quarta-feira, 24 de maio de 2023

Mundo chega a 8 bilhões de habitantes: quem são as crianças nascidas no 5º, 6º e 7º bilhão


A Organização das Nações Unidas (ONU) afirma que a população mundial atingiu oito bilhões de habitantes, apenas 11 anos depois de ultrapassar a marca de sete bilhões.

Após um grande aumento em meados do século 20, o crescimento populacional já está desacelerando.

Pode levar 15 anos para chegar a nove bilhões de habitantes, e a ONU não tem expectativa de alcançar 10 bilhões até 2080.

É difícil calcular o número de pessoas no mundo com precisão, e a ONU admite que suas contas podem ter uma margem de erro de um ou dois anos.

Mas 15 de novembro é a melhor estimativa da organização para que a marca de oito bilhões seja batida.

Nos anos anteriores, a ONU selecionou bebês para representar o nascimento da 5ª, 6ª e 7ª bilionésima criança do mundo — será que suas histórias podem nos dizer algo sobre o crescimento da população mundial?

Poucos minutos depois de nascer, em julho de 1987, Matej Gaspar tinha uma câmera disparando flashes em seu pequeno rosto, enquanto um bando de políticos engravatados rodeava sua mãe exausta.

Preso na parte de trás de uma comitiva do lado de fora, o oficial britânico da ONU, Alex Marshall, se sentia parcialmente responsável pelo caos momentâneo que havia causado nesta pequena maternidade nos subúrbios de Zagreb, capital da Croácia.

"Basicamente olhamos para as projeções e tivemos essa ideia de que a população mundial passaria dos cinco bilhões em 1987", diz ele.

"E a data proveniente da estatística era 11 de julho." Foi assim que eles decidiram chamá-lo de 5º bilionésimo bebê do mundo.

Quando ele procurou os demógrafos da ONU para contar a ideia, eles ficaram indignados.

"Eles explicaram para nós, pessoas ignorantes, que não sabíamos o que estávamos fazendo. E que não deveríamos escolher um indivíduo entre tantos."

Mesmo assim, eles decidiram ir adiante com o plano.

"Tratava-se de dar um rosto aos números", explica.

"Descobrimos onde o secretário-geral estaria naquele dia e partimos dali."

Trinta e cinco anos depois, o 5º bilionésimo bebê do mundo está tentando esquecer sua chegada espetacular ao mundo. Sua página no Facebook sugere que ele está morando em Zagreb, casado e trabalhando como engenheiro químico. Mas evita dar entrevistas e se recusou a falar com a BBC.


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"Não o culpo", diz Alex, lembrando do circo midiático no primeiro dia de vida de Matej.

Desde então, mais três bilhões de pessoas foram adicionadas à nossa comunidade global. Mas nos próximos 35 anos, pode haver um crescimento de apenas dois bilhões — e então a população global provavelmente se estabilizará.

7º bilionésimo bebê

Nos arredores de Dhaka, em Bangladesh, Sadia Sultana Oishee está ajudando a mãe, descascando batatas para o jantar. Ela tem 11 anos e preferia estar na rua jogando futebol, mas seus pais são bastante rígidos.

A família teve que se mudar para cá quando seu negócio de venda de tecidos e sáris foi prejudicado pela pandemia de covid-19. A vida é mais barata no vilarejo, então eles ainda conseguem pagar a mensalidade escolar das três filhas.

Oishee é a caçula e o amuleto da sorte da família. Nascida em 2011, ela foi nomeada um dos 7º bilionésimos bebês do mundo.

Sua mãe não tinha ideia do que estava prestes a acontecer. Ela nem sequer esperava dar à luz naquele dia. Após a visita de um médico, ela foi levada para uma cesariana de emergência.

Oishee chegou ao mundo um minuto depois da meia-noite, cercada por equipes de TV e autoridades locais que se amontoavam para vê-la. A família ficou surpresa, mas encantada.

Embora seu pai esperasse um menino, ele agora está feliz com as três filhas inteligentes e trabalhadoras. A mais velha já está na universidade, e Oishee está determinada a ser médica.

"Não estamos tão bem de vida, a covid tornou as coisas mais difíceis", diz ele. "Mas farei de tudo para que o sonho dela se torne realidade."

Desde que Oishee nasceu, mais 17 milhões de pessoas foram adicionadas à crescente população de Bangladesh.


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Esse crescimento se deve a uma grande história de sucesso médico, mas a taxa de expansão de Bangladesh diminuiu bastante. Em 1980, uma mulher tinha, em média, mais de seis filhos, agora tem menos de dois. E isso graças ao foco que o país colocou na educação. À medida que as mulheres se tornam mais instruídas, elas optam por ter famílias menores.

Isso é crucial para entender para onde a população mundial provavelmente caminha. Os três principais órgãos que fazem projeções sobre a população global — a ONU, o Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde (IHME, na sigla em inglês), da Universidade de Washington, e o IIASA-Wittgenstein Center, em Viena — variam em relação aos ganhos que esperam na educação.

A ONU diz que a população global atingirá seu pico na década de 2080 com 10,4 bilhões de habitantes, mas o IHME e Wittgenstein acreditam que isso acontecerá mais cedo — entre 2060 e 2070, com menos de 10 bilhões.

Mas são apenas projeções. Desde que Oishee nasceu, em 2011, muita coisa mudou no mundo, e os demógrafos são constantemente surpreendidos.

"Não esperávamos que a mortalidade por Aids caísse tanto, que o tratamento salvaria tanta gente", diz Samir KC, demógrafo do IIASA.

Ele teve que alterar seu modelo porque uma melhora na mortalidade infantil tem um impacto de longo prazo, já que as crianças sobreviventes passam a ter filhos.

E depois há ainda as quedas impressionantes na fertilidade.

Os demógrafos ficaram chocados quando o número de filhos nascidos por mulher na Coreia do Sul caiu para uma média de 0,81, conta Samir KC.

"E quão baixo pode chegar? Esta é a grande questão para nós."

É uma realidade com a qual cada vez mais países terão de lidar.

Enquanto metade do próximo bilhão de habitantes virá de apenas oito países — a maioria deles na África —, na maioria dos países a taxa de fertilidade será inferior a 2,1 filhos por mulher, o número necessário para sustentar uma população.

6º bilionésimo

Na Bósnia-Herzegovina, uma das populações em declínio mais rápido do mundo, Adnan Mevic, de 23 anos, pensa muito sobre isso.

"Não vai sobrar ninguém para pagar as pensões dos aposentados", diz ele.

Por que a população de Cuba não passa de 11 milhões de habitantes desde 1997

Por que população brasileira fica mais feminina e idosa — e como isso molda futuro do país

"Todos os jovens terão ido embora."

Ele tem mestrado em economia e está procurando emprego. Se não conseguir encontrar um, se mudará para a União Europeia.

Como muitas partes do leste europeu, seu país foi atingido pelo duplo golpe da baixa fertilidade e alta emigração.

Adnan mora nos arredores de Sarajevo com a mãe, Fatima, que tem lembranças surreais do nascimento do filho.

"Percebi que havia algo incomum porque médicos e enfermeiras estavam se reunindo, mas eu não sabia o que estava acontecendo", recorda.

Quando Adnan chegou ao mundo, o então secretário-geral da ONU, Kofi Annan, estava lá para nomeá-lo como o 6º bilionésimo bebê do planeta.

"Eu estava tão cansada que não sei como me sentia", lembra Fatima, rindo.

Adnan e a mãe folheiam álbuns de fotografias. Em uma das fotos, um garotinho está sentado em frente a um bolo gigante, rodeado por homens de terno.

"Enquanto outras crianças tinham festas de aniversário, eu recebia a visita de políticos", diz Adnan.

Mas também havia vantagens. Ser o 6º bilionésimo bebê do mundo levou a um convite para conhecer seu herói, Cristiano Ronaldo, no Real Madrid, quando ele tinha 11 anos.

Adnan acha impressionante que em 23 anos a população mundial tenha aumentado em dois bilhões de habitantes.

"É muito realmente", diz ele.

"Não sei como nosso lindo planeta vai aguentar."

BBC News, Stephanie Hegarty

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segunda-feira, 22 de maio de 2023

Praticidade e flexibilidade motivam crescimento do nomadismo digital no mundo

 


Formato de trabalho remoto traz conforto e possibilidade de viajar em baixa temporada; Relatório Global de Tendências Migratórias da Fragomen prevê 1 bilhão de nômades até 2035

A pandemia e a necessidade do isolamento social motivaram verdadeiras revoluções nas relações e nos formatos de trabalho. Entre as intensas mudanças está a popularização do home office, que foi aderido por diversas empresas e continuou em vigor em várias outras, mesmo após o fim da quarentena. Esse modelo gerou um processo de globalização ainda mais forte do trabalho, já que agora é mais fácil trabalhar para uma companhia de outro país. É justamente por isso que o mundo tem testemunhado o crescimento dos nômades digitais, pessoas que deixam seus países de origem e vivem sem base fixa, mas com a ajuda do popular trabalho remoto.

Atualmente, a população que vive dessa forma ao redor do globo já chega à casa dos 35 milhões. Entretanto, segundo o Relatório Global de Tendências Migratórias de 2022, da Fragomen, uma empresa especializada em migração, o número deve aumentar para 1 bilhão até 2035. Segundo o professor Ildeberto Rodello da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da USP, a resposta está no perfil social das novas gerações. “Hoje, temos um perfil menos apegado à família, o que pode influenciar. De maneira geral, é uma oportunidade interessante, principalmente para os mais jovens”, avalia.

Esse é o quadro em que se encaixa Felipe Fogaça. Aos 27 anos, ele vive em Ribeirão Preto, mas trabalha para uma escola de inglês em Melbourne, na Austrália, do outro lado do planeta, e faz a maior parte dos serviços em casa. “Caso tenha algum compromisso médico ou familiar, tenho a flexibilidade de me deslocar”, explica. Os planos de Fogaça, inclusive, passam por uma mudança definitiva para o Canadá. Tudo isso sem abandonar o atual emprego.

A vida na estrada

Diferentemente de Fogaça, contudo, muitas outras pessoas investem, justamente, na vida sem uma base fixa e visitam novas cidades a todo o tempo. De acordo com o professor Rodello, essa filosofia de vida em constante movimento também deve alterar a realidade econômica de várias comunidades pelo mundo. Embora seja cauteloso sobre a previsão da Fragomen, o especialista enxerga que o nomadismo digital “traz benefícios tanto para as pessoas que podem aproveitar a baixa temporada de diárias de turismo para conhecer uma região quanto para hotéis e empresas que praticam o turismo e, em baixa temporada, podem receber esses nômades digitais”.

O próprio Brasil, inclusive, aderiu ao movimento e oferece a emissão de vistos especiais de até um ano para nômades digitais. Os países que mais buscaram essa permissão no último ano foram os Estados Unidos e a Inglaterra. Todavia, nem tudo é festa, e o equilíbrio é necessário. “Responsabilidade. Acho que uma palavra interessante de ser colocada nesse contexto é que o nômade digital precisa ter muita responsabilidade dentro daquilo que tem acordado para com a pessoa ou a empresa que solicitou o serviço”, pondera Rodello.

Fogaça, no entanto, não parece ter problemas com a vida longe dos escritórios e já se mostra completamente adaptado, apesar das diferenças no fuso-horário que às vezes o obrigam a acordar de madrugada para participar de reuniões. “Gosto muito de trabalhar da minha casa também, no meu computador, organizando meu próprio espaço sem ter de me preparar muito antes para o deslocamento do trabalho. Em cidades grandes, as pessoas têm uma ou até duas horas de deslocamento para o trabalho. Estou ao lado do meu escritório, então acaba sendo muito mais fácil”, exalta.

Além disso, para ele, o futuro já chegou, e sua visão do que será o mercado de trabalho nos próximos anos é bem clara. Fogaça acredita que trabalhar a distância “já é uma tendência, embora existam cargos que são impossíveis de serem feitos de forma remota. Mas as empresas que podem fazer isso e não adaptarem o estilo de trabalho, pelo menos para o híbrido, vão perder muitos talentos”.

Jornal da USP

 


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