domingo, 21 de novembro de 2010

Que tipo de organização merecerá o século XXI?

Em toda a história da humanidade, jamais as transformações ocorreram tão celeremente como nas últimas décadas.

A velocidade tem sido tamanha que poucos países têm conseguido acompanhá-la, ampliando mais ainda o fosso que separa os países ricos dos pobres e remediados.

Se até bem pouco tempo atrás o desenvolvimento estava umbilicalmente vinculado às reservas de recursos naturais de cada país, hoje se vincula à capacidade de produzir conhecimento.

Por isto, persistentes investimentos em educação tem sido o principal insumo para o progresso das nações. Estão aí os exemplos da Coréia, da Austrália e da Irlanda, que persistiram na adoção de políticas públicas eficazes, ancoradas sempre na educação.

Outro ponto que merece reflexão é que cada fase da história gerou uma forma organizacional diferente, compatível com os valores, características e demandas do seu tempo.

O volume de mudanças que vem ocorrendo no mundo gera cenários de incertezas, e os problemas se revestem de complexidade jamais experimentada. Estamos como que numa ante-sala, prestes a adentrar num universo em que os modelos e paradigmas serão radicalmente diferentes dos atuais. Um novo formato organizacional está em gestação e seu nascimento se dará sobre os escombros e ruínas do modelo organizacional burocrático atual.

É que os novos modelos deverão estar compatíveis com as novas demandas. É isto o que tem ensinado a história das organizações humanas. A realidade virtual, a bolsa de futuros, as telecomunicações, a forma como os recursos materiais e financeiros transitam de um continente para outro, tudo isto já está a exigir uma organização de tipo novo, apta a enfrentar as exigências do crescimento, imposto pela explosão da população e do consumo. Mas apta também a enfrentar uma concorrência mais selvagem, tecnologias mais sofisticadas, instabilidades macro-econômicas, globalização irreversível, e tratamento de sua imagem e da imagem de seus produtos.

O volume inesgotável de informações disponibilizadas pela internet, muitas delas contraditórias e antagônicas, e as incertezas características deste tempo em vigoroso movimento, criam uma fuligem densa e espessa que oblitera os diagnósticos e consequentemente o estabelecimento dos objetivos estratégicos e da visão de futuro.

As variáveis tornaram-se quase incontroláveis e os problemas extremamente complexos. Neste ambiente de pura turbulência, só os que adquiriram a habilidade de gerar e tratar de forma conveniente o conhecimento serão capazes de sair – revigorados - no outro lado do túnel.

Os demais terão perdido o bonde da história. Assim como o continente africano ficou para trás, não podemos permitir que a América Latina seja a bola da vez.

Antônio Carlos dos Santos é professor universitário, criador da metodologia Quasar K+ de Planejamento Estratégico e da tecnologia de produção de teatro popular de bonecos Mané Beiçudo.