sábado, 30 de abril de 2016

Por amor à vida e ao próximo.




A água não é somente herança de nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como a obrigação moral do homem para com as gerações presentes e futuras. 
Declaração Universal dos Direitos da Água

A água é a seiva do nosso planeta. Ela é a condição essencial da vida. Como imaginar a atmosfera, o clima, a vegetação ou a agricultura sem a graça deste líquido precioso? 

Em junho de 1992, o Brasil sediou a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a ECO RIO 92. A Conferência - considerada por muitos o evento ambiental mais importante do século passado, obteve a proeza de reunir representantes de 175 países e de Organizações Não-Governamentais. 

Foi nesta Conferência que a ONU publicou o documento “Declaração Universal dos Direitos da Água”, cujo trecho figura em epígrafe, introduzindo este artigo. 

Ainda que tardia, a Declaração procura resgatar a importância da água para a sustentabilidade do planeta. 

Os cientistas da NASA - National Aeronautics and Space Administration – a agência espacial norte-americana, ao investigar a existência de vida em outros planetas, procura preliminarmente verificar a presença ou não de água, porque foi assim que a vida se originou por aqui.

Da antiguidade oriental emergiram muitos povos: o egípcio, sumério, acádio, assírio, persa, fenício, hebreu...

Essas civilizações estabeleceram uma dependência tão grande dos rios que passaram para a história com a denominação de “civilizações hidráulicas”.

O modelo de Estado adotado baseava-se, fundamentalmente, na posse das águas e das terras agricultáveis. 

Mas antes mesmo da existência de Estados e povos organizados, a água já era um recurso natural a acompanhar a evolução humana. Desde os primórdios da existência, a espécie manteve-se a curta distância das fontes de abastecimento de água, condição imposta para o desenvolvimento, mas também para a sobrevivência. 

O planeta seria um deserto inóspito inexistisse a água. Todos os animais que vivem hoje em terra firme, e os que traçam nos céus voos singelos e majestosos, evoluíram a partir de antecedentes que viveram nos mares e oceanos. E quando estas espécies abandonaram a água migrando para terra firme, tiveram que continuar servindo-se dela. Porque a evolução da humanidade e dos seres vivos, de forma geral, sempre esteve relacionada à disponibilidade de água. 

A superfície terrestre tem nada menos que três quartos cobertos de água. Esta característica fez com que vingasse entre nós a cantilena de que os recursos hídricos seriam ilimitados, inesgotáveis. O que é grave, considerando que menos de 3 % da água do mundo é doce. E mais grave ainda, mais de 99% encontra-se congelada nas regiões polares ou em rios e lagos subterrâneos, limitando, portanto, sua imediata utilização.

A vinculação da humanidade com a água é tão umbilical que lendas antigas apregoavam a supressão da morte através da fonte da juventude, manancial que asseguraria a eternidade para os que a conseguissem acessar. 

A fonte da juventude teria o condão de efetuar milagres, curar males e enfermidades, açoitar a velhice, mantendo os felizardos que a encontrassem em estado de eterna lepidez e juventude. 

Não são poucas as referências sobre esta histórica busca pela água milagrosa. A mais antiga é uma obra dos sumérios, “Gilgamesh”, que se prevê ter sido escrita há 3.000 anos A.C. 

A água é como o ar que se respira, indispensável para a vida humana. Tão indispensável que chega a compor 70% do nosso peso corporal. Uma pessoa faminta, sem alimento, é capaz de resistir por várias semanas; já sem água, perece em poucos dias. 

No Brasil estão concentradas cerca de 12% de toda a água doce existente no mundo. E cresce o número de países que padecem com a escassez de água. Alguns já importam o precioso líquido. O Japão, por exemplo, faz vir parte dele da Coréia do Sul. 

Se por um lado a abundância de água doce é um alento importante para o país, por outro, o desequilíbrio constitui um de nossos principais gargalos. A Amazônia concentra tão somente 7% da população brasileira, mas conta com 70% de toda a água doce existente no país. No nordeste encontra-se outro vértice do problema. Apesar da região contar com cerca de 30% da população brasileira, apenas 3% da nossa água doce lá se encontra. 

Rodoux Faugh costuma alertar que a espécie humana prolifera no planeta de forma insustentável. E justifica lembrando que, em 1650, havia em torno de 500 mil habitantes no planeta e que em 2.011 já somos cerca de 7 bilhões. É gente demais para recursos naturais de menos. 

