terça-feira, 5 de julho de 2016

Justiça seletiva

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Justiça seletiva
A rigor, a decisão do ministro Dias Toffoli, do STF, de revogar a prisão preventiva do ex-ministro Paulo Bernardo, marido da senadora Gleisi Hoffmann, ambos petistas, não causa perplexidade. Basta se veja da história de vida do dito magistrado.

Antes de chegar ao maior tribunal do país, por indicação política do ex-presidente Lula, Toffoli havia sido reprovado duas vezes em concurso de ingresso na magistratura paulista. Então, ornava-lhe a biografia a só condição de ex-advogado geral da União, também por indicação de Lula – seu padrinho político.
Visceralmente ligado ao PT, em especial às pessoas de Lula e José Dirceu, chegou à Suprema Corte aos 41 anos de idade. Como outros, sem nunca ter sido juiz – por sistema de indicação exclusivamente político e nada meritório, a não referendar nomeação positivamente confiável e séria.

A decisão revogada foi da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, do juiz Paulo Bueno de Azevedo. Por ela, vê-se presente a hipótese do artigo 312 do Código de Processo Penal – apta à prisão preventiva de quem, enquanto ministro de estado, suspeito de recebimento de pelo menos R$ 7,1 milhões em propinas de esquema que atingiu empréstimos consignados a milhões de servidores públicos.

O juiz federal usou como fundamento “o risco à ordem pública e à aplicação da lei penal‟, destacado do vulto dos valores desviados dos cofres públicos, inda não recuperados e suscetíveis de tentativas de ocultação e dissimulação.

“O risco à ordem pública não pode ser justificado apenas no caso de investigados ou acusados com histórico de violência contra as pessoas, o que fatalmente ensejaria uma justiça seletiva apenas contra os mais pobres”, assinalou o magistrado, em decisão de 75 páginas.

“Risco à ordem pública existe também quando, em tese, desviados milhões de reais dos cofres públicos, máxime na situação conhecida de nosso País, que enfrenta grave crise financeira e cogita aumento de impostos e diminuição de gastos sociais”, prosseguiu Paulo Bueno de Azevedo.

E continuou: “O desvio de milhões de reais do Erário representa, em tese, um perigo concreto, porém invisível, para a sociedade brasileira, que não vê, pelo menos a olho nu, ao contrário do que acontece com os autores de crimes violentos, que o dinheiro desviado poderia ter sido aplicado na infraestrutura do país e na melhoria dos serviços públicos, como a saúde e a educação. O risco de que tal dinheiro desviado não será recuperado também representa perigo concreto à aplicação da lei penal.”

O juiz ponderou que “a decretação de prisão preventiva não significa antecipação de juízo de culpabilidade, decorrente de uma combinação de indícios suficientes de materialidade e autoria delitiva e da presença dos requisitos cautelares‟.

Ora, tratando-se Paulo Bernardo de ex-ministro, não mais o favorece o famigerado foro privilegiado; com o que, no mínimo estranha a supressão de instâncias capazes de tomar conhecimento da questão e sobre elas decidir – por exemplo, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região, ao qual não dirigido, convenientemente, qualquer pedido da defesa de Bernardo.

Essa queima de etapas não pega bem e fala em desfavor da presunção de legitimidade, no contexto da conveniência e oportunidade, da intervenção de ofício do ministro do STF, de raiz petista de todos conhecida. Também se pode indagar: qual a razão de Toffoli sequer ter ouvido a Procuradoria-Geral da República antes de decidir?

Por outro lado, a 11ª turma do TRF-3, à unanimidade, negara habeas corpus impetrado pelo também investigado Daisson Silva Portanova – na mesma operação. Então, o tribunal não viu qualquer ilegalidade a justificar sua soltura imediata. Dois entendimentos, para uma só Justiça!

E não mais basta, nos dias de hoje, o só jogo de palavras de que, no processo, inexistem elementos que justifiquem a manutenção da prisão, como possível fuga ou risco de interferência nas investigações e reincidência em crimes, caso colocado em liberdade o investigado.

Aos olhos da lei, muito mais consistente a linha de argumentação do juiz federal. Sobretudo, quanto da perspectiva de novas lavagens do dinheiro desviado no esquema e inda não encontrado – da ordem de cem milhões de reais, surrupiados de pessoas humildes. Estas, sim, carentes da assistência e proteção de uma Justiça qualificada e aparentemente ausente.

