sexta-feira, 24 de julho de 2020

Adoção da nuvem ganha espaço na pandemia


Os desafios e possibilidades da rápida transformação digital resultante do cenário atual foram tema de webinar promovido pelo Media Lab Estadão

A tecnologia exerceu papel fundamental para que empresas de todos os portes seguissem operando quando o distanciamento físico se fez necessário como forma de conter a propagação da covid-19. Durante a pandemia, a transformação digital acelerou-se e a computação em nuvem ganhou uma importância ainda maior como instrumento para amenizar os riscos e responder com agilidade às demandas da quarentena.

'Quando as companhias se depararam com a necessidade de reagir, a maioria não estava preparada, mas as organizações reagiram no sentido de proteger seus colaboradores com um modelo mais flexível de trabalho como o home office', disse José Duarte, country manager da VMware no Brasil, durante o webinar 'VMware on AWS - A Cloud Híbrida no Contexto da Crise: Desafios e Possibilidades', promovido pelo Media Lab Estadão no dia 15 de julho.

De acordo com ele, o cenário de crise pressiona por redução de custo e a computação em nuvem revela-se como uma oportunidade para endereçar isso. 'Se organizações pensam em negócios resilientes e em fazer adaptações, o digital é o caminho e não dá para falar em digital sem falar de cloud, que você liga e desliga a infraestrutura rapidamente e consegue se adaptar facilmente, algo que não conseguiria em modelo tradicional', explicou.

Para Paulo Cunha, country manager para o setor público da Amazon Web Services no Brasil, a nuvem pública é uma resposta para companhias que buscam acelerar transformação digital em um ambiente seguro e em modelo de pagamento por uso. 'Nuvem pública dá esta segurança, de agilidade e facilidade para ter serviços rapidamente prontos para uso. Além do fato de pagar pelo que utiliza e contar com elasticidade de recursos computacionais', destacou.

Os investimentos em cloud, conforme apontou Duarte, da VMware, ainda são mais baixos no Brasil em comparação com o mundo. Mas a adoção tende a crescer, em parte porque as empresas entenderam que o modelo da nuvem respondeu à necessidade de resiliência do negócio em meio à pandemia. A taxa de aumento da nuvem no Brasil em 2020 deve ser da ordem de 24%, porcentual semelhante ao da América Latina (24,5%), segundo estimativa da International Data Corporation (IDC). A consultoria também prevê que, em 2022, 70% das empresas vão integrar gerenciadores de cloud - entre nuvens privadas e públicas - por meio do desenvolvimento de modelos híbridos e multicloud.

O conceito de multicloud vem se consolidando no mercado, segundo Duarte, permitir às empresas a execução do gerenciamento da nuvem por meio de aplicações, assegurando, assim, a governança, a segurança e a gestão do faturamento das clouds públicas.

Agilidade e flexibilidade

'Estamos vendo crescimento da demanda em todos os setores; e em uns mais que outros, como em educação no ensino a distância (EAD) e varejo. Tivemos um caso em que conseguimos colocar no ar para uma universidade de São Paulo uma plataforma de EAD em questão de dias. Também tivemos uma empresa do varejo de vestuário que, para absorver o golpe e reagir com todas as lojas fechadas, saiu com solução de social selling', contou José Duarte.

Diante das novas demandas trazidas pela quarentena, as empresas buscaram soluções que pudessem ser adotadas rapidamente para manter o negócio operando - e isso passou pela computação em nuvem. 'O digital foi o caminho para superação de crise e cloud não é mais opção, mas uma questão de sobrevivência', reforçou Duarte.

Ampliar serviços governamentais para os cidadãos também passa pela modernização da infraestrutura de tecnologia. No Tribunal de Contas da União, José Renato Alves Affonso, secretário de infraestrutura de TI no TCU, contou que a migração de serviços públicos para nuvem vem ocorrendo e que os órgãos têm adotado o modelo tomando os devidos cuidados de segurança e governança. 'O governo precisa avançar junto com as empresas do setor público e do setor privado', assinalou.

