertrofia dos controles em contraposição à atrofia de setores estratégicos como, por exemplo, o planejamento, o que implica, no mínimo, em execuções danosas e avaliações tendenciosas, conduzindo os sistemas à ruína e à insolvência. Os sistemas de inspeção e controle se debruçam, quase que tão somente, sobre o processo enquanto procedimento burocrático, ignoram o produto ou resultado final da ação governamental. Ou seja, a verificação incide sobre a formalização e instrução do processo. Se os objetivos propostos resultaram efetivamente no atendimento das demandas sociais, é uma questão de somenos para a burocracia. E quando ocorre a ‘modernização’, adotando auditagens operacionais, estão, na realidade, com um olho, caçando obstinada e impiedosamente os simplórios barnabés – holofotes!!, luzes da ribalta!!, ação!! – e, com o outro, ardilosamente acarpetando o caminho dos corruptos e poderosos. 

É mais que evidente, é eloquente: este cenário não é resultado de um suceder de meras e eventuais coincidências. A realidade é que grupos de interesses provocam e se beneficiam da desorganização do Estado, apostam todas as fichas no desarranjo do aparelho estatal, defendem ardorosamente a antiga cantilena: “criar dificuldades para vender facilidade”.
 
excesso de servidores x concentração

Ao se analisar os aspectos referentes aos recursos humanos, os grupos de interesses maquinam ‘representantes’ de modo que possam utilizar o estado como instrumento de manutenção e ampliação do próprio poder. Resulta daí o clientelismo e o nepotismo, o popular “cabide de empregos” beneficiando amigos, parentes, correligionários e futuros eleitores. Este cenário engendra uma categoria de servidores amorfa, facilmente transfigurada em massa de manobra, tangida com vara curta, embrutecida na pior das ignorâncias, a que tornam as pessoas inocentes úteis.

Mas esses servidores, à medida em que se conscientizam, recuperam a independência individual e fortalecem os aspectos que lhe são próprios, intrínsecos, singulares: resgatam a força interior, desatam os laços históricos de passividade e submissão e empreendem a travessia para uma nova esfera onde conquistam o protagonismo e a boca de cena. Deixam de representar e defender privilégios de grupos de interesses para representar e defender os legítimos interesses coletivos.

Daí todo um contexto é estruturado para transformá-los em bode expiatório das mazelas do Estado.

Investem forte na falácia do excesso de servidores, do inchaço da máquina estatal, o que definitivamente não procede.

Estudos recentes demonstram que o número de servidores públicos nas três esferas de poder - municipal, estadual e federal, está bem aquém do verificado nos países desenvolvidos, aquém do verificado nos vizinhos latino-americanos, compatível portanto com as demandas que um país em vias de desenvolvimento impõe.

No país, não existe excesso e sim concentração de servidores em determinadas áreas e polos urbanos e administrativas. Para o establishment interessa convergi-los e adensá-los nas urbes - onde o controle é mais eficaz, ao invés de desconcentrá-los para os locais onde a demanda verdadeiramente se apresenta.

Não obstante esta constatação, providencialmente a falácia do excesso de servidores é brandida, divulgada à exaustão, de modo a aprisionar o apoio da população às políticas de arrocho salarial e de depreciação dos recursos humanos do estado.

Artigo de Antônio Carlos dos Santos, criador da metodologia de planejamento estratégico QuasarK+.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014


Yael Naim - Come Home



Visão de Futuro




"O futuro têm muitos nomes. Para os incapazes o inalcançável, para os medrosos o desconhecido, para os valentes a oportunidade." - Victor Hugo


Visão de Futuro
Ou
O ocaso da morte

O futuro é um estágio do tempo por todos desejado. Todos desejam estender a existência, transpassar o presente para fincar raízes no futuro, mesmo porque o significado desta passagem é a continuidade, a permanência da vida, o ocaso da morte.

Assim é com as pessoas. Assim é com as instituições.

Mas o futuro desejado pode estar bem perto. Como também pode se situar à média ou a longa distância. Temos que nos preparar para alcançar estas posições no tempo. E alcançando, extrair das oportunidades o máximo de proveito.

Mas, e a Visão? Que sentido poderíamos extrair deste vocábulo, tão comum entre nós.

"Sonho com o dia em que a justiça correrá como água e a retidão como um caudaloso rio." Martin Luther King

Por ‘sentido’ definem os glossários como ‘cada uma das funções nervosas em virtude da qual um organismo é capaz de receber e perceber impressões e alterações do ambiente’.

E a Visão é um dos sentidos que nos coloca em sintonia com o mundo.

Mas aqui não interessa tão somente o sentido que remete ao conceito mais usual e difundido, àquela função sensorial pela qual os olhos, sob interferência da luz, colocam homens e animais em contato com o mundo.

No processo de planejamento, interessa um sentido mais largo, que encerre um mundo existencial, é evidente, mas também um outro ambiente, uma construção imaginária, desejável... E por esta razão, Visão tem para nós um maior significado, que adentra a verticalidade, situando-se num das mais profundos níveis do entendimento, e que – sejamos corajosos admitindo! – envolve até mesmo aquilo que muitos identificam como sexto sentido, a capacidade excepcional, fantástica, esplendorosa, de perceber ou compreender intuitivamente.

Portanto, quando estamos à procura de um lugar no futuro, quando desejamos definir o que nossa organização pretende ser no futuro, estamos, na realidade, identificando e definindo o que, no planejamento, denominamos Visão de Futuro.

"Me interessa o futuro porque é o lugar onde vou passar o resto da minha vida." Woody Allen

A Visão de Futuro dever precisar o que a organização anseia, o que aspira lá adiante, anos (ou mesmo décadas) à frente. Para isso deve incorporar as ambições, as expectativas, os desejos e pretensões, de modo a descrever o quadro futuro que pretendemos atingir.

Está umbilicalmente vinculada aos objetivos e às metas da organização, criando e potencializando um sólido comprometimento com seu futuro. Onde pretendemos chegar? Que cenário desejamos encontrar? Que ambiente ansiamos vislumbrar? As respostas a estas questões nos permitirão definir, com clareza, o que é necessário mudar na organização para que a Visão vá se materializando na prática, no dia a dia. Existiria um outro modo de conquistar o futuro desejável que não trabalhando diuturnamente o presente, moldando-o, tecendo-o, forjando-o na labuta diária?

Daí que uma organização sem Visão de Futuro está para os navegantes como uma embarcação sem direção.

“Nenhum vento sopra a favor de quem não sabe pra onde ir”. Sêneca

O que, na realidade, estamos a buscar com o planejamento, como a exata medida de nossa Visão de Futuro? Nada mais que uma forma de capturar as oportunidades; uma maneira de aprisionar o tempo, colocando ao nosso serviço; um jeito de interferir na direção do vento, de modo que, invariavelmente, sopre a nosso favor.

Contemporâneo de Cristo, o filósofo, orador e escritor romano Lucius Annaeus Sêneca, de certa forma já se preocuparava com isto ao ensinar “Non exiguum temporis habemus, sed multum perdimus” - Não é que tenhamos pouco tempo, nós é que o desperdiçamos (in Da brevidade da Vida, I3).

Já Rodoux Faugh discorre sobre o grande desafio da humanidade e suas organizações: manter com o tempo uma relação em que o planejamento, a prevalência de nosso controle e o domínio de nossa direção esteja, sempre, evidenciado.

“(...) sempre é tempo quando o desafio é reconstruir o tempo para domá-lo, dominá-lo, como o mágico que domina a moeda, fazendo com que caminhe e desapareça dentre os dedos da mão”. – Rodoux Faugh

Exemplos de Visão de Futuro:

• Universidade Federal de Santa Maria

“Ser reconhecida como referência de excelência no ensino, pesquisa e extensão pela comunidade científica e pela sociedade em geral”.

• Petrobras

“A Petrobras será uma empresa integrada de energia com forte presença internacional e líder na América Latina, atuando com foco na rentabilidade e na responsabilidade social e ambiental”.

É importante assegurar que a Visão de Futuro incorpore um enunciado bastante claro e objetivo. Naturalmente deve ser positiva e desafiadora. E, quase sempre, expressa com o verbo disposto no tempo futuro.

"A força motriz da vida não podem ser os problemas e sim seus sonhos”. Rodoux Faugh

Convém destacar que o enunciado da Visão de Futuro é de responsabilidade da liderança. E a cada organização deverá corresponder apenas uma declaração de Visão de Futuro.

Ao contrário da Missão, a Visão de Futuro é perene, estável, e muito raramente será objeto de alterações, de modificações. Em poucas palavras (geralmente em um único parágrafo) deve esclarecer qualquer pessoa – integrante ou não da organização - sobre o que se pretende fazer. É preciso manter distância das generalidades, das definições desprovidas de identidade própria, aquelas que se aplicariam a qualquer organização.

Outros exemplos de Visão de Futuro:

• Disney: “criar um mundo onde todos possam ser crianças”;

• Avon: Ser a empresa que melhor entende e satisfaz globalmente as necessidades de produto, serviço e auto-realização da mulher”;

• Ródia: “Criar uma empresa líder onde as pessoas tenham orgulho e prazer de trabalhar”;

• Sony(1950): "tornar-se a cia. mais conhecida por mudar a imagem negativa dos produtos japoneses"; (comtemporâneo):“Experimentar o prazer de avançar e aplicar tecnologia para o benefício das pessoas”;

"Há quem diga que todas as noites são de sonhos. Más há também quem garanta que nem todas, só as de verão. No fundo, isso não tem importância. O que interessa mesmo não é a noite em si, são os sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado". William Shakespeare


• 3M: "Ser reconhecida como uma empresa inovadora e a melhor fornecedora de produtos e serviços que atendam ou excedam às expectativas dos clientes";

• Itaú: "Ser o banco líder em performance, reconhecimento sólido e confiável, destacando-se pelo uso agressivo do marketing, tecnologia avançada e por equipes capacitadas, comprometidas com a qualidade total e a satisfação dos clientes";

• Toyota: “Na Toyota, estamos determinados em firmar nossa posição na indústria automobilística mundial e em contribuir para a sociedade de usuários de carros do amanhã. Nós tomamos controle de nosso próprio destino perseguindo a inovação
com visão a longo prazo em todas as áreas operacionais – incluindo
desenvolvimento, compras, produção, e vendas – permitindo-nos liderar o
crescimento na indústria”.

• Wal-Mart (em 1990): "tornar-se uma cia. de 125 bilhões de dólares em 2000";

• Ford (anterior): "democratizar o automóvel";

• Nike (1960): "derrotar Adidas";

• Honda (1970): "nós vamos destruir a Yamaha".

"O futuro pertence àqueles que acreditam na beleza dos seus sonhos." - Eleanor Roosevelt

Visão de Futuro do Exército do Brasil

Ser uma Instituição compromissada, de forma exclusiva e perene, com o Brasil,
o Estado, a Constituição e a sociedade nacional, de modo a continuar merecendo
confiança e apreço.
Ser um Exército reconhecido internacionalmente por seu profissionalismo,
competência institucional e capacidade de dissuasão. Respeitado na comunidade
global como poder militar terrestre apto a respaldar as decisões do Estado, que
coopera para a paz mundial e fomenta a integração regional.
Ser constituído por pessoal altamente qualificado, motivado e coeso, que professa
valores morais e éticos, que identificam, historicamente, o soldado brasileiro, e
tem orgulho de servir com dignidade à Instituição e ao Brasil.

"Sonhar é acordar-se para dentro." Mario Quintana

Nelson Motta e Lulu Santos emprestam a esta questão da Visão de Futuro aquele especial sentido que só gênios e artistas conseguem alcançar. Apreciem os singelos versos que discorrem sobre o sol, o amor, o tempo, o que desejamos ser amanhã, nossos sonhos, a mudança... Logo abaixo do vídeo, cuidei de transcrever as letras.

Sereia/De Repente Califórnia/Como Uma Onda (Acústico MTV)Lulu Santos
Composição: Lulu Santos/Nelson Motta

video

Clara como a luz do sol
Clareira luminosa
Nessa escuridão
Bela como a luz da lua
Estrela do oriente
Nesses mares do sul
Clareira azul no céu
Na paisagem..
Será magia, miragem, milagre
Será mistério?

Prateando horizontes
Brilham rios, fontes
Numa cascata de luz
No espelho dessas águas
Vejo a face luminosa do amor
As ondas vão e vem
E vão e são como o tempo
Luz do divinal querer
Seria uma sereia ou seria só
Delírio tropical, fantasia
Ou será um sonho de criança
Sob o sol da manhã

Garota, eu vou pra Califórnia
Viver a vida sobre as ondas
Vou ser artista de cinema
O meu destino é ser star

O vento beija meus cabelos
As ondas lambem minhas pernas
O sol abraça o meu corpo
Meu coração canta feliz

E eu dou a volta, pulo o muro
Mergulho no escuro
"Sarto" de banda
Na minha vida ninguém manda, não
Eu vou além desse sonho

A vida passa lentamente
E a gente vai
Tão de repente que não sente
Saudades do que já passou

Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa, tudo sempre passará
A vida vem em ondas
Como o mar
Num indo e vindo infinito

Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente viu a um segundo
Tudo muda o tempo todo no mundo

Não adianta fugir
Nem mentir pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no...

Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa, tudo sempre passará
A vida vem em ondas
Como um mar
Num indo e vindo infinito

Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente viu a um segundo
Tudo muda o tempo todo no mundo

Não adianta fugir
Nem mentir pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar

E nada como uma onda
Depois de uma onda
Depois de outra onda
Depois...



“Seus sonhos estão nas alturas? Ótimo. É junto aos deuses que se abrigam. Sua jornada consiste em construir escadas e caminhos capazes de conduzi-lo até eles”. Rodoux Faugh



Antônio Carlos dos Santos - criador da metodologia de Planejamento Estratégico Quasar K+ e da tecnologia de produção de Teatro Popular de Bonencos Mané Beiçudo. acs@ueg.br

quinta-feira, 25 de setembro de 2014


Yael Naim "Too long"



Sobre contos de fada e falta de carater

Da BBC-Brasil
Chinês vive 4 anos com lâmina de 10 cm na cabeça

Talvez, impávido, o querido leitor esteja a se perguntar o que tem isto a ver com planejamento? Primeiramente, sigamos com o video abaixo, querido amigo...

video


Agora, passe a vista no texto que escrevi alguns anos atrás:


“Se quiser que os seus filhos sejam brilhantes, leia contos de fadas para eles. Se quiser que sejam ainda mais brilhantes, leia ainda mais contos de fadas”. Albert Einstein

Por incrível que pareça, existem pais que jamais leram um conto de fadas para seus filhos. Um sequer. Talvez por isto a sociedade amargue a existência de tantos sem brilho nos olhos, sem senso de justiça, ética e solidariedade. Talvez por isto a sociedade amargue a existência de tantos homens que, em algum momento do passado, permitiram escapar a alma, deixaram esvair o espírito, consentiram perder a humanidade.

Na tarde do dia 13 de setembro de 1848, o médico John Harlow foi surpreendido com a inesperada chegada de um paciente em estado gravíssimo. Da cabeça dilacerada esvaia um rio de sangue misturado com massa encefálica. Teve pena do pobre coitado e desejou que a morte socorresse o trabalhador, livrando-o da dor e do suplício insuperável, insuportável. Pensou em mandar buscar o vigário da pequena localidade para ministrar a extrema unção, até que, surpreso, percebeu estar diante de um daqueles casos clássicos, emblemáticos, que a medicina não consegue explicar.

Apesar da barra de ferro ter desfigurado a cabeça, entrando pela face e saindo pelo topo do cérebro, o paciente falava quase normalmente e podia, inclusive, caminhar. Após prestar os primeiros socorros e administrar os medicamento de praxe, o doutor foi se inteirar do ocorrido.

Logo, o Dr. Harlow descobriu que Phineas Gage trabalhava para a Rutland e Burland, supervisionando a construção de ferrovias em Vermont, nos Estados Unidos. Os colegas de trabalho que o conduziram ao hospital relataram angustiados:

- Gage preparava uma carga de pólvora para explodir uma pedra, uma enorme rocha – disse um, num só fôlego, mal conseguindo manter-se em pé de tão assustado.

- Mas ele não se deu conta que socou uma barra de aço no buraco, uma barra grande, com mais de um metro de comprimento... 2,5 cm de diâmetro – interrompeu o outro, com a voz embargada, quase chorando.

Então o terceiro trabalhador, que desde o primeiro instante confortava Gage jamais se distanciando, tentou completar o relato:

- Com a explosão a barra de ferro foi direto para a cabeça de Gage, foi isso doutor, foi isso...Gage é o meu melhor amigo, meu único amigo... Ele vai se salvar, Dr, vai escapar dessa? – perguntou numa mistura de aflição, desespero e sincera preocupação.

Absorto em suas análises e divagações, surpreso com a desenvoltura do paciente que, não obstante a extrema gravidade dos ferimentos, falava com espantosa naturalidade, o Dr. Harlow completou o diagnostico: a barra de ferro iniciou a trajetória entrando pela bochecha esquerda, atingiu o olho, esmagando-o completamente, avançou pela parte frontal do cérebro, e foi sair pela parte superior, pelo topo do crânio, do outro lado.

O Doutor aspirou todo ar que conseguiu encontrar e mal recuperara o equilíbrio, foi surpreendido por uma violenta convulsão de Phineas Gage. Mandou que todos se retirassem e com a ajuda de enfermeiros imobilizou o paciente na maca encharcada de sangue.

Para surpresa de todos, Gage se recuperou e logo estava circulando pelas ruas do pequeno povoado. Mas algo mudara radicalmente na vida do até então respeitável supervisor da construção da estrada de ferro: sua personalidade agora era outra. Sobretudo os amigos e colegas de trabalho perceberam que “Gage já não era Gage”. Mudava de humor bruscamente, sem motivo aparente. Ao longo da vida forjara seu caráter como um trabalhador correto, honesto, ético, calmo, sociável, mas a barra de ferro parecia ter gerado um outro homem, extravagante, presunçoso, anti-social, mentiroso, agressivo, vagando de emprego em emprego, lançando maldição e praga sobre quem dele se aproximasse.

O episódio que acabo de relatar é verídico e ocorreu em 1848. Gage morreu em 1861, na miséria e acometida por horrendas crises de epilepsia.

O Dr. John Harlow impressionado com a evolução do caso passou a estudá-lo cientificamente. Aprofundou a investigação entrevistando colegas de trabalho, amigos e parentes de Phineas Gage, recorreu a pesquisadores e colegas médicos, e chegou a publicar dois artigos sobre a história médica reconstruída de seu paciente.

Este caso tornou-se referência no ensino da medicina, sobretudo da neurologia. Permitiu que os neurologistas concluíssem que a parte do cérebro que Gage perdera, os lobos frontais, tinha estreita vinculação com as funções mentais e emocionais que ficaram alteradas. Ao término de suas análises e estudos sobre o caso, o Dr. Harlow chegou a concluir que "o equilíbrio entre as faculdades intelectuais e as propensões animais parecem ter sido destruídas”.

Mudanças comportamentais tem sido uma característica latente nas sociedades modernas. E talvez o caso Gage nos ajude a melhor compreender mudanças comportamentais tão radicais e profundas como as que nos surpreendem cotidianamente.

Nossas crianças nascem sãs, radiantes de pura inocência, iluminadas pela áurea mágica de Deus, os olhos brilhando como estrelas no firmamento. Enquanto crescem são alegres, cantam, dançam, brincam e se esbanjam num caldo fértil de felicidade. Emitem luz e energia tão inebriantes que contagiam o mais enfadonho dos ambientes, irradiando felicidade e alegria onde viceja a tristeza e a amargura. Mas num dado instante, no decorrer da caminhada, algumas perdem a graça e começam a se distanciar do humano para se assemelhar, mais e mais com os lobos e algozes do homem. Até que deixam de ser homens, por completo. Algo em muito semelhante às conclusões do Dr. Harlow “o equilíbrio entre as faculdades intelectuais e as propensões animais parecem ter sido destruídas”.

À nossa volta, diuturnamente somos surpreendidos por pessoas aparentemente sãs, mas que em algum momento da vida se deixaram atingir por uma barra de ferro. Como algumas autoridades, gestores e políticos que – se arvorando defensores da moralidade e da ética – avançam sobre os cofres públicos, criando redes infindáveis de corrupção, ignorando a dor alheia (máfia da saúde, das sanguessugas, do plasma, das ambulâncias...) e a fome e a educação de nossas crianças (máfia do livro, do transporte escolar, da merenda, do leite...).

Phineas Gage não morreu. Seu espírito assombra a sociedade brasileira lançando lama e nódoa purulenta sobre a mente de dezenas de milhares, sobretudo de políticos corruptos, ‘empresários’ sem caráter, e gestores prolixos.

O alento é que a mentira sobrevive por algum tempo, às vezes por muito tempo, mas jamais por todo o tempo. E a verdade vai redimindo os indivíduos, a sociedade e a nação brasileira. Vamos aprimorando nossa capacidade de separar o joio do trigo, o certo do errado, o bem do mal.

Apesar dos milhares e poderosos que têm barras de aço invisíveis encravadas em suas cabeças, a sociedade vai evoluindo e percebendo que – por maiores que sejam os problemas das forças de segurança, devemos optar sempre pela polícia e não pelos bandidos; que jamais poderemos considerar natural que traficantes e latrocidas mantenham intimidade com nossos filhos; que políticos e empresários éticos existem, e que serão em profusão e exuberância se priorizarmos os investimentos em educação de qualidade; que gestores que traficam influência e favorecimentos serão - cada vez mais - desmoralizados e desprezados pela cidadania.

A cada dois anos o Brasil experimenta a epopéia das eleições livres e democráticas. E assim vai se livrando da maldição de Phineas Gage. Porque nosso destino está escrito nas estrelas e o construímos no dia a dia, vertendo sangue, sacrifício e suor com nosso trabalho digno e honesto. Enganam-se os que acreditam que o Brasil será dos corruptos, dos traficantes, dos bandidos. Esta terra está predestinada a ser dos justos, dos honestos, dos bons, dos éticos... e aproxima o momento em que nos libertaremos do julgo dos que ostentam barras de aço encravadas nas cabeças. Então o Brasil e os brasileiros seremos de todo livres e felizes. Porque Gage - como afirma o neurobiologista da universidade de Iowa - será apenas “o início histórico dos estudos das bases biológicas do comportamento”.

Atinemos para a importante lição que Einstein fez questão de ensinar: “Se quiser que os seus filhos sejam brilhantes, leia contos de fadas para eles. Se quiser que sejam ainda mais brilhantes, leia ainda mais contos de fadas”.

Antônio Carlos dos Santos – criador da metodologia de Planejamento Estratégico Quasar K+ e da tecnologia de produção de Teatro Popular de Bonecos Mané Beiçudo.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014


Yael Naim - Puppet (acoustic)



Missão

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Missão

Missão significa um compromisso , uma obrigação, o ato da incumbência, o encargo.

No Planejamento podemos definir ‘missão’ como a razão de ser da organização.

É importante que a ‘missão’ esteja claramente definida e incorporada nas pessoas que integram a organização, porque é ela que serve de referência para orientar a tomada de decisões (inclusive as estratégicas), bem como para definir os objetivos a serem perseguidos.

Não deve a ‘missão’ ser uma referência rígida e imutável. Ao contrário, uma de suas características básicas é exatamente a flexibilidade, de modo que possa se adequar às mudanças que a realidade vai impondo ao longo do tempo. Portanto, de tempos em tempos, a ‘missão’ da organização deve ser discutida e devidamente adequada.
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"Uma empresa não se define pelo seu nome, estatuto ou produto que faz; ela se define pela sua missão. Somente uma definição clara da missão é razão de existir da organização e torna possíveis, claros e realistas os objetivos da empresa."Peter Drucker
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A ‘missão’ deve ser definida de tal modo que expresse aquilo que efetivamente desejamos que nossa organização seja. Deve ser ousada, desafiadora, mas de tal modo que esteja sempre visível, tangível, alcançável, bem ao alcance das mãos.

Naturalmente a ‘missão’ estará inserida num contexto em que os Valores da organização e a Visão de Futuro já terão sidos previamente definidos.

Um outro aspecto importante é não confundir Visão de Futuro com Missão. A primeira está relacionada aos nossos sonhos, ao norte, à direção que devemos seguir. É como se fosse uma passagem assegurando direito ao vôo futurístico que nos conduzirá ao amanhã. A Visão de Futuro cria um ambiente energizado, elétrico, inspirador para a instituição.

Já a Missão da Organização está mais relacionada à posição em que estamos, identificando, com clareza, o nosso negócio.

Exemplos de missão:
• Universidade Federal da Bahia

“A Universidade Federal da Bahia tem por missão produzir, socializar e aplicar o conhecimento nos diversos campos do saber, através do ensino, da pesquisa e da extensão, indissociavelmente articulados, de modo a contribuir para o desenvolvimento social e econômico do País e do Estado e promover a formação de profissionais qualificados para o mundo do trabalho e capazes de atuar na construção da justiça social e da democracia”.

Missão da Funape-UFG


• Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)
“Viabilizar soluções para o desenvolvimento sustentável do agro negócio brasileiro, por meio da geração, adaptação e transferência de conhecimentos e tecnologias em benefício da sociedade”.

• Petrobras

“Atuar de forma segura e rentável, com responsabilidade social e ambiental, nas atividades da indústria de óleo, gás e energia, nos mercados nacional e internacional, fornecendo produtos e serviços adequados às necessidades dos seus clientes e contribuindo para o desenvolvimento do Brasil e dos países onde atua”.

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"Definir a missão de uma empresa é difícil, doloroso e arriscado, mas é só assim que se consegue estabelecer políticas, desenvolver estratégias, concentrar recursos e começar a trabalhar. É só assim que uma empresa pode ser administrada, visando um desempenho ótimo."Peter Drucker
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No processo de definição da missão, é fundamental considerar os seguintes componentes:

• segmentos-alvo, tecnologia, escopo-geográfico, benefícios demandados x benefícios oferecidos e crenças e valores dos dirigentes.

Responder às seis questões que alinhavei abaixo pode ser uma maneira fácil de desenhar um mapa do caminho, de modo que possamos alcançar, definir e escrever, sem complicações, a Missão da organização:

• Quem somos nós?

• Qual é nossa finalidade?

• Que fazemos para reconhecer, antecipar e responder às finalidades?

• Como devemos responder a nossos grupos de influências?

• Quais são nossos valores, cultura e filosofia?

• Que nos faz ser distinto e único?