Toffoli alude a constrangimento ilegal de Paulo Bernardo. Constrangida, em verdade, senhor ministro, está a sociedade brasileira e o senso comum do que de direito, diante da constatação de decisão revocatória que só faz justiça ao jeito petista de pensar, de agir e de ser – na medida em que, fosse qualquer outro na situação de Bernardo, intocada estaria a correta prisão preventiva determinada pelo MAGISTRADO Paulo Bueno de Azevedo.

A prevalecer a tese de Dias Toffoli, doravante, a prisão preventiva só se aplicará aos pobres – desassistidos, que parecem estar, das benesses da visão complacente de certos ministros da mais alta corte do País.

E faço minhas as palavras do jornalista Diego Casagrande, no sentido de que “O ministro do STF Dias Toffoli, ex-advogado do PT e ex-funcionário de Zé Dirceu na Casa Civil, esquartejou a Operação Custo Brasil‟ e de que “Diante do descalabro de corrupção e impunidade no Brasil, a decisão do ministro Dias Toffoli, ao liberar o participante de uma quadrilha que saqueou em R$ 100 milhões os aposentados, constitui-se em um atentado contra o Estado Democrático de Direito e a própria República. É simplesmente impossível a qualquer nação e seus cidadãos continuarem agindo normalmente frente a tamanha violência fantasiada de justiça. Se a linha for esta daqui para frente esqueçam a expressão "a nossa democracia". Ela servirá apenas de adorno nos discursos vazios e manipuladores dos canalhas‟.

Há indicativos, pois, seguros quão inequívocos, de que se está diante de decisão Suprema seletiva, destinada a beneficiar a quem não merece o benefício, a marcar mais um gol contra o Brasil, seu povo e sua Justiça, à espera dum STF no qual se possa confiar e no qual verdadeiros juízes se hajam de espelhar, sem partidarismos ou acertos que firam de morte a lógica da inteligência média do brasileiro.

Assim, só ao Tribunal cabe fazer do que deve, desfazendo ato que o leva ao descrédito e restabelecendo o primado do Direito incondicional, na irrestrita perseguição do que justo e jurídico. Com a palavra o plenário do STF, a traçar sua história nos pequenos grandes atos de salvaguarda da
legalidade, apercebido da impossibilidade atual de manipulação judicial à distância da intuição popular da verdade dos fatos postos sob sua análise.


Edison Vicentini Barroso – magistrado e cidadão brasileiro
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Dramaturgo, o autor transferiu para seus contos literários toda a criatividade, intensidade e dramaticidade intrínsecas à arte teatral. 

São vinte contos retratando temáticas históricas e contemporâneas que, permeando nosso imaginário e dia a dia, impactam a alma humana em sua inesgotável aspiração por guarida, conforto e respostas. 

Os contos: 
1. Tiradentes, o mazombo 
2. Nossa Senhora e seu dia de cão 
3. Sobre o olhar angelical – o dia em que Fidel fuzilou Guevara 
4. O lugar de coração partido 
5. O santo sudário 
6. Quando o homem engole a lua 
7. Anos de intensa dor e martírio 
8. Toshiko Shinai, a bela samurai nos quilombos do cerrado brasileiro 
9. O desterro, a conquista 
10. Como se repudia o asco 
11. O ladrão de sonhos alheios 
12. A máquina de moer carne 
13. O santuário dos skinheads 
14. A sorte lançada 
15. O mensageiro do diabo 
16. Michelle ou a Bomba F 
17. A dor que nem os espíritos suportam 
18. O estupro 
19. A hora 
20. As camas de cimento nu 

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AS OBRAS DO AUTOR QUE O LEITOR ENCONTRA NAS LIVRARIAS amazon.com.br: 

A – LIVROS INFANTO-JUVENIS: 

I – Coleção Educação, Teatro e Folclore (peças teatrais infanto-juvenis): 

II – Coleção Infantil (peças teatrais infanto-juvenis): 
Livro 8. Como é bom ser diferente 

III – Coleção Educação, Teatro e Democracia (peças teatrais infanto-juvenis): 

IV – Coleção Educação, Teatro e História (peças teatrais juvenis): 

V – Coleção Teatro Greco-romano (peças teatrais infanto-juvenis): 

B - TEORIA TEATRAL, DRAMATURGIA E OUTROS
VI – ThM-Theater Movement: 

As eleições na américa latina e as fraudes, os hackers



A revelação é chocante. O colombiano Andrés Sepúlveda, um hacker de computadores que se encontra preso, cumprindo pena de dez anos por prática de espionagem, disse à revista Bloomberg Businessweek que por muitos anos executou uma série de golpes baixos em eleições latino-americanas. Geralmente a serviço do consultor político Juan José Rendón, um venezuelano radicado em Miami, Sepúlveda espionou e roubou dados da campanha de adversários e manipulou redes sociais. Uma das tarefas que desempenhou foi, segundo ele, hackear as comunicações dos adversários de Enrique Peña Nieto na eleição presidencial de 2012 no México.
      
Por mais perturbadoras que sejam as alegações de Sepúlveda, a afirmação é exagerada. O que o relato do hacker colombiano de fato mostra é que vem crescendo na região a influência dos marqueteiros e da tecnologia – e nem sempre essa influência é benigna.
      
Aumentou o grau de escolaridade dos eleitores, que passaram a se concentrar em centros urbanos, além de terem se tornado menos ideológicos – os índices de identificação partidária nunca foram tão baixos. Hoje, os eleitores latino-americanos compartilham ideias e preferências por meio das redes sociais, o que permite a políticos de fora do establishment tornarem-se mais conhecidos.
      
“A mídia e os políticos tradicionais têm cada vez menos influência” diz Jaime Durán Barba, um consultor equatoriano que ajudou Mauricio Macri a conquistar uma vitória inesperada na eleição presidencial da Argentina em novembro. Essas tendências beneficiam os marqueteiros políticos. Com a redemocratização por que passou a região na década de 1980, os marqueteiros proliferaram. “Há trinta anos, éramos uns dez”, diz Durán. “Agora, somos milhares.”
      
Os principais marqueteiros latino-americanos foram alçados à condição de quase celebridades – e são remunerados a peso de ouro. À direita do espectro político, Rendón trabalhou em diversas campanhas vitoriosas, incluindo a de Juan Manuel Santos na Colômbia e, a de Peña Nieto no México. À esquerda, o brasileiro João Santana, ganhou fama depois de ajudar Lula da Silva a conquistar um segundo mandato presidencial em 2006 e as vitórias de Dilma Rousseff em 2010 e 2014. Seu currículo ostenta a participação vitoriosa em quatro eleições presidenciais fora do Brasil – e o marqueteiro não nega a informação de que cobra mais de US$ 50 milhões por campanha. Em fevereiro, foi preso por suspeita – que ele diz não ter “fundamento algum” –de ter recebido pagamentos ilícitos da empreiteira Odebrecht na campanha de Dilma em 2014.
        
Os marqueteiros políticos tendem a ser arrogantes e temperamentais. Mas qual é seu verdadeiro impacto? “A pessoa pode fazer uma boa campanha, mas não faz milagres”, diz Elgarresta. “É o candidato que ganha ou perde”, concorda Durán. De qualquer forma, uma compreensão do eleitorado, a partir de pesquisas de opinião e entrevistas com grupos focais, aliada a uma boa estratégia e a uma propaganda eficaz, pode fazer a diferença. Os marqueteiros se queixam de que frequentemente os candidatos não sabem como fazer uso de seus serviços. Todos negam a prática de ações criminosas, como hackear adversários.
        
Daniel Zovatto, da organização intergovernamental Instituto Internacional para a Democracia e Assistência Eleitoral (International IDEA), diz que os ciber ataques ainda são raros na América Latina. Mas a história de Sepúlveda é um alerta. A combinação de hacking com redes sociais significa que haverá “mais espaço para campanhas negativas e campanhas sujas (ou seja, ilegais)”, diz ele.

Do The Economist e Estadão 

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segunda-feira, 4 de julho de 2016

Criatividade é algo que se aprende para viver

Para Fabio Fernandes, presidente e diretor geral de criação da F/Nazca Saatchi & Saatchi, o momento mais sublime é o ponto zero, o papel branco, onde tudo ainda é possível. Importante é levar em conta que mensagem original não surge a partir dela própria, da vontade em si de fazer algo novo apenas. Isso é o que ele considera egocentrismo publicitário, prática da qual diz ter se livrado quando era “novo o suficiente para ser idiota e achar que o publicitário e seus sonhos são a razão de existir da publicidade”. Antes de tudo vem a marca anunciada, a estrela da comunicação, que orienta os instintos. Fabio segue sendo um dos melhores, há muitos anos. Um dos motivos deve ser nunca ter perdido o friozinho na barriga a cada desafio profissional.

