terça-feira, 26 de agosto de 2014

Trabalho em equipe

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O vídeo acima é bem ilustrativo sobre a importância do trabalho em equipe.

Trabalho em equipe

“(...) Quanto mais as organizações dão guarida às equipes da qualidade e se distanciam das equipes inerciais, mais se revigoram, se tonificam, se fortalecem para enfrentar os complexos desafios tipificados pelos cenários e ambientes globalizados (...)”.


O homem é um ser social. Desde os primórdios percebeu as vantagens de viver e trabalhar em grupo. Formar número, acumular forças, resistir às intempéries, vencer os obstáculos impostos pela natureza, garantir a alimentação e a sobrevivência...

O trabalho em equipe se revelou uma necessidade perene, assegurando a sobrevivência da espécie e o domínio sobre o habitat e o planeta.

Mas trabalhar em grupo não é tudo.

O domínio do fogo, da pólvora, da bússola, a tecnologia da construção das embarcações e das velas, a vapor e a revolução industrial, a tecnologia nuclear, o microchip... é o conhecimento que garante às sociedades, nos diferentes ciclos históricos, o desenvolvimento e o domínio sobre os demais povos.

Fazer em grupo é importante, mas o como fazer é fundamental.

Toda a história do homem é permeada de guerras e conquistas. Os heróis nacionais quase sempre são generais, militares, conquistadores e libertadores que - sem fazer valor de juízo sobre as razões de suas causas - deixam por onde passam um rastro de destruição,dor e sangue.

Já nos idos de 1.530 a.C., Sekenenrê, o primeiro libertador nacional, para libertar o Egito dos Hicsos chegou a contar com uma força permanente de 240 mil homens.

E cada nação, em cada momento de sua história, clamou e cultuou seu general.

Esta intensa presença militar contribuiu para transferir para o seio das sociedades os dogmas e paradigmas da caserna, particularmente o autoritarismo. Portanto as relações interpessoais tendem a resvalar para o arbitrário, sejam estabelecidas no ambiente familiar ou nos grupos de trabalho.


 A INÉRCIA
Característica do cenário onde o líder do grupo assume uma postura semelhante à do dono da bola numa pelada de futebol. Por mais perneta e desajeitado com a pelota, será sempre o titular absoluto da posição, ou o apito final invariavelmente soará.

Auto suficiente e loquaz, o gerente do grupo está sempre correto e, quando numa fugaz eventualidade se faz de vencido, é na realidade um recuo estratégico para mais a frente, em melhores condições, tornar à carga para fazer valer suas posições.

Para compor a equipe, os critérios preferenciais são a passividade e a absoluta obediência. O técnico deve ser servil, jamais questionar e só se manifestar quando explicitamente convocado. Os papéis e o ritual não permitem qualquer dúvida: "eu ordeno, você obedece"; “quem pode manda, obedece quem tem juízo”.

Nesta estruturação a participação é meramente formal. A contribuição individual para o coletivo se limita ao mínimo necessário. O grupo caminha por inércia e os resultados se limitam ao trivial, ao convencional. Inovação e criatividade são componentes fora de cogitação. O realizado é sistemática repetição do que é feito há anos, portanto qualquer mudança é atitude como que leviana e temerária.

Aqui os paradigmas são devotados. Só o chefe pensa, só o chefe decide. É um iluminado, um privilegiado a quem Deus untou com seu santo unguento, enquanto os integrantes da equipe não passam de reles colaboradores, meros mortais. 

Naturalmente, por mais diferenciado que seja o trabalho, os resultados caem na vala comum da mesmice e da mediocridade. A eficiência é um dogma repetido à exaustão, mas eficácia e efetividade ficam adormecidas nas páginas densas dos dicionários.

O grupo trabalha desmotivado, cada um preocupado, exclusivamente, com os limites de sua tarefa; há uma obsessão maníaca pelos horários e pela frequência, e absolutamente nada é realizado além do previsto e estipulado. Se o planejado é executado ou não, pouco importa; o que interessa é que "minha parte" foi realizada.

Enquadrada, a equipe não tem vida própria, seus integrantes não tem importância, são descartáveis e o projeto só sofre solução de continuidade se perder seu chefe. Sim, pois outra peculiaridade desta formatação é a concentração e a centralização do poder.


Ao técnico só é permitido manusear parte dos dados e informações. Só o chefe manuseia o conjunto, mantendo assim o controle total e absoluto sobre o processo.

Como são impermeáveis às discussões, essas equipes se bastam. Ignoram e rejeitam contribuições de outras fontes, defendem intransigentemente seu pequeno universo de miudezas e privilégios e vêem no outro um adversário, ao invés de um potencial colaborador.

São equipes jurássicas, em acelerado estágio de putrefação, exalando o cheiro nauseabundo das estruturas inertes.

Por paradoxal que possa parecer estão onipresentes. No comércio, na indústria, nas escolas, nos bairros, no serviço público... Aliás, é no serviço público que se estabeleceu uma vinculação especial, com profundas raízes. Protegidos pelas súcias partidárias, se encastelaram majestosos e reinam num mundo de faz-de-conta, repleto de papéis, processos insolúveis, má vontade, clientelismo, fisiologismo e corporativismo.

Muitas vezes, esta concepção política de trabalho em grupo não aparece tão claramente delineada, se travestindo de outras facetas que na realidade redundam em variações sobre um mesmo tema. Existem as equipes autoritárias, outras escamoteando o despotismo, e outras ainda pretensamente "abertas", mas todas irremediavelmente viciadas, dependentes e meras reprodutoras de valores ultrapassados.

O MOVIMENTO
Na extremidade oposta figura a equipe da qualidade.

Aqui o líder não é imposto, mas se faz no dia-a-dia, conquistando a preferência e o respeito de seus pares. Atua como agente de dinamização, estimulando e aglutinando as diferentes vivências e experiências.

A leitura que faz da vida o torna solidário. Jamais se coloca acima ou se considera mais importante que os demais. Seu lugar é ao lado, dentro, completamente imerso, o que torna sua liderança algo natural, agradável e produtiva.

As discussões são fomentadas, perseguidas a todo instante. Por necessárias à condução dos trabalhos, são sempre interessantes, pujantes, vigorosas, vivas. É a força motriz do grupo.

A exata compreensão que o trabalho é coletivo e o crescimento de um significa o crescimento de todos, torna a participação intensa e nunca artificial. O sucesso ou o fracasso será mérito ou demérito de todos. A figura do cacique é reservada às películas cinematográficas. Muito mais que estar, todos, na realidade, são; por isso a alternância na gerencia é fato comum e corriqueiro.

Nesta estrutura, o autoritarismo cede lugar à democracia. As experiências individuais são valorizadas para, agregadas, originarem o universo coletivo. Os erros se reduzem pois todos os esforços, todas as cabeças atuam no sentido de acertar, receptivos sempre aos novos desafios.

Nas discussões não existem vencidos e vencedores. Ao término dos debates só existem vencedores em decorrência do embate das ideias originar uma terceira via que resulta da sinergia e apropriação do que de melhor foi identificado nas postulações pregressas.


Os dogmas e paradigmas são questionados com vigor, ininterruptamente. Não podemos continuar realizando tarefas e atividades da mesma forma que sempre foram realizadas. Vale como ilustração a antiga estória do peru no forno:

Natal. A garota pergunta:
-Mamãe porque a senhora assou o peru sem as pernas e a cabeça?
A mãe pensou e não encontrou resposta mais apropriada: "Sua avó sempre fez assim”.
A criança fez com que a mãe a acompanhasse até a avó.
-Vó porque a senhora ensinou mamãe a assar o peru sem pernas e cabeça?
Cabreira com o repentino interesse da neta, por mais que a avó refletisse, não encontrou outra resposta:
-Sempre foi assim, aprendi com minha mãe.
E lá foram as três atrás da matriarca maior, a anciã que já se curvava ao peso
do século. A velhinha foi parcimoniosa e respondeu com dificuldade ao respirar: "Éramos muito pobres e nosso forno bem pequenino. O peru não cabia dentro, por isso tinha que cortar as pernas e a cabeça”.)

A estruturação pela qualidade não comporta verdades absolutas, tudo é relativo, tudo passivo de mudanças e os graus de liberdade inúmeros. A satisfação é um quesito importante e impõe grandes saltos ao caminhar da equipe. Os resultados extrapolam o programado, as metas são superadas em virtude da rápida incorporação de inovações.

A confiança é o fio condutor da relação entre as pessoas. Os horários são flexíveis e a responsabilidade integral. A motivação é contínua, o horizonte a cada instante mais largo, os integrantes da equipe se percebem, se enxergam, se vêem elos importantes de uma una corrente.

A descentralização atua no sentido de valorizar as individualidades, agilizar as tarefas, melhorar a performance do colegiado e auferir produtividade crescente. Todos têm acesso ao universo de dados e informações, democratizando as oportunidades. O intercâmbio com outros grupos é constante ainda que as atividades não sejam afins.

São, enfim, equipes da qualidade, despertas, dinâmicas, receptivas aos novos desafios. Tem a leveza do movimento.

Esta política encontra plena guarida em várias empresas e setores, mas com desmedida timidez, apenas tangencia o setor público.

No dia a dia das organizações, estes dois arquétipos disputam o protagonismo. Travam uma batalha titânica pela hegemonia. Quanto mais as organizações dão guarida às equipes da qualidade e se distanciam das equipes inerciais, mais se revigoram, se tonificam, se fortalecem para enfrentar os complexos desafios tipificados pelos cenários e ambientes globalizados.

Nas últimas décadas, o estado brasileiro foi sucateado para atender aos interesses de grupos de interesses, das conveniências partidárias, contra os grandes interesses da população. Neste processo, os servidores foram relegados a um enésimo plano e transformados, ainda, nos vilões das mazelas do estado.

Políticas de qualificação profissional, de ganhos de produtividade, de cargos e salários foram simplesmente ignoradas em função de práticas arcaicas e nocivas em que imperam o fisiologismo e o clientelismo.

Esta realidade origina quase sempre um servidor desqualificado, desiludido e desmotivado. Adrenta-se num círculo vicioso em que governantes vão se sucedendo, recusando a enfrentar o problema, entram num jogo de simulações, passando a fingir que pagam salários; enquanto o servidor indignado com a situação, finge que trabalha. E a estratégia vai se perpetuando.

Os novos tempos exigem o imediato rompimento deste ciclo. A sociedade comprimida, não suporta continuar pagando pela inexistência dos serviços, ou pelos péssimos serviços prestados. E nesta oxigenação o servidor é figura de proa, timoneiro.

Atuando nos sindicatos, entidades de classe e movimentos sociais, vai chamando a atenção para a imperiosa necessidade de modernizar o estado. Não a modernização falaciosa fluente na boca de tantos e sim a modernização de fato, que coloque o estado como instrumento ágil e eficaz das maiorias silenciosas e marginalizadas.

O servidor deve resgatar seus valores fundamentais, destacar o seu quesito mais nobre, o que o torna especial, diferente dos demais trabalhadores: o fato de ser um servidor do povo, de ter como patrão sua comunidade. Confúcio se orgulhava de ter sido servidor público.

Só a incorporação desses referenciais será capaz de remover as grandes barreiras que impedem o país de progredir e desenvolver.

É um processo que demandará tempo, sem dúvida. Mas tão certo como um dia após o outro.

Artigo de Antônio Carlos dos Santos, criador da metodologia de planejamento estratégico Quasar K+