sábado, 25 de novembro de 2023

Como clima impacta Canal do Panamá e cadeias de suprimentos

 


Os níveis de água estão baixos na via por causa de escassez de chuva na América Central. Especialistas temem que o consumidor comum acabe pagando o preço.

O Canal do Panamá liga o Oceano Atlântico ao Pacífico. Sua criação gerou grande benefício para o transporte marítimo global. Antes da conclusão do canal, um navio tinha que contornar o extremo sul da América do Sul, uma rota muito mais longa e perigosa.

O mar ao redor do tempestuoso Cabo Horn foi durante séculos um verdadeiro cemitério de navios. Milhares de marinheiros morreram e inúmeros navios foram perdidos na região. Mas a passagem pelo Canal do Panamá encurtou a viagem em mais de 13 mil quilômetros, economizando dinheiro e tempo.

Mas agora, a mudança climática parece estar ameaçando essa rota. Cada vez que as eclusas do canal são abertas, milhões de litros de água doce correm para o mar. Como consequência, o nível da água no canal cai. Depois, essa água é reposta. No entanto, agora residentes, conservacionistas e meteorologistas estão observando uma diminuição nas chuvas na América Central como resultado da mudança climática. O que significa menos água para o canal. E se a água doce que sai das eclusas do canal não puder mais ser reposta, os grandes navios terão cada vez mais dificuldade para passar por ele.

De onde vem toda essa água?

O Canal do Panamá usa tanta água doce porque os navios precisam passar por uma dúzia de eclusas que os levam 26 metros para cima e para baixo. Segundo a empresa de consultoria Everstream, que monitora e avalia cadeias de suprimentos em nome de empresas internacionais, são necessários cerca de 200 milhões de litros de água para cada passagem de navio pelo canal.

Autoridade do Canal do Panamá, que é responsável pela operação da via, emitiu severas restrições de calado nos últimos meses. O calado de um navio é a distância entre a linha d'água e o fundo do navio. Essa medição determina quanta água um navio precisa para navegar com segurança. Se um navio é carregado com mercadorias pesadas, ele afunda mais criando, um calado maior.

O calado operacional normal para o canal é de 15,24 metros. No início de maio, as autoridades divulgaram um ajuste de calado para as eclusas Neo-Panamax – o termo se refere aos limites de tamanho de alguns dos maiores navios que atravessam o canal – com base nos níveis de água projetados. A partir de 24 de maio, os maiores navios que trafegam pelo canal estarão limitados a calados de até 13,56 metros. Uma semana depois, em 30 de maio, será reduzido novamente para 13,4 metros.

Para piorar as coisas, os analistas da Everstream não esperam que a situação melhore até o final da primavera. Na verdade, as coisas podem piorar para o negócio de transporte marítimo.

A Hapag-Lloyd, empresa de navegação com sede em Hamburgo, na Alemanha, e outras transportadoras internacionais responderam ao problema carregando menos contêineres para reduzir o calado de seus navios.

Para compensar a perda de receita, a Hapag-Lloyd introduzirá uma sobretaxa de 500 dólares por contêiner que passar pelo Canal do Panamá a partir de junho. Especialistas em comércio temem uma interrupção nas cadeias de suprimentos e tempos de transporte mais longos que afetarão os preços.

Nem todos estão apavorados

Vincent Stamer tem uma visão mais relaxada dos níveis de água no Canal do Panamá e as possíveis consequências para o comércio global. "Não será realmente crítico para as cadeias de suprimentos por enquanto", disse à DW o economista do Instituto para a Economia Mundial (IfW), de Kiel.

Não será como em 2021, quando o cargueiro Ever Given emperrou e bloqueou o Canal de Suez. "O Canal do Panamá não é tão importante para a economia global quanto o Canal de Suez", explicou Stamer. Além disso, 90% do comércio mundial é movimentado pelos oceanos do mundo e tem demonstrado uma resiliência relativamente pronunciada nos últimos anos, segundo o especialista. "Após as múltiplas tensões causadas pelo congestionamento de navios, fechamentos de portos e bloqueios nos últimos anos, as cadeias de suprimentos se recuperaram significativamente", ressaltou.

Consequências globais das mudanças climáticas

Também na Europa, os baixos níveis de água causaram dores de cabeça para as autoridades nos últimos anos. No verão passado, o Reno, uma importante artéria de navegação interior, enfrentou em baixas recordes em algumas áreas. Isso prejudicou o transporte e as entregas às fábricas. Também fez com que o preço da gasolina e do óleo para aquecimento subisse. A falta de neve nos Alpes ameaça criar o mesmo problema novamente este ano.

As autoridades de navegação marítima estão considerando contramedidas para o Reno, como aprofundar o rio em alguns lugares. Outra solução, muito mais cara, seria construir barragens que pudessem ser usadas para manter ou aumentar o nível das águas em trechos importantes do rio.

Para o Canal do Panamá, outras soluções estão sendo consideradas. Elas incluem comportas que coletam água doce em bacias para reutlização posterior. Para isso, estão sendo estudadas as possibilidades de desenvolver e explorar outras fontes de água próximas ao canal. A construção de reservatórios e usinas de dessalinização de água salgada também está sendo considerada.

Muitas outras opções

Se todas essas contramedidas vierem muito lentamente e a passagem pelo canal se tornar antieconômica, a Europa estaria ameaçada com algo semelhante ao desastre do fechamento do Canal de Suez?

"Não, definitivamente não", assegura Vincent Stamer. "Apenas 2% do comércio marítimo alemão vai para a costa do Pacífico dos continentes americanos. As conexões marítimas com a costa leste dos EUA e o comércio rodoviário com os países europeus vizinhos desempenham um papel muito maior", disse ele.

Até que sejam encontradas soluções de longo prazo para o Canal do Panamá, o economista vê outras formas de lidar com a escassez de água na América Central. "Reduzir a carga é certamente o caminho mais fácil para as empresas de navegação. E o uso de navios menores também é possível."

Stamer também vê outras alternativas. "A rota de transporte da Ásia através do Canal do Panamá para a costa leste dos EUA pode ser parcialmente redirecionada pelo Canal de Suez", disse. "Na rota entre a Europa e a costa oeste dos Estados Unidos, as alternativas estão menos consolidadas. Mas é concebível uma combinação das medidas anteriores com uma maior utilização do transporte aéreo ou terrestre através dos Estados Unidos", concluiu.

DW


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sexta-feira, 24 de novembro de 2023

Educação financeira deveria ser incorporada nas escolas do ensino básico

 


“... a ausência de conhecimento sobre questões financeiras é um dos pontos de destaque a fazer com que uma grande parcela dos brasileiros se endivide de forma rápida...”

Fornecer o estudo de educação financeira nas escolas básicas pode ser um bom caminho para a redução do atual cenário.

Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), cerca de 77,9% dos brasileiros entraram endividados em 2023. O grupo de pessoas que compõem esses sujeitos é formado, na maioria dos casos, por indivíduos entre 26 e 40 anos. O valor médio das dívidas é de cerca de R$ 4.493,90 e, na maior parte das vezes, está associado à inflação e aos altos juros.

A ausência de conhecimento sobre questões financeiras é um dos pontos de destaque que costuma fazer com que uma grande parcela dos brasileiros se endivide mais rápido. Assim, fornecer o estudo de educação financeira nas escolas básicas pode ser um bom caminho para a redução do atual cenário. O professor Naércio Aquino Menezes-Filho, da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA) da Universidade de São Paulo, explica que, apesar de não ser o principal motivo para os endividamentos, a falta de ensino básico sobre o assunto pode ser prejudicial para as pessoas mais vulneráveis.

Cenário brasileiro

Atualmente, os estudos financeiros não são aplicados como disciplina obrigatória nas escolas nacionais. “Ela entra como uma disciplina especial em algumas escolas, então eu acho que os alunos acabam tendo muita dificuldade quando concluem o ensino médio para entender e aplicar os conceitos de educação financeira no seu dia a dia”, explica o professor.

Apesar da ausência de ensino, os conceitos econômicos são utilizados constantemente no cotidiano das pessoas, e esse fator, segundo Menezes-Filho, revela a importância da temática. Ele também adiciona que o brasileiro apresenta dificuldade em pagar contas, calcular juros embutidos em transações e realizar aplicações financeiras que apresentam retorno prático. Assim, seria interessante adicionar, dentro das disciplinas existentes, como matemática e geografia econômica, os conceitos financeiros básicos.

Além disso, nota-se que a disciplina poderia auxiliar na redução da desigualdade nacional — que sempre foi latente e apresentou expressivo crescimento após a pandemia de covid-19. “Existem fatores mais importantes para explicar a desigualdade, como a falta de acesso ao ensino superior, questões de raça e gênero e outros, mas a educação financeira apresenta impacto, sim. Às vezes, as pessoas mais vulneráveis pagam juros muito mais altos que indivíduos com mais conhecimento”, adiciona o especialista.

Existem alguns assuntos que seriam mais relevantes para a população comum, assim, deveriam ser priorizados dentro das escolas nacionais, como o cálculo de juros simples e compostos e a exemplificação de aplicações financeiras. É também importante considerar que apenas incluir esses estudos no currículo base não garante que esses conhecimentos sejam levados aos alunos, já que a ausência de gestão pública, professores e desinteresse dos alunos fazem parte do cotidiano dos sistemas públicos de educação.

Soluções

O professor comenta que uma reforma de gestão no sistema de educação brasileiro para melhorar o aprendizado no País é necessária. Além disso, outras políticas públicas podem ser utilizadas na busca por uma solução para a temática, como cursos já existentes no mercado oferecidos por entidades como o Sebrae, ONGs e pelo terceiro setor. “Seria importante ter uma proliferação desses cursos voltados para as questões do dia a dia, principalmente para as famílias mais carentes que, muitas vezes, nem completaram a educação básica, mas que se beneficiariam desses estudos”, finaliza Menezes Filho.

Jornal da USP




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