Bom senso e obediência não combinam com criatividade. É o que disseram Picasso e Raul Seixas. Você concorda?
Fabio – Quem sou eu para discordar de Picasso ou Raul Seixas? Por outro lado acho que, na atividade publicitária, o momento criativo se divide em dois: o da criação propriamente dita, onde um certo caos, o descompromisso, a ausência total de senso de ridículo ou de autocensura devem prevalecer, e um segundo momento, onde devemos criar algum discernimento mais consciente para avaliarmos a adequação das ideias às necessidades culturais e comerciais do cliente e do produto que vamos anunciar. É a velha discussão sobre se a publicidade é arte ou apenas cultura popular. Eu acredito na segunda hipótese e entendo que temos até talentos artísticos, mas a serviço de algo muito diferente das intenções de um artista.
Nasce-se criativo ou desenvolve-se a habilidade ao longo da vida?
Fabio – Acho que todo mundo nasce com potencial para ser criativo. Mas alguns não limitam, ou ao contrário desenvolvem melhor a criatividade nos primeiros anos de vida – mas para viver, nunca com o objetivo racional de ser criativo. Algumas pessoas ficam mais criativas que outras porque têm menos medo de se expor, porque acham que se expressam melhor quando trazem um ponto de vista diferente, porque são mais críticas que a média, ou porque simplesmente descobrem que falar, agir, se vestir, contar histórias, piadas, cantar, tocar um instrumento, escrever, pensar diferente, faz a gente se destacar, em alguns casos, existir. Nessa lógica, usar a criatividade pode ser um meio de sobrevivência: a arma de uma espécie mais fraca para superar outra espécie mais forte em fundamentos que, habitualmente, são considerados mais importantes ou marcantes à primeira vista.
Criatividade se ensina?
Fabio – Não. Você pode dar ferramentas para que uma pessoa use e pratique melhor sua criatividade inata. Até porque ela pode estar voltada para as mais diferentes atividades, e nem sempre uma pessoa criativa para as artes plásticas, por exemplo, saberá canalizar essa criatividade para a propaganda ou para a literatura. Mas, como acredito que todo ser humano nasce criativo, ensinar criatividade pode ser o simples exercício de ajudar a criança na idade mais tenra, dando a ela instrumentos e apoio para que desenvolva autoconfiança suficiente para nunca se autocensurar, nunca se acreditar incapaz. Por outro lado, trabalhar na busca pela criatividade nos ensina também. Ensina que nenhuma palavra, nenhum ponto de vista, nenhuma imagem jamais esgota ou esgotará tudo o que um assunto ou um tema pode suscitar.
Como você desenvolveu o seu olhar criativo para o mundo?
Fabio – Sendo chato. Inconformado com as versões oficiais. Sendo curioso, intrigado, inquieto, insatisfeito comigo mesmo. E querendo ser engraçado o tempo todo.
Quando e por que decidiu ser redator?
Fabio – Quando descobri que existia essa especialidade no negócio da criação publicitária. Como sou incapaz de desenhar qualquer coisa, por mais básica que seja, entendi que minha habilidade para contar histórias, escrever poemas, músicas, crônicas, poderia me ajudar a me expressar na atividade que decidi abraçar. Modestamente, acho que escrevo bem. Mas o meu negócio é criar, inventar, pensar coisas que não foram feitas ainda. A redação foi o meio que usei para chegar a isso.
Quando descobriu que era bom no que fazia?
Fabio – Quando comecei a notar que muitas pessoas achavam isso. Sempre desconfiado, demorei bastante a admitir que eu era realmente bom. Passei muito tempo achando que não saberia fazer o próximo. Mas, à medida que ia conseguindo fazê-lo bem, ia sendo elogiado pelos colegas, pelos clientes, destacado nas premiações internacionais, fui relaxando e passei a aproveitar ainda mais aquele que é o momento mais sublime pra mim: o ponto zero, o papel branco, onde tudo ainda é possível. Aquele oceano de possibilidades que existe antes de uma ideia.
Como é seu processo de criação: silêncio, barulho, meditativo, metódico, caótico?
Fabio – Só consigo ter ideias sabendo para que elas vão servir. Por que aquela mensagem precisa existir, para quem, quando. Não consigo cumprir a tarefa de preencher um espaço vago, um compromisso com um calendário ou um veículo. Para mim, se vamos falar, temos que saber por que vamos falar. Isso é fundamental para poder falar da melhor maneira jamais falada no mundo. O resto é errado. Também é por essa razão que trabalho muito ao lado do planejamento. E dos clientes. Uma mensagem original não surge a partir dela própria, da vontade em si de fazer algo novo apenas. Isso é egocentrismo publicitário, prática da qual me livrei quando era novo o suficiente para ser idiota e achar que o publicitário e seus sonhos são a razão de existir da publicidade. Evidente que é a marca anunciada a estrela da sua comunicação. É ela quem tem que orientar os seus instintos. É por ela que o consumidor tem que se apaixonar, desejar, pagar mais. A comunicação, a publicidade, é o meio que usamos para que essa relação se estabeleça e esses sentimentos aflorem. Então, eu ouço muito. Ouço os problemas da marca, ouço as críticas dos consumidores, ouço e penso junto sobre como posicionar e como mostrar o lado mais fotogênico e verdadeiro daquela marca para aquele consumidor. Nessa fase eu luto. Luto e reluto como louco. Discuto, discordo, falo um monte de bobagens. Sei que um briefing que nasce diferente vira um produto final diferente. Então, antes de tudo, é aí que eu crio.