Ao definirmos a ‘missão’ da organização estaremos, na realidade, identificando sua ‘razão de ser’.

É fundamental que no processo de redação cuidemos para que a ‘missão’ esteja elaborada de modo suficientemente clara, simples e concisa.

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"Uma missão bem difundida desenvolve nos funcionários um senso comum de oportunidade, direção, significância e realização. Uma missão bem explícita atua como uma mão invisível que guia os funcionários para um trabalho independente, mas coletivo, na direção da realização dos potenciais da empresa."Philip Kotler
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Outros exemplos de ‘missão’:
• Disney: “Alegrar as pessoas”;

• Fiat: “Produzir automóveis que as pessoas desejam comprar e tenham orgulho de possuir”;

• 3M: “Solucionar problemas não solucionados de maneira inovadora”;

• Natura: “Nossa razão de ser é criar e comercializar produtos e serviços que promovam o Bem-Estar/Estar Bem”;

• Citibank: "Oferecer qualquer serviço financeiro em qualquer país, onde for possível fazê-lo de forma legal e rentável";

• McDonald's: "Servir alimentos de qualidade com rapidez e simpatia, num ambiente limpo e agradável";

• Localiza National: "Oferecer soluções de transporte, através do aluguel de carros, buscando a excelência" (1989);

• Pepsi Co..: "Derrotar a Coca-Cola";

• Honda: "Esmagar, espremer e massacrar a Yamaha".

Missão do Exército Brasileiro
I. A fim de assegurar a defesa da Pátria:
- contribuir para a dissuasão de ameaças aos interesses nacionais; e
- realizar a campanha militar terrestre para derrotar o inimigo que agredir ou ameaçar
a soberania, a integridade territorial, o patrimônio e os interesses vitais do Brasil.

II. A fim de garantir os Poderes Constitucionais, a Lei e a Ordem:
- manter-se em condições de ser empregado em qualquer ponto do território nacional,
por determinação do Presidente da República, de forma emergencial e temporária,
após esgotados os instrumentos destinados à preservação da ordem pública e da
incolumidade das pessoas e do patrimônio, relacionados no art. 144 da Constituição.

III. Participar de operações internacionais, de acordo com os interesses do País.

IV. Como ação subsidiária, participar do desenvolvimento nacional e da defesa
civil, na forma da Lei.

• Pfizer: “Nós nos tornaremos a companhia mais valorizada do mundo para pacientes, clientes, colegas, investidores, parceiros comerciais e as comunidades onde trabalhamos e vivemos”;

• FORD: "Nossa missão é atender às necessidades de transporte de nossos clientes, aprimorando nossos produtos e serviços, prosperando com a empresa e proporcionando retomo aos acionistas";

• GM: "Fornece produtos e serviços de tal qualidade que nossos clientes sintam que receberam mais pelo que pagaram, nossos empregados e parceiros de negócios se beneficiem de nosso êxito e os nossos acionistas tenham maior retorno do seu investimento";

• BNDES: Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social: "Contribuir para o desenvolvimento econômico e social do país";

• Petrobrás: Petróleo Basileiro S.A.: "Assegurar o abastecimento do mercado nacional de petróleo, gás natural e derivados, através das atividades definidas na Lei 2.004, de forma rentável e a menores custos para a sociedade, contribuindo para o desenvolvimento do país";

• Rede Globo de Televisão: "Contribuir para o progresso cultural, político, econômico e social do povo brasileiro, através da educação, da informação e do entretenimento";

• Fundação Roberto Marinho: "Contribuir para o desenvolvimento social através de ações educacionais, culturais e de apoio às atividades comunitárias, conduzidas através da criação de modelos ou de programas sistêmicos de caráter permanente”;

• SERPRO: Serviço Federal de Processamento de Dados: "Prover a Administração Pública, com prioridade para o Ministério da Economia, com informações para a tomada de decisões e gestão";

• GSI: Gerdau Serviços de Informática: "Ser uma empresa líder no mercado, prestando serviços avançados de teleinformática com alto nível de tecnologia, segurança e qualidade, que atendam às necessidades dos setores público e privado, usuários de sistemas complexos de informação";

• CNPq: Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico: "Promover atividades em Ciência e Tecnologia, através do fomento e execução de pesquisa, de formação de recursos humanos e de difusão da informação, para o avanço do conhecimento e a capacitação tecnológica, visando com a aplicação e valorização dos resultados, ao desenvolvimento sócio-econômico e cultural do País";

• RIOCELL S.A.: "A Riocell deve crescer no Brasil e internacionalmente, produzindo e comercializando celulose, papel e correlatos, que satisfaçam às expectativas dos seus clientes, maximizando o retorno dos investimentos, proporcionando o crescimento da qualidade da vida das comunidades internas e externas, preservando o ambiente";

• USIMINAS: Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais: "Exploração da indústria, do comércio e da importação e exportação de produtos siderúrgicos e de suas matérias primas, a execução e elaboração de projetos e pesquisas, a mineração, o transporte, a construção civil, a partir de estruturas metálicas e a prestação de serviços de qualquer Natureza";

• Sistema SENAI: "Prestar serviços às comunidades industrial, governamental, educacional e outras, nas áreas de preparação de Recursos Humanos, em diferentes níveis, assistência técnica/tecnológica, garantia e certificação de qualidade, geração e difusão de tecnologias e disseminação de informações, contribuindo para o fortalecimento da Indústria e o desenvolvimento sócio-econômico do país".

• MDA - Ministério do Desenvolvimento Agrário (2001): “Criar oportunidades para que as populações rurais alcancem plena cidadania.
Aspectos complementares a considerar:
1. Promover o desenvolvimento do meio rural de modo a garantir a sustentabilidade de empreendimentos da agricultura familiar já instalados e oportunizar a inserção de novos
2. Possibilitar o acesso á terra a quem dela necessita, criando condições paa sua independência
3. Promover a geração de emprego e renda no meio rural buscando criar alternativas de ocupação produtiva (lazer, artesanato, turismo)
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"A missão da Cruz Vermelha é melhorar a qualidade de vida humana;, aumentar a autoconfiança e a preocupação com os outros; e ajudar as pessoas a evitar emergências, preparar-se para elas e enfrentá-las." Cruz Vermelha Internacional
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O planejamento de uma 'missão’ espacial tem alguma coisa a ver com o planejamento de nossas empresas e instituições? Teria algo em comum com o nosso dia a dia? Vejamos no vídeo abaixo as palavras do comandante Marcos Pontes, o astronauta brasileiro:


Antônio Carlos dos Santos, criador da metodologia de planejamento estratégico QuasarK+.  

terça-feira, 23 de setembro de 2014


Yael Naim - Go To The River



O dirigente e a gestão - II


Desde 1903 com a administração científica de Taylor, até chegar aos dias atuais, as técnicas de gestão foram se adequando às necessidades das pessoas e das instituições. À medida que os problemas foram se apresentando, novas teorias se originaram, impulsionando as organizações e seus agentes para a conquista dos novos objetivos.