O secretário lembrou que as esferas públicas precisam consumir as tecnologias que estejam disponíveis no mercado e que têm de contar com estruturas robustas. 'Percebemos que precisávamos adotar mais tecnologia. É o que estamos fazendo: consumindo mais nuvem pública e nuvem híbrida, porque acreditamos que elas trazem mais oportunidades. A flexibilidade e agilidade da nuvem para atender às demandas foi o que nos propiciou seguir operando na pandemia', ressaltou Affonso.

Economia digital ditará mercado no pós-pandemia

Adoção de novas formas de trabalho e uso de tecnologias como computação em nuvem e inteligência artificial serão base da recuperação econômica

Em um cenário pós-crise, a tecnologia servirá de ponto de apoio para a recuperação das empresas, empregos e da economia. A crise testou projetos piloto de algumas empresas em transformação digital até por uma questão de sobrevivência. 'Não prevaleceu o catastrofismo. Se subestimou o papel da economia digital. Hoje temos o recurso do trabalho remoto e há exemplos como o do varejo que foi capaz de explorar o delivery. Isso aponta como será a economia no futuro', reforçou Gesner Oliveira, sócio da GO Associados e professor da Fundação Getúlio Vargas.

Além dos pacotes anticrise, o avanço da digitalização propiciou que os efeitos negativos da pandemia, como uma recessão maior, fossem amenizados e é algo que permanecerá no pós-pandemia. 'Em março, quando a crise começa no Brasil, houve projeções de fim do mundo, parecia que o mundo ia acabar e muita gente não olhou para os pacotes antipandemia e para a economia digital, para a capacidade de adaptação e de resiliência das empresas', enfatizou Gesner Oliveira.

Durante o webinar 'VMware on AWS - A Cloud Híbrida no Contexto da Crise: Desafios e Possibilidades', ele explicou que, diante de uma crise, é muito importante para a empresa que toma o choque absorver o choque e saltar para o futuro. 'Ou seja, é procurar uma nova solução e daí é inevitável buscar transformação. É olhar para o passado não como nostalgia, mas como forma de reinventá-lo, como fonte de inspiração para o futuro. E a maneira pela qual você vai para o futuro é através da tecnologia', ressaltou Oliveira, professor da FGV, que afirmou já estar vendo indicadores apontando para uma recuperação econômica no Brasil.

O colapso causado pelo novo coronavírus acentuou a adoção de novas formas de trabalho, como remotamente, e a implantação de tecnologias como computação em nuvem e inteligência artificial. 'Nossos antepassados eram nômades e a tecnologia está nos levando a um nomadismo diferente; que podemos trabalhar de qualquer lugar e que podemos recrutar pessoas que estejam em qualquer lugar. Lógico que isso exige investimentos, esforço de sistematização e organização dos dados, mas, no futuro, pode ser promissor, se colocarmos foco na governança', frisou o professor.

De acordo com a IDC, em seu estudo 'IDC FutureScape Worldwide 2020 Predictions - LatAm Implications', em 2024, mais de 40% de todos os gastos com tecnologia da informação e comunicação na América Latina serão direcionados pela transformação digital e inovação - um aumento em relação aos 20% de 2018.

A computação em nuvem, que está por trás do trabalho remoto, provê infraestrutura para suportar o atendimento às necessidades do negócio como se as pessoas estivessem fisicamente em seus ambientes normais de trabalho. 'É, de fato, um modelo que proporciona um trabalho mais flexível, independentemente do setor. Além de você pagar pelo uso', completou José Duarte, country manager da VMware no Brasil, acrescentando que a cloud é a base para assegurar que o ecossistema esteja em conformidade com a governança, atendendo, por exemplo, a exigências de proteção dos dados.

