domingo, 12 de julho de 2015

Planejar para quê?


Os céticos costumam afirmar que fosse o planejamento algo sério e conseqüente teria evitado a débâcle do império soviético, haja vista que lá se originou de forma efetiva o planejamento de Estado.

Já os entusiastas adeptos desse ordenamento, afirmam que, não fosse o planejamento, os países da cortina de ferro – carcomidos por dentro – teriam desmoronados muito mais cedo.

O certo é que posições extremadas quase sempre não resistem a uma análise crítica mais estruturada. Por isso é preciso manter sobre tudo certo distanciamento, um distanciamento que nos mantenha vinculados aos marcos da razão. Nem tanto o céu, nem tanto a terra. O que podemos asseverar com rigor científico é que o planejamento é um sistema aberto; um sistema convém repetir, nada mais, nada menos.

Jamais será uma panacéia a quem se atribuirá o poder divino de resolver todos os males da terra, de dar solução a todos os problemas das pessoas e das instituições. Como também não será jamais a desdita, a perfídia, o traidor das causas nobres e das esperanças alheias, o instrumento que se mostrou infrutífero.

Condenar ou absolvê-lo será, quando menos, figura de retórica, trocadilho de intenções subalternas. Como todos os demais instrumentos da racionalidade humana, o planejamento será um bem ou um mal dependendo do uso que dele fizermos.

Se o contexto encerrar um eficaz conjunto de procedimentos metodológicos, se o manejo das técnicas e princípios forem criteriosamente monitorados, e se os atores passarem por um rigoroso processo de capacitação para lidar com a ferramenta - extraindo dela tudo o que oportuniza, se houver vontade política da alta direção, então estarão criadas as condições necessárias para um desfecho satisfatório. Mas se necessárias, acredito que jamais teremos à mão as condições suficientes. É que em qualquer processo ou atividade em que nos lancemos sempre estaremos sujeitos às variáveis que jamais serão conformadas no todo, as variáveis da incerteza, uma fragilidade inerente da essência e do âmago da espécie humana. Como ensinam nossos avós, “errar é humano”.

Mas a construção de um cenário em que o planejamento orgânico e estruturado esteja presente nos deixa menos vulneráveis aos erros, menos sujeitos às contingências da improvisação e, por conseqüência, mais próximos aos êxitos e acertos.

Quanto estivermos desenhando nossos planos de ação, especificando as atividades a serem desenvolvidas, determinando a maneira mais correta de alocar recursos, e disponibilizando dos meios e instrumentos adequados para construir um futuro desejável, estaremos lidando com o planejamento, estaremos planejando.

Como é da natureza humana e da essência do ambiente a rápida e contínua transformação, é de todo fundamental conduzir este vital movimento por caminhos mais produtivos, mantendo-nos ao largo do princípio da mão invisível e emprestando ao processo toda a racionalidade lógica e econômica, como também as racionalidades social, legal e política.

O planejamento é um sistema aberto, que alimenta e é alimentado, partes interdependentes que ajustadas convenientemente conduzem as transformações sociais na direção e no sentido desejados. É quando se descortina a possibilidade do futuro ser diferente e melhor que o presente, como resultado da ação de variáveis causais específicas. É quando nos deparamos com o fato de que, se não podemos tudo, pelo menos podemos exercer um controle parcial sobre o conjunto de variáveis que determinam as mudanças.

A partir do instante em que o planejamento agregou princípios como a racionalidade, universalidade, unidade, flexibilidade, inerência e previsão, deixou de ser diletantismo para se situar no rol dos instrumentos imprescindíveis ao desenvolvimento do homem e de suas organizações.

Tomada a decisão de planejar, um fator de extrema relevância é como fazer(?), que metodologia adotar(?). Dadas nossas características específicas é que se originou a necessidade da metodologia Quasar K+ de planejamento. Como nenhuma outra, consegue interagir Lógica, Cultura e Participação intensiva. Os planejadores que já experimentaram a ferramenta animam-se com a qualidade dos produtos e resultados conquistados.

Diz o ditado popular “não existem bons ventos para quem não sabe aonde quer chegar”. De igual modo, jamais haverá um planejamento capaz de conduzir os que não conseguem identificar a direção a seguir.

Artigo de Antônio Carlos dos Santos publicado na Revista Bula