Conforme foi o mundo evoluindo, deferentes variáveis foram sendo delineadas. O enfoque nas tarefas operacionais, depois na estrutura das organizações, depois nas pessoas, e finalmente no ambiente e na tecnologia, nos legaram estes cinco componentes básicos que utilizados de forma isolada ou conjuntamente, conformam a gestão que empreendemos nas diferentes instituições.

Utilizando essas cinco variáveis de forma eficaz, o gestor consegue conduzir seu empreendimento rumo às mudanças e transformações necessárias, para que a instituição não perca a identificação com o seu tempo e, de igual modo, não seja atropelada pela concorrência, pela ineficácia ou pelas incertezas da modernidade.

O gestor de qualquer empreendimento, quando busca a eficácia, se reveste de um caráter educador. Como seu objetivo é extrair o máximo de produtividade de sua equipe de subordinados e colaboradores, deve estabelecer uma interlocução em que ensine e aprenda ao mesmo tempo, trafegando permanentemente numa via de mão dupla, em que o único objetivo é atingir o bem comum. Ao mesmo tempo em que assume o papel de educador, o gestor ao transformar as rotinas e as próprias instituições, maneja a cultura organizacional, abordando um dos componentes mais caros aos indivíduos e às corporações.

Todavia, um componente tem sido mantido a margem dos processos institucionais. O racionalismo, a burocracia, o tecnicismo, o materialismo contemporâneo impõem às presentes gerações um perfil pasteurizado, pretensamente científico e impessoal. Neste contexto, tratar dos valores imateriais, intangíveis e do espírito humano soa como retornar a um tempo distante e ultrapassado. É então de se argüir o quanto de amor as pessoas conseguem impregnar nas suas ações institucionais. A concorrência selvagem, o sucesso a qualquer preço implica, para quase todos, na supressão de tudo o que represente sentimento nas relações profissionais, vingando uma visão mecanicista e hermética do trabalho. Por isto, é comum nas repartições ver trabalhadores sendo coisificados, tratados como um poste onde o cachorro vai deitar a sua urina.

Somos um todo e é este conjunto que atua na vida, seja pessoal, familiar, profissional ou social. Dizer que é inadequado ou impossível agregar amor às nossas realizações institucionais é como imaginar ser possível, ao adentrarmos o local de trabalho, deixar pendurada num cabideiro, nossa alma, que serenamente aguardará o término da jornada, para novamente, como um sobretudo, ser vestida por cada um de nós.


Mas por incrível que pareça muitos são os que assim se comportam.

Quando trabalhamos com carinho, conseguimos agregar mais valor às nossas atividades.

O Ministério da Educação tem divulgado estudos que demonstram o quanto nossas crianças são impactadas negativamente pelo sentimento de rejeição provocado por colegas e professores. Os estudantes sentem-se ultrajados, desprezados, expressando esta relação no aproveitamento escolar, na auto-estima, e na vivência familiar e comunitária. Seria possível a manutenção deste trágico cenário num ambiente permeado de carinho e amor?

O mesmo se sucede nas instituições públicas e privadas. Trabalhadores com baixa auto-estima, com o sentimento de que estão sendo instrumentalizados limitam a produção ao trivial, ao elementar, agregando o mínimo de valor aos produtos e resultados, emplacando tão somente uma relação de faz de conta em que simulam – apenas simulam – darem o máximo de si.

“Ah, mas tem o salário, o chefe, a estrutura, o governo...” e assim vão reagindo os céticos. Mas estes sempre se comportaram desta forma e ocorra o que for, estarão sempre emprestando ao mundo a incredulidade, a dúvida sobre tudo e sobre todos, o sarcasmo, o desdém, a injúria, o insulto.

Importa destacar que mesmo a luta por salários e melhores condições de trabalho, por chefias democráticas, por estruturas sustentáveis e governos competentes, resultam mais eficazes se imersas em um contexto onde tenha lugar o carinho e o amor.

A velha máxima de que amor e carinho nunca são demais, estão na ordem do dia mais que em qualquer outro tempo da existência humana.

Empunhar essas bandeiras nos locais de trabalho e convivência é uma nobre tarefa que cabe a todos, mas fundamentalmente ao dirigente, ao gestor responsável por desbravar caminhos, descortinar horizontes, mobilizar e estimular sua equipe para que o processo produtivo se revista de plena qualidade.

Antônio Carlos dos Santos - criador da metodologia de Planejamento Estratégico Quasar K+ e da tecnologia de produção de Teatro Popular de Bonecos Mané Beiçudo.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014


Yael Naim - New Soul




Desperdício: o ocaso da sustentabilidade II.

As condições de vida no planeta têm levado ao explosivo crescimento da população, condição agravada pela acentuada ampliação da expectativa de vida. Até os anos 1600, vivia-se, em média, 33 anos. Nos anos 1970 essa média se fixou em 47 para, em 2010 saltar para 80 anos.

Naturalmente, tal dinamismo demográfico tem implicado em inumeráveis tensões tornando o impacto sobre o planeta cada vez mais agressivo e avassalador.

Para se contrapor às consequências desse processo, a humanidade vem procurando incorporar novos conceitos e paradigmas de desenvolvimento consentâneos com as atuais necessidades. O conceito de “eco eficiência”, por exemplo, coteja além de preços competitivos, bens e serviços qualificados. Mas não só. Encerra também o consumo de recursos naturais de forma sustentável, a qualidade de vida e a redução do impacto ambiental. E se cristaliza em boa hora. O consumo tem se manifestado de forma tão irresponsável que as estimativas mais comedidas apontam a necessidade de 5,5 planetas Terra caso o mundo passasse a consumir no padrão dos EEUU.

No Brasil, o desperdício tem sido um mal ingente, uma chaga que grassa entre nós. E nas dimensões que vem ocorrendo, reflete o nível e a qualidade de nosso desenvolvimento: sofrível, perdulário, indigente.

Para onde se volta o olhar, qualquer que seja a direção, o horizonte se apresenta sempre fosco, nublado, tomado por densa fuligem que impede a claridade e a brisa do ar. A paisagem é emoldurada por um deserto inóspito e o que se vê na tela é desperdício, puro desperdício, nada que escape à noção de desperdício.

Na indústria, no comércio, na prestação de serviços, não há setor da economia que consiga se manter ao largo dos gigantescos e avassaladores tentáculos do desperdício.

E não se trata de coisa pequena ou figura de retórica. Os índices são alarmantes, vergonhosos, indecorosos para dizer o mínimo.

Na construção civil, por exemplo, a conta chega a um patamar incestuoso: 30% de desperdício. Seria como se, de cada dez edifícios construídos, três fossem escolhidos para serem implodidos, destinados aos containers de lixo, computados como custo desperdício. Em alguns setores específicos da engenharia civil, os índices deixam de ser alarmantes para cair na vala do “acredite se quiser”. É o caso de alguns materiais como argamassa, cujas perdas podem chegar à casa dos 90%. Isso mesmo, 90%! E não há aqui o mínimo de exagero. Esses dados foram obtidos com rigor científico. Resultam de pesquisa realizada pela UFMG em conjunto com 15 outras universidades brasileiras, levantamento amplo, largo, realizado em 12 unidades da federação.

Na agricultura, o IBGE retirou o véu que escondia a medonha realidade do calvário. O Brasil jogou na lata do lixo 81,5 milhões de toneladas de grãos de arroz, feijão, milho, soja e trigo nas fases de pré e pós-colheita das safras agrícolas entre 1996 a 2003.

Com um problema tão candente como a fome e a subnutrição, o país consegue a proeza de jogar fora mais alimentos do que consome. Quando se trata de hortaliças, por exemplo, a soma anual de desperdício chega a 37 quilos por habitante, enquanto o consumo por cidadão é de dois quilos a menos, 35 quilos de alimentos por ano. Só na Central de Abastecimento do Rio de Janeiro o desperdício diário é de 40 toneladas de alimentos. Não custa enfatizar, desperdício que ocorre em um único dia e que se repete invariavelmente.

Outro setor estratégico também apresenta diagnóstico de absoluta gravidade. O desperdício chega a ser um escândalo para qualquer um dotado de uma mente medianamente sã. Nada menos que 45% da água tratada para abastecimento das 27 capitais brasileiras é desperdiçada antes mesmo de chegar ao consumidor. Traduzindo para o bom português, quase metade da água potável produzida no país não chega, sequer, às torneiras do consumidor. São 6,14 milhões de litros do líquido precioso perdidos dia sim e o outro também, volume suficiente para abastecer 38 milhões de brasileiros diariamente.

Tanto desperdício decorre, naturalmente, de um sem número de problemas, a maioria deles, de uma forma ou outra, relacionados a questões de logística e infraestrutura física, mas, fundamentalmente relacionados à educação e a cultura. Sim, porque certo grau de desperdício é administrável e ocorre mesmo nos países desenvolvidos. Mas no volume e na dimensão que o problema aqui se verifica só mesmo nos países situados nas franjas do desenvolvimento econômico.

Muito do desperdício resulta de um caldo cultural direcionado para o consumismo, o esbanjamento, a completa ignorância sobre o que seja reduzir, reutilizar, reciclar. E nesta seara, só a educação tem condições de atuar, alterando o status quo, substituindo hábitos e costumes, promovendo a nova cultura da sustentabilidade.

Urge atinar que ‘sustentabilidade’ é uma boa ideia. E as boas ideias, no dizer de Rodoux Faugh “tem o poder de, na mente humana, desencadear uma explosão construtiva, tamanha, que coloca o homem, a micro partícula do universo, na mesma dimensão e grandeza que o cosmos”.

domingo, 21 de setembro de 2014

Charge: violência nas escolas


sábado, 20 de setembro de 2014


Sustentabilidade 5


sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Moliére


Sustentabilidade 4


U2 - Sunday Bloody Sunday



Que tipo de organização merecerá o século XXI? (II)


Em toda a história da humanidade, jamais as transformações ocorreram tão celeremente como nas últimas décadas.


A velocidade tem sido tamanha que poucos países têm conseguido acompanhá-la, ampliando mais ainda o fosso que separa os países ricos dos pobres e remediados.


Se até bem pouco tempo atrás o desenvolvimento estava umbilicalmente vinculado às reservas de recursos naturais de cada país, hoje se vincula à capacidade de produzir conhecimento.


Por isto, persistentes investimentos em educação tem sido o principal insumo para o progresso das nações. Estão aí os exemplos da Coréia, da Austrália e da Irlanda, que persistiram na adoção de políticas públicas eficazes, ancoradas sempre na educação.


Outro ponto que merece reflexão é que cada fase da história gerou uma forma organizacional diferente, compatível com os valores, características e demandas do seu tempo.


O volume de mudanças que vem ocorrendo no mundo gera cenários de incertezas, e os problemas se revestem de complexidade jamais experimentada. Estamos como que numa ante-sala, prestes a adentrar num universo em que os modelos e paradigmas serão radicalmente diferentes dos atuais. Um novo formato organizacional está em gestação e seu nascimento se dará sobre os escombros e ruínas do modelo organizacional burocrático atual.



É que os novos modelos deverão estar compatíveis com as novas demandas. É isto o que tem ensinado a história das organizações humanas. A realidade virtual, a bolsa de futuros, as telecomunicações, a forma como os recursos materiais e financeiros transitam de um continente para outro, tudo isto já está a exigir uma organização de tipo novo, apta a enfrentar as exigências do crescimento, imposto pela explosão da população e do consumo. Mas apta também a enfrentar uma concorrência mais selvagem, tecnologias mais sofisticadas, instabilidades macro-econômicas, globalização irreversível, e tratamento de sua imagem e da imagem de seus produtos.


O volume inesgotável de informações disponibilizadas pela internet, muitas delas contraditórias e antagônicas, e as incertezas características deste tempo em vigoroso movimento, criam uma fuligem densa e espessa que oblitera os diagnósticos e consequentemente o estabelecimento dos objetivos estratégicos e da visão de futuro.


As variáveis tornaram-se quase incontroláveis e os problemas extremamente complexos. Neste ambiente de pura turbulência, só os que adquiriram a habilidade de gerar e tratar de forma conveniente o conhecimento serão capazes de sair – revigorados - no outro lado do túnel.


Os demais terão perdido o bonde da história. Assim como o continente africano ficou para trás, não podemos permitir que a América Latina seja a bola da vez.


Artigo de Antônio Carlos dos Santos, criador da metodologia Quasar K+ de Planejamento Estratégico e da tecnologia de produção de teatro popular de bonecos Mané Beiçudo. 

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Nelson Rodrigues



Sustentabilidade 3


U2 - One - Anton Corbjin Version



O Santo Graal - II


"Hoje, existe uma espécie de menosprezo por essa coisa tão simples que antes era falar com propriedade. Quando eu era trabalhador, sempre tinha as ferramentas limpas e em bom estado. Não conheço uma ferramenta mais rica e capaz que o idioma. E isso significa que se deve ser elegante na dicção. Falar bem é um sinal de pensar bem".
Saramago


O homem jamais se conformou com suas atividades instintivas. As reações efetuadas de forma mecânica - que dispensam o aprendizado e a reflexão crítica - como os atos de respirar, comer, defecar e se arrastar jamais satisfizeram o Homo sapiens.