Criar sozinho é melhor ou você gosta de grupos de brainstorming?
Fabio – Adoro trabalhar em equipe. Adoro ouvir outras ideias que eu nunca pensaria sozinho. Adoro usar meu talento para fazer curadoria e pequenas (ou grandes, às vezes) reformas a partir de um insight que outra pessoa teve. Surfo nas melhores e nas piores ideias. Acho que todas merecem umas cinco versões antes de serem totalmente abandonadas. No mínimo, viram piadas que nos divertem durante o processo de criação. Por outro lado, adoro plateia. Quando conto alguma coisa que pensei olho detidamente para os meus interlocutores. Pela expressão que vão fazendo, tenho uma capacidade meio que de repentista, de ir mudando na hora o tom, o texto, alguma situação, que sinto que agrada mais ou menos. Quando eu crio, todo mundo é meu diretor de criação, menos eu mesmo.
Criatividade é algo natural para você, ou é sofrido? Causa ansiedade? Tira o sono?
Fabio – É tudo ao mesmo tempo. Algumas vezes é só uma coisa ou outra. Outras vezes não é nada disso. Nunca é igual, nunca é a mesma coisa, o mesmo jeito, o mesmo sentimento. O que permanece sempre é uma certa incerteza de que dessa vez eu vá conseguir me superar de novo. E um friozinho no estômago, que o dia que você perde é porque virou tão fácil fazer que você está apenas se repetindo.
Qual o papel da vaidade para o bom criativo?
Fabio – É tudo, desde que usada corretamente. Pode destruí-lo quando acha que está acima de tudo, pode ser o estímulo cotidiano que faz você buscar mais e melhor como se fosse a primeira vez.
Você é vaidoso? Quando isso é uma vantagem, e quando isso atrapalha?
Fabio – Sou. A vaidade é boa quando você é movido por ela acreditando que só a vitória, o sucesso do seu trabalho (que inclui obrigatoriamente o sucesso de para quem e com quem você trabalha) vai realimentar a sua autoestima.
Mas atrapalha quando você é tolo o suficiente para estragar qualquer noção de realidade, de trabalho em grupo, de necessidade de saber ouvir e respeitar os outros. Ou seja, quando você se leva a sério e passa a acreditar que merece se achar o máximo. O bom vaidoso não é o que se acha lindo. É o que se acha feio.
O que é ser criativo, pra vc?
Fabio – É saber que nunca foi o suficiente.
Qual o seu critério para contratar pessoas para trabalhar com você?
Fabio – Serem melhores do que eu em algum aspecto. Ou em todos.
O que inspira você?
Fabio – O que eu não conheço, o que eu nunca vi, o que eu nunca pensei que fosse possível, o que eu odeio não ter pensado antes. E a vida cotidiana, corriqueira. As coisas extremamente simples, desapercebidas, injustiçadas pelas câmeras fotográficas, pelos artistas, pelo olhar comum.
O que não bloqueia, o que bloqueia?
Fabio – A pressão, o prazo. O que me bloqueia: o ambiente de medo e de desconfiança.
O que você faria se não trabalhasse em propaganda?
Fabio – A música é a única coisa em que eu penso quando me fazem essa pergunta. Sempre quis ser cantor, guitarrista, compositor. Mas não sei se teria algum sucesso. Na verdade, penso muito no que mais eu poderia fazer, toda vez que estou frustrado, decepcionado, triste, por qualquer razão, com a minha profissão. Mas gosto demais do que eu faço e nunca encontro um lugar para fugir. Acho, sinceramente, que eu teria feito alguma falta ao negócio da propaganda, mas não vejo nenhuma outra atividade que tenha se ressentido da minha ausência. Posso responder ainda de outra maneira. Se eu não trabalhasse em propaganda, provavelmente não seria feliz. E seria mediano em algo que eu desconheço.
O que você faz quando não está trabalhando?
Fabio – Minha família é o meu reduto mais querido e seguro. Quando não estou trabalhando só penso em estar com meus filhos, minha mulher e com amigos queridos que me trazem uma visão de mundo diferente da que eu vivo no meu dia a dia. De resto, adoro sol, mar, viajar, uma Skol, um vinho, música e, supremo prazer, conversar sem parar.
O que lhe interessa no cinema, na literatura?
Fabio – Tudo. Literalmente tudo.
O que leu e assistiu recentemente? Por que gostou? Ou por que não gostou?
Fabio – Neste momento estou lendo três livros: Madrugada Suja, do escritor português Miguel Sousa Tavares; Killing Bono, do Neil McCormick – hoje crítico musical, foi amigo de escola e teve um início de carreira paralelo ao do vocalista do U2 e que odeia não ter conseguido ser o próprio Bono Vox – engraçado e ácido; e Sonho Grande, que conta a trajetória de Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira. Acabei de ler um livro que comprei despretensiosamente e amei cada uma de suas 720 páginas. É do Stephen King e se chama Novembro de 1963. Mistura realidade, história, política, viagens no tempo e ficção ao contar a aventura de um cara que tenta evitar que Lee Oswald assassine Kennedy. Fascinante.
Que pessoas criativas inspiraram você ao longo da vida?
Fabio – Pablo Picasso e Raul Seixas. (risos)
Por CLAUDIA PENTEADO, na Época Negócios
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A expressão latina “castigat mores ridendo” que, numa tradução livre poderia significar “rindo se corrige a moral” é uma locução que parece ter sido moldada para justificar a peça teatral “O juiz”. 

No texto, o autor utiliza a comédia para desvelar a farsa em que acabou se constituindo o poder judiciário num país imaginário, denominado Banânia, que, evidentemente, nenhuma semelhança guarda com o Brasil de hoje e, muito menos, com a porção latina do continente americano. 

A farsa, no teatro grego antigo, ao contrário do que muitos apregoam, não é uma forma dramática nova e sim uma variação da comédia. Apenas acentua as situações onde predominam o ridículo e o cômico, exatamente os eixos estruturantes sobre os quais Antônio Carlos desenvolveu a trama. Por sua vez, a palavra “comédia” é originária do grego “komoidia”, e seu sentido lato é folia, divertimento. A comédia grega está ligada ao inusitado, ao pitoresco, ao excêntrico. É franca e, mesmo, obscena. A confusão - de não poucos - é identificá-la tão somente com o sorriso fácil e a alegria despretensiosa. Porque pode despertar reações tão opostas como o desprezo e a arrogância. 

A partir da idade média, com a Commedia dell’Arte, o gênero passou a se constituir no preferido dos artistas para conduzir a crítica política e social, de modo a manterem-se protegidos da censura e da repressão governamental. 

Na peça “O juiz”, Antônio Carlos aborda questões latentes em autores como Aristóteles (Política), John Locke (Segundo Tratado do Governo Civil), e Montesquieu (O Espírito das Leis) e que alavancaram o estado moderno e a democracia contemporânea para denunciar – com muito humor e irreverência – a propalada independência dos poderes, o sistema de freios e contrapesos, e a nefasta prevalência do judiciário quando os demais poderes, executivo e legislativo, são, deliberadamente, fragilizados. Uma das personagens da peça chega a se sublevar contra um dos principais ensinamentos de Rui Barbosa: “A pior ditadura é a ditadura do Poder Judiciário. Contra ela, não há a quem recorrer”. 