Um exemplo citado durante o debate foi de uma empresa de contact center que, por causa da quarentena, passou a operar no modelo de teletrabalho e recorreu ao modelo de nuvem para prover aos funcionários em suas residências uma infraestrutura semelhante à que tinham no escritório. 'Recebemos o feedback de que o cliente percebeu que, mantendo o contact center nesse modelo, houve aumento na satisfação e na produtividade dos colaboradores, o que refletiu em clientes finais mais felizes com a qualidade do atendimento', apontou

Pandemia impôs desafios

A quarentena impôs desafios tão distintos quanto assegurar que o link internet dos colaboradores funcionasse desde suas casas. De acordo com Paulo Cunha, country manager para o setor público da Amazon Web Services no Brasil, quando as companhias se viram diante da necessidade de colocar seus trabalhadores em trabalho remoto, muitas não estavam preparadas para o forte aumento da demanda no tráfego de dados.

Segundo ele, um dos primeiros gargalos foram as redes privadas virtuais (VPNs, na sigla em inglês), que, até então, estavam balanceadas para uma quantidade menor de funcionários que normalmente acessam a infraestrutura desde fora do escritório e não para todos - ou grande parte - dos colaboradores. Outro desafio, apontou o executivo, foi com a adequação dos equipamentos dos funcionários, uma vez que nem todos contam com computadores portáteis.

'A nuvem ajudou nesse sentido, porque ela transporta para a máquina do funcionário onde ele estiver o mesmo cenário que ele tinha na empresa, incluindo todas as aplicações que estavam on-premise', disse Cunha. Para ele, a aceleração do processo de transformação digital não deve ficar restrita apenas a levantar e a levar para a computação em nuvem as aplicações, mas deve fomentar a inovação nas empresas, no sentido de buscar novas soluções para resolver problemas que eles estejam enfrentando.

 

Por VM Ware, Media Lab Estadão, no Estadão Online  

 

 




-----------





Para saber mais, clique aqui


Para saber mais, clique aqui.


Coleção Greco-romana com 4 livros; saiba aqui


Coleção Educação e Folclore com 10 livros, saiba aqui


Coleção Educação e Democracia com 4 livros, saiba aqui



Coleção Educação e História com 4 livros, saiba mais


Para saber mais, clique aqui


Para saber mais, clique aqui. 




Para saber mais, clique aqui.

Para saber mais, clique aqui.
Para saber mais, clique aqui.


quinta-feira, 23 de julho de 2020

Ipea defende desoneração temporária e extensão de redução de jornada na saída da crise


Sugestões constam no documento 'Brasil Pós Covid-19', que é lançado nesta quarta-feira, 22, e traz propostas de medidas para ajudar a impulsionar a retomada da economia brasileira após os impactos do novo coronavírus

BRASÍLIA - Em meio ao aumento do desemprego e à preocupação do governo com a retomada da geração de vagas no mercado de trabalho no momento pós-pandemia, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) defende uma desoneração temporária de tributos sobre salários, com maiores benefícios para contratos de jornada parcial, e a extensão dos instrumentos que permitem redução de jornada e salários na crise.

As sugestões constam no documento "Brasil Pós Covid-19", que é lançado nesta quarta-feira, 22, e traz propostas de medidas para ajudar a impulsionar a retomada da economia brasileira após os impactos do novo coronavírus.

No caso da autorização para cortes de jornada e salário, o Ipea argumenta que os efeitos da crise devem permanecer mesmo após a fase mais aguda da pandemia, deixando empresas em situação de dificuldade. O foco dessa ação seria a preservação de empregos.

Por outro lado, o órgão reconhece que o governo não possui recursos suficientes para seguir bancando compensações aos trabalhadores atingidos por essas negociações. A União já destinou R$ 51,2 bilhões ao pagamento do benefício emergencial (BEm) para empregados que fecharam acordos de redução de jornada e salário ou suspensão de contrato.

Na proposta do Ipea, o formato dos acordos seria ajustado para caber no Orçamento. Não seria mais permitida a suspensão do contrato (que obriga o governo a pagar a parcela cheia do seguro-desemprego que seria devido em caso de demissão). As empresas que adotaram essa modalidade poderiam migrar para uma redução de jornada e salário de até 70%.

Já os acordos de redução de jornada e salário, que hoje permitem corte de até 70%, ficariam restritos a diminuições de 25% e 50%. Na avaliação do Ipea, a medida poderia vir acompanhada de maior adiamento em pagamento de tributos para as empresas que mantiverem os pagamentos dos salários, ainda que de forma parcial, e oferta de empréstimos em 'condições facilitadas' aos trabalhadores.

Além da preservação de empregos, os técnicos do órgão defendem uma política desenhada para alavancar a geração de novos postos de trabalho. Para isso, propõem uma desoneração temporária de tributos sobre salários, para que as companhias tenham incentivos nas contratações. Os benefícios seriam diferenciados de acordo com o contrato: um empregado com jornada parcial (20 horas) traria incentivo maior para a empresa, com redução de 15 pontos porcentuais na alíquota de 20% de contribuição sobre a folha, do que um de jornada integral (40 horas), com corte de 5 pp.

O foco da desoneração seria a contratação de funcionários com salário equivalente a até três salários mínimos (R$ 3.135). O estudo não detalha qual seria o custo da política, mas propõe como fonte de recursos uma taxação adicional sobre horas extras pagas aos trabalhadores e uma alíquota extra em contratos que ultrapassem as 40 horas semanais.

Dividido em quatro eixos, o estudo do Ipea traz uma série de sugestões de iniciativas para melhorar o ambiente de negócios no Brasil e destravar os investimentos. Há ações focadas nas atividades produtivas e reconstrução das cadeias de produção, inserção internacional, investimento em infraestrutura e proteção econômica e social de populações vulneráveis - o que inclui um benefício universal infantil para menores de 18 anos, ao custo de R$ 26,6 bilhões. O programa seria feito a partir da unificação de benefícios do Bolsa Família, salário família e dedução de dependentes do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF).

O presidente do Ipea, Carlos von Doellinger, afirma que o documento é um 'ponto de partida' para as discussões que começam a se aprofundar no governo. 'Tentamos mostrar caminhos específicos. Selecionamos os mais viáveis e os que teriam maior impacto na economia', diz.

O estudo destaca ainda a necessidade de continuar o ajuste nas contas públicas e aprovar reformas para controlar a trajetória de gastos, afetada devido à necessidade do governo de abrir os cofres para bancar ações de combate à covid-19. No texto, os pesquisadores defendem a aprovação das reformas do Pacto Federativo, que garante instrumentos para conter o avanço de despesas na União e nos governos regionais, da desvinculação dos fundos e a reforma administrativa, que ataca a despesa com pessoal do governo.

A partir dessas medidas de ajuste, o governo já conseguiria ter uma recuperação em 2021, com crescimento de 3,6% do PIB no ano que vem, após um tombo estimado em 6,0% em 2020.

Num cenário 'transformador', com outras reformas microeconômicas, o Ipea estima que seria possível alcançar um crescimento mais veloz, de 4,7%. Para isso, seriam necessários a criação de uma carteira de investimentos de longo prazo, a aprovação dos novos marcos regulatórios do setor elétrico e das novas concessões e a regulamentação do marco regulatório de telecomunicações, aprovado em 2019.

'A produtividade cresceria a taxas significativamente maiores que a observada na média dos últimos quarenta anos - que foi pouco maior que zero', diz o documento. 'Com isso, seria possível ultrapassar a tendência anterior de crescimento em meados dos anos 2020. A taxa de crescimento acumulada no período (2021 a 2031) seria significativamente maior no cenário transformador (42,5%) que no cenário de referência (25,1%).'

Em meio à necessidade de continuar com o ajuste fiscal, o estudo do Ipea também alerta para a falta de capacidade do setor público de alavancar investimentos. Segundo o órgão, esse motor precisa vir do setor privado - num discurso alinhado ao do ministro da Economia, Paulo Guedes, mas que ainda não tem apoio integral do governo. Como mostrou o Broadcast, a Casa Civil chegou a preparar uma consulta ao Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a possibilidade de usar créditos extraordinários, fora do teto de gastos, para investir em infraestrutura sob a justificativa da covid-19, a pedido do Ministério do Desenvolvimento Regional. A repercussão negativa, porém, levou a pasta a desistir da ideia.

'Para que um aumento dos investimentos públicos, por exemplo, fosse suficiente para estimular a economia de forma significativa e ajudasse o País a superar os gargalos de infraestrutura, seria preciso uma elevação muito substancial desses gastos. Os efeitos negativos desse tipo de medida, via piora na percepção de risco dos agentes em relação a` sustentabilidade da dívida pública, possivelmente seriam maiores do que os efeitos positivos dos investimentos. A solução mais adequada, portanto, deve ser a atração de investimentos privados nacionais e estrangeiros, especialmente em infraestrutura', argumenta o Ipea.

Por Idiana Tomazelli, em O Estado de S.Paulo

 

 


Para saber mais, clique aqui


Para saber mais, clique aqui.


Coleção Greco-romana com 4 livros; saiba aqui


Coleção Educação e Folclore com 10 livros, saiba aqui


Coleção Educação e Democracia com 4 livros, saiba aqui



Coleção Educação e História com 4 livros, saiba mais


Para saber mais, clique aqui


Para saber mais, clique aqui. 




Para saber mais, clique aqui.

Para saber mais, clique aqui.
Para saber mais, clique aqui.


quarta-feira, 22 de julho de 2020

Investimento do setor público em inovação: as encomendas tecnológicas (ETECs)


Com utilização dessa modalidade de compras públicas, Brasil terá mais segurança para investir em inovação tecnológica

De acordo com a edição de 2020 do Índice Global de Inovação (IGI), divulgada no dia 24/7/2019, pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) em parceria com a escola de negócios Insead e a Universidade de Cornell, o Brasil ocupa o 66º lugar na lista de 129 países, atrás de todos países do BRICs, caindo duas posições em relação a 2018. Além disso, o Brasil registrou um declínio consistente no ranking do IGI, mantendo-se nas posições 60 e 70 na última década.

Segundo Bruno Lanvin, diretor executivo de índices globais da Insead e coautor do relatório, existem três obstáculos principais à inovação no país: falta de apoio fiscal consistente, falta de investimento em capacidade de longo prazo e número insuficiente de invenções patenteadas.

Com vistas a melhorar o desenvolvimento tecnológico do Brasil, por intermédio de maiores incentivos à pesquisa e desenvolvimento (P&D) no país, foi criada a modalidade de compra pública, denominada 'Encomendas tecnológicas (ETEC)'.

Para saber sobre o livro, clique aqui


Para Rouen e Barbosa (2019, p. 15)[1], a encomenda tecnológica é 'uma compra pública voltada para encontrar solução para determinado problema por meio de desenvolvimento tecnológico. Ou, formalmente, (?) tipos especiais de compras públicas diretas voltadas a situações muito específicas nas quais exista risco tecnológico'. São exemplos de possíveis utilizações de uma ETEC: uma nova vacina, um novo material, uma nova tecnologia, a junção de diversas tecnologias em um produto complexo, entre outros.

A legislação que dá suporte à essa desconhecida modalidade de compra pública é a seguinte: Lei nº 10.973/2004 (Lei da Inovação ou Marco Legal da Ciência, Tecnologia e Inovação); Lei nº 12.349/2010 (altera a Lei nº 8.666/1993 com a criação de dispensa a licitação dos casos previstos no art. 20 da Lei nº 10.973/2004); Lei nº 13.243/2016 (Novo Marco Legal da Ciência, Tecnologia e Inovação); Instrução Normativa 5/2017, do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (dispõe sobre as regras para contratação de serviços na Administração Pública federal) e o Decreto nº 9.283/2018, que prevê expressamente as Encomendas Tecnológicas.

Como se vê, a única legislação federal que trata especificamente do tema 'Encomenda Tecnológica' é o Decreto nº 9.283/2018, nos artigos 27 a 33. Apesar desse normativo não tratar detalhadamente a respeito do assunto, ele pode ser considerado um grande avanço para o incentivo da política de tecnologia e inovação do país, pois apresentou novas condições para a utilização das ETECs .

Mesmo com essa novel legislação, essa modalidade de aquisição pública é muito pouco utilizada no Brasil. De acordo com o Estudo 'Atualização do Mapeamento das Encomendas Tecnológicas no Brasil' [2] foram realizadas 75 contratações diretas de projetos de P&D semelhantes a uma Encomenda Tecnológica entre 2010 e setembro de 2019 (somando os períodos dos dois exercícios), em todo o Brasil, que totalizaram o montante de R$ 330 milhões, a preços de 2019. Esse valor é muito baixo, visto que, segundo Ribeiro e Inácio Junior (2019) [3], as compras federais da União (administração direta e indireta) somaram, apenas no ano de 2017, R$ 324 bilhões.

Apesar disso, o mapeamento acima mencionado traz uma importante conclusão inédita: que o modelo de Encomendas Tecnológicas semelhante ao previsto no Decreto nº 9.283/2018 foi empregado sete vezes, nas três esferas de governo, desde a entrada em vigor desse normativo. Portanto, em que pese o grau de ousadia e inovação da legislação atual, aquele estudo comprova a possibilidade de emprego real dessa modalidade de aquisição em conformidade com a legislação vigente.

Do conjunto dessas aquisições realizadas em todo o Brasil, pode-se considerar que somente duas delas são de fato uma ETEC e seguem o Decreto nº 9.283/2018. As demais contratações foram dispensas de licitação com base no art. 24, inciso XXXI de Lei de Licitações. Essas duas 'Encomendas Tecnológicas de fato' estão em andamento, de modo que muitos problemas e possíveis soluções jurídicas serão encontrados ao longo do desenvolvimento desses projetos.

Além da existência de somente duas ETECs ainda não concluídas no Brasil, o processo de contratação por essa modalidade de aquisição é complexo e contém diversas nuances quando comparado com os processos de contratações públicas comumente utilizados no país.

Dessa forma, nos próximos artigos, serão apresentadas as características de uma contratação por Encomenda Tecnológica, bem como os demais aspectos relevantes dessa modalidade de aquisição. Por conseguinte, tal instrumento se tornará mais conhecido dos gestores públicos e, consequentemente, poderá ser mais utilizado para o desenvolvimento de pesquisas de inovação tecnológica no Brasil.

[1] RAUEN, A. T.; BARBOSA, C. M. M. Encomendas tecnolo?gicas no Brasil: guia geral de boas pra?ticas. Brasi?lia: Ipea, 2019.

[2] RAUEN, A. T.; Atualização do Mapeamento das Encomendas Tecnológicas no Brasil. Brasi?lia: Ipea, 2019.

[3] RIBEIRO, C. G.; INA?CIO JU?NIOR, E. O mercado de compras governamentais brasileiro (2006-2017): mensurac?a?o e ana?lise. Brasi?lia: Ipea, 2019. (Texto para Discussa?o, n. 2476).


Por Arby Rech, no Jota

 

 





Para saber mais, clique aqui


Para saber mais, clique aqui.


Coleção Greco-romana com 4 livros; saiba aqui


Coleção Educação e Folclore com 10 livros, saiba aqui


Coleção Educação e Democracia com 4 livros, saiba aqui



Coleção Educação e História com 4 livros, saiba mais


Para saber mais, clique aqui


Para saber mais, clique aqui. 




Para saber mais, clique aqui.

Para saber mais, clique aqui.
Para saber mais, clique aqui.