Desde os primórdios sentiu a premência de avançar, de evoluir, de comunicar a experiência vivida, incorporando um discurso significativo. E neste contexto a aprendizagem está para a evolução da humanidade assim como o Santo Graal está para algumas seitas religiosas.

Aprender a dominar o fogo; dar novas formas à pedra, lascando-a; captar a forma de lidar com a argila, o ferro, o cobre, o aço... E transmitir o conhecimento adquirido, se diferenciando das demais espécies porque o que acumulou e acumula diuturnamente não depende exclusivamente das informações genéticas e do comportamento que se desenvolve automaticamente de sua relação com a natureza.


Portanto, uma característica fundamental do homem reside na capacidade de aprender, de processar as experiências e conhecimentos que recebe dos antecedentes e das antigas gerações para transmitir para os contemporâneos e para os que virão. É esta especial característica que elevou a espécie, possibilitando exercer completo domínio sobre o planeta, e que decorre da habilidade de criar sistemas de símbolos - sobretudo a linguagem - mecanismos de que se utiliza para dar significado às experiências vividas, transmitindo-as aos seus semelhantes.


Por esta razão, no planeta terra, tão somente ao Homo sapiens é dado pensar.


Todavia, no decorrer da evolução humana parece que modificações genéticas acometeram indivíduos e grupos deles, criando uma sub-espécie que cultua a mediocridade, a ignorância e a delinqüência intelectual. É deste grupo de pessoas – hoje tão numerosos que em alguns extratos sociais, amplamente majoritários – que se refere Saramago. De uma forma sentida, dolorida, num incontido desabafo, dá testemunho dos que menosprezam o idioma, a fala, o pensamento...


Porque a escalada dos que são incapazes de pensar e falar bem, parece não ter fim. Como pragas de vampiros vão galgando posições, ocupando todos os espaços, sugando todo o sangue e energia disponível à volta. São os dráculas modernos, arrogantes e presunçosos, artificiais e preguiçosos ao extremo, incapazes de ler um bom livro, freqüentar uma boa escola, encantar-se por um museu, um teatro ou um cinema.

Não desenvolveram a habilidade de escutar, de ouvir. Simplesmente simulam prestar atenção ao interlocutor porque todas as respostas já estão predefinidas, na ponta da língua, pronta para a erupção que exala estultícia, tolice.

Os néscios compõem uma caterva de malandros que avacalha o idioma, sempre testando nossa paciência para administrar o insuportável, o que afronta a harmonia e desequilibra, o que agride a lógica e aos ouvidos, o que distorce e desfigura a verdade.


Incapazes de compreender as virtudes do diálogo diplomático, discreto e de conteúdo, estão sempre como prolixos papagaios, repetindo citações imbecis e o que já foi dito e reiterado inúmeras vezes, falando alto e com estardalhaço.

Como não têm o poder da palavra, não dominam o idioma e ignoram a lógica, jamais alcançam o pensamento, o raciocínio, a reflexão. Então utilizam a verborragia dos retardados e, conseqüentemente, não convencem. Daí, para vencer, só pela força.

Como cansa escutar alguns políticos, alguns intelectuais, alguns professores,...broncos que infestam todas as categorias profissionais.


Jamais compreenderão o poder do silêncio, do instante mágico para processar o que se escutou, o que se viu, o sentimento que emergiu, quando as coisas se revelam em sua verdadeira intensidade. 

Quando sentimos a doce presença de Deus.


Artigo de Antônio Carlos dos Santos, criador da metodologia de planejamento estratégico Quasar K+ e da tecnologia de produção de teatro popular de teatro Mané Beiçudo. 

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O artigo acima postei já faz algum tempo. Mas o artigo de Santiago Kovadloff, publicado no La Nacion, mostra cabalmente que sua atualidade incomoda. Abaixo trechos do artigo:


A interdependência entre linguagem, moral e política se mostra, desde sempre, como um fato indiscutível. George Steiner pôde constatar "as pressões exercidas pela decadência cultural sobre a linguagem". Desde o início dos anos 60, advertiu que "os imperativos da cultura e da comunicação de massa têm forçado a linguagem a desempenhar papéis cada vez mais grotescos." A obscenidade do grotesco consiste em sua ostentação; na exposição da vulgaridade como um bem.


Líderes políticos incorporam em seu vocabulário a grosseria e a insolência como se não fossem ou, ainda pior, como se fossem dignos de divulgação. Abertamente e com frequência cada vez maior, fazem eco deste fascínio pela grosseria verbal, esforçando-se em apresentá-la como uma garantia de autenticidade e proximidade com seu público. A brutalidade, o ordinário e o grotesco foram pavimentando o caminho para algo ainda pior: o movimento progressivo de todos os tipos de violência verbal.


E a chamada classe política não hesitou em fazer sua própria contribuição para esse exercício irresponsável da palavra, transformando o adversário em inimigo e a discordância com sua própria opinião em um insulto. A deterioração da linguagem tem uma forte influência sobre a força das idéias. Como bem observado por Steiner, à medida que esta deficiência se acentua "a linguagem deixa de configurar o pensamento avançando para a brutalização." Sejamos claros: quando a linguagem se corrompe, algo mais do que a linguagem está corrompido. O lixo em que se transforma, inevitavelmente contamina o pensamento.


O caso da atual liderança do partido governista é, neste sentido, patético. Ter adversários os repugna e acabam definindo-os como sendo seres insignificantes. Os maus-tratos que lhes são impostos não têm limites. Com isso, política conhecida tende a desaparecer. Em vez disso, tem seu lugar ocupado pelo despotismo. A intenção por trás dele não esconde seu propósito. A demagogia e a intolerância andam de mãos dadas. A pluralidade de critérios horroriza sua propensão para o monólogo.


Assim não incentiva o debate, mas sim o maniqueísmo. A discordância necessária se transforma, sob o seu peso, em confrontação. E o confronto, em seu caso, em uma prática voltada para o extermínio do adversário. A degradação do idioma, em boa parte dos políticos, reflete a magnitude alcançada pela perda do valor das investiduras. Tão difundida é essa degradação que seria injusto supor que o oficialismo tem o monopólio da degradação da linguagem. Mas é inegável que em suas fileiras esta prática encontra uma maior aceitação.


É indubitável que a meta para a qual se encaminha, na política, a degradação da palavra, é a subordinação forçada de toda dissidência a uma vontade despótica. Uma nova raça de excluídos começa ser forjada pela intolerância do poder. Os membros são aqueles que desejam continuar exercendo o pensamento crítico. Assim, a insegurança conhecida se acrescenta uma nova.


Andar pelas ruas, avenidas e vias é, há muito, um risco radical. Freqüentar livremente o caminho das palavras começa a ser também. Duas formas de crime se complementam na Argentina para multiplicar uma mesma desolação.