Assim é que, na trama teatral, uma múmia ressuscita de seu milenar sarcófago para transformar um índio no presidente da mais alta corte judiciária do país. O terrível plano é instituir uma ‘república’ onde tão somente as corporações e os partidários do poder tenham vez. Nas palavras do presidente do Supremo Tribunal Nacional, o cacique indígena Morubixaba, um dos protagonistas da peça, “O império que estamos estruturando está acima de tudo e de todos. E aqui, no reino deste novo universo do trabalhadorismo, preside um juiz que potestade alguma poderá corromper, além, naturalmente, de todas as associações, sindicatos, corporações, grupos de interesses e organizações civis, políticas e populares comprometidos com os altos interesses de nosso projeto ideológico popular-progressista-desenvolvimentista, a mais nova vertente do messianismo sebastianista”. 

Fatos e episódios ridículos e burlescos são enfocados desnudando a realidade caudilhesca e autoritária das autoridades do continente. Cenas e quadros - de intenso humor e fina ironia – personificam a essência da sátira, num jogo dramático que corrobora a tese de que a melhor maneira de modificar a realidade é revelar o quanto ela é absurda, kafkiana, e rir, gargalhar, divertir-se com a situação, pois que, assim, os costumes políticos e sociais estarão sendo ‘castigados’. 

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domingo, 3 de julho de 2016

10 citações de Bill Gates para inspirar você



Veja um pouco do que ele pensa sobre sucesso, dinheiro, capitalismo e inovação

"O sucesso é um péssimo professor. Seduz pessoas inteligentes a pensarem quem não podem perder."

Bill Gates tem um patrimônio líquido estimado em 80 bilhões de dólares, valor maior do que o PIB de vários pequenos países, como por exemplo a Croácia. Sua vida é uma inspiração para empreendedores ao redor do mundo, e seu senso de justiça social é contagiante. Através da Fundação Bill e Melinda Gates, que criou em 1997 juntamente com sua esposa, investe anualmente cerca de 4 bilhões de dólares em inúmeros projetos sociais e áreas necessitadas.

O Business Insider fez uma lista com 21 citações de Bill Gates, dentre as quais elencamos 10 para inspirar você a buscar seu lugar ao sol. Confira:

1.Sobre o sucesso da Microsoft

"A maioria dos nossos concorrentes investiam em um só produto… Eles criavam esse único produto, mas nunca se aprofundavam na engenharia envolvida. Não pensavam em software de forma abrangente. Não se preocupavam com ferramentas e eficiência. Assim, eles fabricavam um produto, mas não o renovavam para que pudesse chegar à próxima geração."

BBC, em 19 de junho de 2008

2.Sobre trabalhar com Steve Jobs

"Steve e eu éramos muito diferentes. Mas éramos muito bons em escolher pessoas. Ambos hiperenergéticos e trabalhadores. Éramos parceiros próximos no desenvolvimento do software Mac original, e isso foi incrível, porque tínhamos mais gente trabalhando nele do que a própria Apple tinha. Mas fomos muito ingênuos. Steve prometeu que a máquina custaria 499 dólares e, de repente, custava 1.999 dólares. Mesmo assim, o projeto Mac foi uma experiência incrível."

Rolling Stone, em 13 de março de 2014

3.Sobre sucesso

"O sucesso é um péssimo professor. Seduz pessoas inteligentes a pensarem quem não podem perder."

Livro "The Road Ahead", de 1995

4.Sobre o crescimento da Microsoft

"Sabe, mesmo quando escrevemos na Micrisoft, em 1975, 'um computador em cada mesa e em cada casa', nós não percebemos que teríamos que ser uma grande empresa. Cada vez que chegava o momento eu pensava 'será que poderemos mesmo dobrar em tamanho?'"

Site AllThingsD, em 31 de maio de 2007

5.Sobre aproveitar as coisas simples

"Eu lavo os pratos todas as noites - outros se oferecem, mas eu gosto do jeito que lavo."

Reddit, em 10 de fevereiro de 2014

6.Sobre o papel da tecnologia

"Tudo bem, visite essas super empresas de tecnologia como a Bangalore Infosys, mas por favor, só para aproveitar a visita, vá alguns quilômetros adiante e veja as pessoas que vivem sem banheiro, sem água encanada… O mundo não é preto e branco e computadores não estão nem entre as primeiras cinco necessidades humanas."

The Financial Times, em 1º de novembro de 2013

7.Sobre o papel do dinheiro

"Certamente estou bem cuidado em termos de alimento e vestimentas… O dinheiro não tem utilidade para mim, depois de um certo ponto. Sua utilidade está completamente em construir uma organização e distribuir recursos para os mais pobres e necessitados do mundo."

The Telegraph UK, em 18 de janeiro de 2013

8.Sobre o valor de clientes insatisfeitos

"Seus clientes mais insatisfeitos são sua grande fonte de aprendizado."
Forbes, em 4 de março de 2014

9.Sobre os limites do capitalismo

"O mercado não leva cientistas, jornalistas, pensadores e governos a fazerem as coisas certas, necessariamente. E somente prestando atenção a essas coisas certas e dispondo de pessoas brilhantes que se importam e atraem outras pessoas para elas é que podemos progredir o tanto quanto precisamos".

TED Talk, em fevereiro de 2009

10.Sobre a importância da inovação

"Nosso estilo de vida moderno não é uma criação política. Antes de 1700, grande parte das pessoas era muito pobre. A vida era curta e brutal. Não é porque não tínhamos bons políticos; tínhamos alguns muito bons políticos. Mas então começamos a inventar - eletricidade, motores a vapor, microprocessadores - e a entender de genética, medicina e coisas assim. Sim, estabilidade e educação são importantes - não estou tirando seu mérito - mas a inovação é o verdadeiro motor do progresso".
Rolling Stone, em 13 de março de 2014

Do portal Administradores

A expressão latina “castigat mores ridendo” que, numa tradução livre poderia significar “rindo se corrige a moral” é uma locução que parece ter sido moldada para justificar a peça teatral “O juiz”. 

No texto, o autor utiliza a comédia para desvelar a farsa em que acabou se constituindo o poder judiciário num país imaginário, denominado Banânia, que, evidentemente, nenhuma semelhança guarda com o Brasil de hoje e, muito menos, com a porção latina do continente americano. 

A farsa, no teatro grego antigo, ao contrário do que muitos apregoam, não é uma forma dramática nova e sim uma variação da comédia. Apenas acentua as situações onde predominam o ridículo e o cômico, exatamente os eixos estruturantes sobre os quais Antônio Carlos desenvolveu a trama. Por sua vez, a palavra “comédia” é originária do grego “komoidia”, e seu sentido lato é folia, divertimento. A comédia grega está ligada ao inusitado, ao pitoresco, ao excêntrico. É franca e, mesmo, obscena. A confusão - de não poucos - é identificá-la tão somente com o sorriso fácil e a alegria despretensiosa. Porque pode despertar reações tão opostas como o desprezo e a arrogância. 

A partir da idade média, com a Commedia dell’Arte, o gênero passou a se constituir no preferido dos artistas para conduzir a crítica política e social, de modo a manterem-se protegidos da censura e da repressão governamental. 

Na peça “O juiz”, Antônio Carlos aborda questões latentes em autores como Aristóteles (Política), John Locke (Segundo Tratado do Governo Civil), e Montesquieu (O Espírito das Leis) e que alavancaram o estado moderno e a democracia contemporânea para denunciar – com muito humor e irreverência – a propalada independência dos poderes, o sistema de freios e contrapesos, e a nefasta prevalência do judiciário quando os demais poderes, executivo e legislativo, são, deliberadamente, fragilizados. Uma das personagens da peça chega a se sublevar contra um dos principais ensinamentos de Rui Barbosa: “A pior ditadura é a ditadura do Poder Judiciário. Contra ela, não há a quem recorrer”. 

Assim é que, na trama teatral, uma múmia ressuscita de seu milenar sarcófago para transformar um índio no presidente da mais alta corte judiciária do país. O terrível plano é instituir uma ‘república’ onde tão somente as corporações e os partidários do poder tenham vez. Nas palavras do presidente do Supremo Tribunal Nacional, o cacique indígena Morubixaba, um dos protagonistas da peça, “O império que estamos estruturando está acima de tudo e de todos. E aqui, no reino deste novo universo do trabalhadorismo, preside um juiz que potestade alguma poderá corromper, além, naturalmente, de todas as associações, sindicatos, corporações, grupos de interesses e organizações civis, políticas e populares comprometidos com os altos interesses de nosso projeto ideológico popular-progressista-desenvolvimentista, a mais nova vertente do messianismo sebastianista”. 

Fatos e episódios ridículos e burlescos são enfocados desnudando a realidade caudilhesca e autoritária das autoridades do continente. Cenas e quadros - de intenso humor e fina ironia – personificam a essência da sátira, num jogo dramático que corrobora a tese de que a melhor maneira de modificar a realidade é revelar o quanto ela é absurda, kafkiana, e rir, gargalhar, divertir-se com a situação, pois que, assim, os costumes políticos e sociais estarão sendo ‘castigados’. 

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