O Brasil ainda conta com o privilégio de abrigar em seu subsolo um dos maiores reservatórios subterrâneos do mundo, o aquífero Guarani. Estima-se que este colossal reservatório natural se estenda por uma área de 1,2 milhões de km², área equivalente ao somatório dos territórios de muitos países.

O grande problema – que, em parte, já se verifica em vastas regiões do mundo - é que o recurso que possibilita a vida no planeta já dá sinais de esgotamento. Muito disso deve-se à pressão da demanda, aumento da população, da produção agrícola, industrial,... Mas não restam dúvidas que o desperdício é um dos componentes responsáveis pelo sinal vermelho, pelo sinal de alerta, de perigo, que já se anuncia de forma eloquente. Um dado revela o quão grave é a questão do desperdício de água nos núcleos urbanos, sobretudo dos países em desenvolvimento: 60% da água distribuída pela rede de abastecimento se perdem no caminho. No Brasil, 45% da água tratada para abastecimento das 27 capitais brasileiras é desperdiçada antes mesmo de chegar ao consumidor. 

Caso a demanda continue crescendo no ritmo atual, cientistas estimam um cenário desolador: em 2025, 30% de toda a população mundial estaria sujeita às privações e suplícios da completa falta da seiva que sustenta a vida. 

Se a água é vida, quando não tratada pode significar morte. As principais doenças que assolam as camadas mais pobres da população brasileira se propagam por meio hídrico como a gastrenterite, a cólera, a leishmaniose, a malária, a esquistossomose, as moléstias diarreicas e muitas outras. Em determinadas circunstâncias até mesmo a hepatite e a salmonelose.

No mundo, anualmente, morrem 10 milhões de pessoas, metade delas jovens e crianças, com menos de 18 anos, devido às doenças propagadas através de água sem tratamento adequado. 

Cuidar, portanto, da água é questão de responsabilidade, de respeito, de amor à vida e ao próximo: um compromisso de sustentabilidade para com o planeta. Algo que, definitivamente, não se pode deixar para o amanhã.

Antônio Carlos dos Santos, criador da © Metodologia de Planejamento Estratégico Quasar K+, da © tecnologia de teatro popular Mané Beiçudo, e da © metodologia ThM-Theater Movement.

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Dramaturgo, o autor transferiu para seus contos literários toda a criatividade, intensidade e dramaticidade intrínsecas à arte teatral. 

São vinte contos retratando temáticas históricas e contemporâneas que, permeando nosso imaginário e dia a dia, impactam a alma humana em sua inesgotável aspiração por guarida, conforto e respostas. 

Os contos: 
1. Tiradentes, o mazombo 
2. Nossa Senhora e seu dia de cão 
3. Sobre o olhar angelical – o dia em que Fidel fuzilou Guevara 
4. O lugar de coração partido 
5. O santo sudário 
6. Quando o homem engole a lua 
7. Anos de intensa dor e martírio 
8. Toshiko Shinai, a bela samurai nos quilombos do cerrado brasileiro 
9. O desterro, a conquista 
10. Como se repudia o asco 
11. O ladrão de sonhos alheios 
12. A máquina de moer carne 
13. O santuário dos skinheads 
14. A sorte lançada 
15. O mensageiro do diabo 
16. Michelle ou a Bomba F 
17. A dor que nem os espíritos suportam 
18. O estupro 
19. A hora 
20. As camas de cimento nu 

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AS OBRAS DO AUTOR QUE O LEITOR ENCONTRA NAS LIVRARIAS amazon.com.br: 

A – LIVROS INFANTO-JUVENIS: 

I – Coleção Educação, Teatro e Folclore (peças teatrais infanto-juvenis): 

II – Coleção Infantil (peças teatrais infanto-juvenis): 
Livro 8. Como é bom ser diferente 

III – Coleção Educação, Teatro e Democracia (peças teatrais infanto-juvenis): 

IV – Coleção Educação, Teatro e História (peças teatrais juvenis): 

V – Coleção Teatro Greco-romano (peças teatrais infanto-juvenis): 

B - TEORIA TEATRAL, DRAMATURGIA E OUTROS
VI – ThM-Theater Movement: