quinta-feira, 19 de maio de 2016

Democracia & Educação ou Da arte de se assemelhar a gorilas e bonobos

Sob o ponto de vista político, a democracia é o que de mais nobre a humanidade já conseguiu construir. É um sistema perfeito, sem vícios e desvios que blinda os cidadãos contra o fisiologismo, o clientelismo, o tráfico de influência e a corrupção endêmica? Não, claro que não, longe disso. Mas desde quando a perfeição absoluta está entre as categorias inerentes à espécie Homo sapiens? Aliás, não custa recordar que a expressão origina do latim e significa homem sábio, homem racional.

E, às vezes, os desvios da democracia são tamanhos que deixamos o sábio e o racional de lado para nos aproximar dos demais primatas bípedes que, como os humanos, pertencem à subfamília Hominoidea: gorilas, chimpanzés, bonobos e orangotangos.

Os exemplos mundo afora mostram um consistente vínculo entre educação e democracia. Quando a educação é de qualidade, a democracia se consolida de forma sustentável, vistosa, vigorosa e a civilização fica bem ao alcance da mão. Já quando a educação carece dos mínimos parâmetros, quando é tratada com desdém e bochinche, a democracia se fragiliza, perde substância, e quem fica bem rente, de forma perigosa e ameaçadora, é a barbárie.

Se desejamos uma democracia sustentável, então não resta outro caminho senão investir em educação, priorizar o setor, único modo de agregar qualidade ao nosso caótico e medíocre sistema de ensino. Tratar a educação com diligência, zelo e carinho é condição indispensável para que possamos dar curso à caminhada.

E porque educação de qualidade se vincula de forma tão umbilical à democracia sustentável? É elementar: a qualidade do parlamento depende da qualidade dos eleitores; a qualidade das pressões populares, depende da qualidade da cidadania; a qualidade dos serviços prestados pelo Estado, depende da qualidade dos contribuintes, e assim segue a espiral sem fim ...

Quando se trata do binômio “educação e desenvolvimento”, o quadro adquire contornos não muito salutares... o ar que se respira passa a denso, quase intragável, o céu fica mais para retiro de pardais e urubus, que deslocam para ermos longinquos cenários onde vicejam sabiás e uirapurus.

A baixa escolaridade aflige mais da metade dos eleitores brasileiros. E se a escolaridade é baixa, a tendência é que a qualidade do voto também seja.

O Brasil é um país único, o único do planeta onde, dizem, existe a jabuticaba, fruto da jabuticabeira, árvore brasileira da família das mirtáceas, nativa da Mata Atlântica. Tal qual a fruta, também se desenvolvem por aqui soluções artificiais, mas com jeitos e trejeitos de coisa séria, sustentável, cientificamente estruturada. São soluções tipicamente nacionais; parecem ocorrer tão somente nesta parte dos trópicos.  

Dentre os princípios da metodologia jabuticabense, os axiomas: “exija desenvolvimento e entregamos fantasia; exija sustentabilidade e oferecemos demagogia”. Inexiste ensino de qualidade universalizado?, então, tome políticas afirmativas e de cotas raciais; tome bolsas-esmolas, tome políticas ‘inclusivas’ intrinsecamente clientelistas, tome impossibilidade de redução da maioridade penal, tome ampliação do universo de eleitores possibilitando que menores escolham os dirigentes do país, elejam o Presidente da República, sem que se permita serem responsabilizados por seus crimes que, aliás, na terra onde prosperam as mirtáceas,  basta que se troquem as palavras crime econtravenção penal por ato infracional, e... a solução está dada na lógica-sem-lógica do jabuticabal.

Vivemos o tempo em que a realidade nua, crua e cristalina é substituída pelo proselitismo, pela propaganda institucionalizada... maquia-se uma mentira com argumentos verdadeiros e eis um sistema que adota o sofisma como método diuturno de controle e dominação.

O sistema eleitoral apresenta pouca representatividade? Ao invés de eliminarmos os vergonhosos índices de analfabetismo, investindo na universalização da educação de qualidade, transformando massas de embrutecidos na ignorância em cidadãos conscientes, incorporem-se – ao processo - os analfabetos, e pronto, a magia está posta...

Desde o Brasil colônia, os analfabetos encontram-se na categoria de massa de manobra dos coronéis da política. Sim, no começo do Império, o analfabeto já votava. Direito só perdido pouco tempo antes da República, quando a Lei Saraiva - Decreto nº 3.029, de 9 de janeiro de 1881- estabeleceu o “Censo Literário”, mecanismo que obrigou o eleitor a saber ler e escrever corretamente. Esta alteração foi proposta por Rui Barbosa como estratégia para, ao mesmo tempo que obrigar a ação governamental no sentido de erradicar o analfabetismo, impedir que a massa disforme de ignorantes – qual boiada tangida - continuasse a alimentar a política clientelista dos poderosos.

Impedir que analfabetos votem configuraria política elitista? Não é o que pensava Rui Barbosa. O que configura práticas e métodos elitistas é a perpetuação de políticas públicas que investem na manutenção do status quo, na perpetuação de uma massa inteiramente manobrável, na consolidação dos currais eleitorais, estejam no campesinato ou nas corporações sindicais...

Hoje, o analfabeto pode votar, mas não ser votado. A Constituição 1988 manteve inelegíveis os inalistáveis e os analfabetos, mas garantiu às pessoas analfabetas o direito ao voto, em caráter facultativo. 


Constituição Federal - Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos (...)
§ 1º - O alistamento eleitoral e o voto são:
II - facultativos para:
a) os analfabetos;

Exigir a universalização da educação de qualidade talvez seja a forma mais eficaz de abreviar e tornar mais curta a distância que nos separa da barbárie e dos currais eleitorais. Respostas e soluções simplistas para problemas complexos, sempre estão na raiz das repúblicas bolivarianas, nos santuários jabuticabenses.

Antônio Carlos dos Santos – criador das seguintes metodologias:
©Planejamento Estratégico Quasar K+;
©ThM – Theater Movement; e
©Teatro popular de bonecos Mané Beiçudo.


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Dramaturgo, o autor transferiu para seus contos literários toda a criatividade, intensidade e dramaticidade intrínsecas à arte teatral. 

São vinte contos retratando temáticas históricas e contemporâneas que, permeando nosso imaginário e dia a dia, impactam a alma humana em sua inesgotável aspiração por guarida, conforto e respostas. 

Os contos: 
1. Tiradentes, o mazombo 
2. Nossa Senhora e seu dia de cão 
3. Sobre o olhar angelical – o dia em que Fidel fuzilou Guevara 
4. O lugar de coração partido 
5. O santo sudário 
6. Quando o homem engole a lua 
7. Anos de intensa dor e martírio 
8. Toshiko Shinai, a bela samurai nos quilombos do cerrado brasileiro 
9. O desterro, a conquista 
10. Como se repudia o asco 
11. O ladrão de sonhos alheios 
12. A máquina de moer carne 
13. O santuário dos skinheads 
14. A sorte lançada 
15. O mensageiro do diabo 
16. Michelle ou a Bomba F 
17. A dor que nem os espíritos suportam 
18. O estupro 
19. A hora 
20. As camas de cimento nu 

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AS OBRAS DO AUTOR QUE O LEITOR ENCONTRA NAS LIVRARIAS amazon.com.br: 

A – LIVROS INFANTO-JUVENIS: 

I – Coleção Educação, Teatro e Folclore (peças teatrais infanto-juvenis): 

II – Coleção Infantil (peças teatrais infanto-juvenis): 
Livro 8. Como é bom ser diferente 

III – Coleção Educação, Teatro e Democracia (peças teatrais infanto-juvenis): 

IV – Coleção Educação, Teatro e História (peças teatrais juvenis): 

V – Coleção Teatro Greco-romano (peças teatrais infanto-juvenis): 

B - TEORIA TEATRAL, DRAMATURGIA E OUTROS
VI – ThM-Theater Movement: