quarta-feira, 23 de outubro de 2019

O protagonismo em inteligência artificial para o país


Anfitrião da 16ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, o ministro Marcos Pontes falou hoje sobre os planos do governo para uma política nacional de inteligência artificial. De acordo com o ministro, as diretrizes para regular a nova tecnologia devem ser lançadas até o final deste ano.
O Brasil tem uma Estratégia Digital (E-digital), lançada em 2018, apenas com diretrizes gerais para a transformação digital do país. A política nacional servirá de guia para a pesquisa, desenvolvimento e uso de aplicações de inteligência artificial. “A ideia é que o Brasil não fique para trás nessa área. Não tem como voltar atrás. Temos que acompanhar e ser protagonistas em tecnologia”, disse Marcos Pontes.
O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações vai inaugurar, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), oito laboratórios voltados para a pesquisa no campo de inteligência artificial ainda este ano. Destes, quatro terão áreas específicas: indústria, agronomia, cidades e saúde.

“Essa tecnologia [inteligência artificial], combinada com a internet das coisas e a quinta geração de internet móvel que está chegando ao Brasil, mudará a vida das pessoas. E o governo estará pronto para protagonizar essa mudança”, afirmou o ministro.

Astronautas brasileiras

Questionado sobre a primeira caminhada espacial protagonizada por mulheres, que ocorreu na última sexta-feira, Pontes respondeu que o Centro Espacial de Alcântara poderá, no futuro, formar turmas de astronautas brasileiros e também realizar caminhadas espaciais.

“Já estamos dominando várias tecnologias de lançamento, entre as quais a queima de propelente líquido. Mas temos que avançar nosso programa espacial, construir, testar e lançar satélites próprios. A partir daí, podemos partir para um programa espacial que seja soberano. Eu teria muito orgulho de treinar um grupo assim”, concluiu o ministro.
Da Agência Brasil

terça-feira, 22 de outubro de 2019

R$ 59,3 bilhões de multas que não foram pagas ao IBAMA




Uma análise nas bases de dados oficiais do Ibama desde janeiro de 1980 até agosto deste ano, mostrou que foram aplicadas 603,4 mil penalidades, que somam quase R$ 75 bilhões, em valores atualizados pelo IPCA, o índice oficial da inflação. Desse total, R$ 59,3 bilhões são de multas que não foram pagas, nem prescreveram e nem foram anuladas pelo órgão ou pela justiça, até o final de agosto de 2019. As informações são do The Intercept Brasil.

O valor seria suficiente para sustentar o Ministério do Meio Ambiente inteiro por 21 anos - se tomarmos por base o orçamento previsto para 2020 - e equivale a mais de 174 anos de doações ao Fundo Amazônia , considerando a média histórica dos valores recebidos desde 2008.


Empresas governamentais como Petrobras, Sanepar e DNIT, autarquia vinculada ao Ministério da Infraestrutura, figuram no topo do ranking das multas do 
Ibama . A Amazônia Legal, alvo constante de desmatamento, mineradoras e empreiteiras, concentra 33% das multas aplicadas e 72% do valor total das sanções somadas nas quase quatro décadas - mais de 201 mil multas, totalizando quase R$ 54 bilhões.


Dos R$ 75 bilhões aplicados desde 1980, só R$ 2,5 bilhões foram efetivamente pagos, apenas 3,33% do valor total. Um dos principais motivos é a demora do Ibama para dar andamento à cobrança. Mais de 58 mil multas aplicadas em todo o país prescreveram desde 1980 e cerca de R$ 2,4 bilhões deixaram de ser arrecadados, de acordo com os dados do Ibama.


Acontece também o cancelamento de multas, que são anuladas porque o órgão entendeu que elas não deveriam ter acontecido. Foram quase 36 mil multas canceladas desde 1980 , num total de R$ 1,9 bilhão.


Quem contrata os melhores advogados, não arca com multas ambientais


O levantamento afirma que são pequenos infratores os maiores pagadores de multas, enquanto sanções às grandes ilegalidades acabam canceladas ou são beneficiadas por análises administrativas e longas disputas judiciais, que postergam o pagamento.


As multas pagas desde 1980 têm um valor médio de R$ 12,2 mil. Já as multas que estão tramitando administrativa ou judicialmente têm um valor médio 21 vezes maior, de R$ 257,7 mil. Na prática, quem pode contratar os melhores advogados não precisa arcar com multas ambientais.


É importante lembrar que o emaranhado jurídico rumo à prescrição já beneficiou Bolsonaro no episódio em que foi flagrado pescando dentro de uma Unidade de Conservação, em 2012.


Impunidade
Um caso de grande repercussão, o da Samarco , responsável pelo desastre de Mariana, em 2015, foi notificada de que poderia ser multada 73 vezes pelo órgão federal. Também recebeu 33 autos de infração ao longo dos anos, totalizando quase R$ 406,4 milhões em multas . Apenas duas, anteriores ao desastre, foram pagas. A empresa é controlada pela Vale e pela mineradora e petrolífera anglo-australiana BHP Billiton


A demora para o andamento de processos gera uma sensação de impunidade , sobretudo quando se percebe que os maiores violadores da lei são os que menos sofrem consequências.


Uma das principais de impunidade apontada pela pesquisa, é a Instrução Normativa 10/2012 , que centralizou na sede do Ibama, em Brasília, os julgamentos de processos a partir de R$ 500 mil. Como as infrações costumam ser elevadas, grande parte do que se faz nas unidades descentralizadas da autarquia escorre para Brasília, com uma equipe aquém do necessário para dar conta da demanda. Antes, multas de até R$ 2 milhões eram julgadas nas superintendências dos estados.


O problema não se concentra apenas no Ibama. Uma análise do Tribunal de Contas da União, com dados dos anos de 2011 a 2014 e publicada em setembro de 2017, mostra que a média de arrecadação de multas aplicadas por 14 órgãos federais, como o Cade e agências nacionais de Vigilância Sanitária e de Saúde Complementar, é de apenas 6%. A taxa de desempenho do órgão ambiental é quase 50% menor.


O não pagamento
A baixa taxa de pagamentos de multas ambientais também é resultado da grande disparidade entre o número de fiscais assinando penalidades e de quantas pessoas julgam processos no órgão ambiental. São 780 fiscais distribuídos no país. o Ibama hoje tem um déficit de 2,5 mil funcionários, e não há previsão de concurso público para o preenchimento dessas vagas.


Há, ainda, uma redução crescente de pessoal, causada pelas aposentadorias: o resultado é um passivo de cerca de 131 mil processos a serem julgados nas instâncias do Ibama, chegando a cerca de R$ 46,6 bilhões em multas não pagas desde 1980. Somando com os processos que estão na justiça, são 230 mil multas, e o valor totaliza os R$ 59,3 bilhões.


No fim de fevereiro, o ministro Ricardo Salles demitiu 21 dos 27 superintendentes estaduais do Ibama. Conforme a Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Especialista em Meio Ambiente, 19 superintendências permanecem sem chefia, o que emperra a burocracia necessária para a cobrança de infrações.


Das multas aplicadas na Amazônia Legal desde 2005, um ano depois de ser iniciado um plano para tentar conter o desmatamento na região, mais de 37 mil resultaram em embargos de imóveis rurais, até hoje ativos no sistema do Ibama. Eles representam mais da metade dos bloqueios registrados em todo o país no mesmo período.


Do iG





segunda-feira, 21 de outubro de 2019

“Investidor é como boxeador. Se estiver domado não produz nada”


O principal nome do site de recomendações financeiras que mais barulho causou no Brasil nos últimos anos fala sobre os resultados que obteve a partir de estratégias de marketing incisivas e explica por que sua empresa optou por uma postura mais zen

O megainvestidor George Soros já se autodefiniu como “um animal do mercado”. O termo também parece adequado para Felipe Miranda. Seu pai fez carreira no mercado financeiro e permitiu que o filho aplicasse na Bolsa de Valores quando tinha apenas 14 anos de idade. Hoje aos 34, o economista formado pela Universidade de São Paulo e mestre em Finanças pela Fundação Getúlio Vargas segue sua vocação como estrategista-chefe da Empiricus, site de consultoria financeira que em dez anos conquistou 360 mil assinantes a partir de um marketing agressivo que, segundo ele mesmo, às vezes “cruza a linha vermelha”.

Depois de campanhas controversas, que exageravam nos retornos aos investidores, a empresa acaba de lançar sua Fase 2, na qual o objetivo é mostrar aos potenciais clientes as taxas extraordinárias de rentabilidade que obteve nos últimos cinco anos — com uma média, segundo Miranda (
Felipe Miranda, co-CEO e estrategista-chefe da Empiricus), de 250% do CDI. Ele falou à reportagem da DINHEIRO na sede da empresa que hoje tem 240 funcionários e deve faturar R$ 300 milhões este ano. A sala escolhida: Buffett, homenagem a outro guru dos investimentos.

DINHEIRO - A Empiricus cresceu rápido com relatórios financeiros voltados para o grande público. Por que lançara Empiricus Fase 2?

FELIPE MIRANDA - A Fase 2 é uma mudança para mostrar o que a empresa pode fazer em termos concretos pelos seus assinantes. E um passo seguinte à nossa estratégia de comunicação, que era muito contundente, pautada em nossos sócios americanos. Eles são os maiores do mundo em recomendação de investimento, com presença em 20 países e 4 milhões de assinantes.

E o que levou à mudança?

Quando lançamos aquela comunicação mais persuasiva, a ideia era sensibilizar as pessoas, anestesiadas em relação ao ambiente de investimentos no Brasil. A gente concorre com o banco (que é o principal ponto de contato com o investidor, através do gerente) e com as corretoras, que pregam o slogan da “assessoria gratuita”. A Empiricus só vende assessoria de investimento, então é complicado concorrer com um produto que supostamente é entregue de graça. Só que ele não é gratuito. Existem taxas que o investidor não consegue distinguir. Eu precisava mostrar a esse investidor que vale a pena pagar por uma assessoria independente, precisava ter um marketing muito contundente. Foi uma porrada nas pessoas para acordá-las. A qualidade do nosso produto só era percebida por quem passava da primeira etapa e se tornava assinante. Hoje podemos mostrar às pessoas o resultado que elas teriam no bolso ao seguir a Empiricus.

Qual é esse resultado?

Quem nos seguiu nos últimos 5 anos sabe que não houve qualquer carteira que sequer chegasse perto da nossa. Agente acertou em tudo desde aquele manifesto que eu assinei em 2014, chamado “O Fim do Brasil?”, em que recomendava comprar dólar e vender ações. E depois, com a virada de mão, quando a gente pegou a Bolsa a 40 mil pontos e multiplicou por 2,5 vezes. Quem está conosco desde então multiplicou o que tinha por seis.

Esse sucesso atraiu outros competidores. Quais riscos você enxerga para o seu negócio?

A vida não pode ser feita de evitar riscos. A questão é correr os riscos certos. Quando éramos pequenos, à margem do sistema, atacávamos o próprio sistema, formado por bancos e corretoras. Hoje, um terço dos investidores da Bolsa está conosco. Se o que a Empiricus fala faz preço, é porque ela já está no mainstream.A gente precisa se institucionalizar sem perder o viés provocador, a perseguição implacável por idéias de investimento que ninguém tem. O Mick Jagger (vocalista dos Rolling Stones) está fazendo rock’n’roll há 60 anos e é Cavaleiro da Coroa Britânica. Ele resume essa ambivalência: como você se institucionaliza sem perder a sua essência? É a dicotomia entre forças apolíneas e dionisíacas. Um investidor é como um boxeador. Se ele está domado, não produz nada. Você não precisa ser o Mike Tyson, mas precisa ter aquele olho de tigre.

A Empiricus popularizou relatórios sobre investimentos, mas também atraiu a atenção da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Qual a relação de vocês hoje?

A Empiricus entende que não está no mercado de capitais, que é regulado pela CVM. Eu vivo de dar opiniões sobre comprar ou vender ativos. Eu não estou na originação nem na distribuição de valores mobiliários. No momento em que um regulador do mercado de capitais afirma que eu não posso fazer esse trabalho, a minha resposta é que se trata de censura. Fomos atrás de três pareceristas e o entendimento dos três é que estamos no mercado editorial, como ocorre nos EUA Nosso sócio americano está fora da área de regulação do órgão equivalente à CVM. Eles têm a garantia constitucional da liberdade de imprensa. Então esse é nosso pleito. Temos uma Ação Declaratória na Justiça para sermos considerados à parte da CVM. Eu não estou autorizado pela CVM para dar opinião de investimento porque eu não preciso dessa autorização.

Qual o desgaste causado pela campanha com a Bettina, que afirmava ter feito R$ 1 milhão em três anos?

A gente fazia milhares daqueles anúncios de 10 segundos e não dava para revisar tudo. A partir do caso da Bettina, criamos a área de compliance, que não existia formalmente. Agora nenhum texto sai sem uma dupla revisão e todos vêm com alertas que foram criados a partir de uma consulta à CVM, com as duas frases que atendem ao que o regulador entende como necessário. Uma diz que retomo sobre investimento passado não é garantia de retorno futuro. A outra, que investimentos sempre envolvem riscos.

É difícil acreditar que uma peça como aquela tenha passado sem revisão...

Entendo que você não acredite, mas foi assim. A Bettina pensou no anúncio, gravou e foi para o ar. Ela havia ganhado liberdade e confiança, porque as peças que ela vinha fazendo davam muito retomo. Até que escorregou. E onde escorregou? O problema, para mim, foi que a gente não deixou claro que ela fez outros aportes no meio do caminho para sair de R$ 1 mil e chegar a R$ 1 milhão em três anos. Ela ganhou muita grana com ações, mas não foi mil vezes o que ela investiu. E a repercussão foi muito ruim. Houve uma exposição negativa na imprensa, tivemos que arcar com Procon, Ministério Público, CVM. Por outro lado, sob o ponto de vista estrutural de longo prazo, foi positivo, pois permitiu à Empiricus reconhecer o seu lugar no mercado e entender que não pode cometer erros como esse. A empresa hoje é muito melhor do que era antes.

Você perderam clientes?

Nos dois ou três meses subsequentes houve uma grande desaceleração do crescimento. A percepção foi negativa.

O pedido de desculpas que vocês fizeram agora é a melhor solução?

É uma consequência da nossa nova estratégia. As pessoas subestimam o quanto a Bettina é competente, inteligente e batalhadora. Os que a seguiram, ou seguiram a Empiricus como um todo, com certeza tiveram uma experiência positiva. A carteira que ela sugeria era muito boa, deu um retorno incrível.

Você mesmo protagonizou uma campanha bem agressiva dizendo que ensinaria a qualquer um dobrar o capital investido em pouco tempo. Qual o retorno dessa estratégia?

O “double income” foi o nosso maior sucesso. Temos 160 mil assinantes desse produto. As pessoas entenderam a necessidade de criar uma máquina de geração de renda. A gente tem uma carteira que envolve fundos imobiliários, títulos do Tesouro e ações que são boas pagadoras de dividendos. E a melhor do mercado para a pessoa física. Mais importante do que dobrar literalmente é a pessoa perceber que ela pode aumentar muito, 50%, 70%. Isso já é formidável.

Você aplica nas carteiras que recomenda?

Eu nasci nesse ambiente. Meu pai era do mercado financeiro. O George Soros costuma dizer que é um “animal do mercado”. Guardadas as devidas e gigantescas proporções, essa expressão cabe a mim. Eu comecei a comprar ação com 14 anos de idade. Eu trato isso como uma vocação. Eu nunca sequer pensei em fazer outra coisa. Isso facilita bastante as minhas análises. O mercado financeiro está em mim de uma forma intuitiva. O que eu aprendi negociando ações em 22 anos é o que me dá vantagem nesse negócio em relação à média do mercado.

A Empiricus tem 360 mil assinantes. É possível crescer ainda mais?

Escala é fundamental para o sucesso. Temos 34 analistas aqui pensando full time nas estratégias de investimento. Sem uma equipe grande e boa não dá para acertar tanto. Com essa escala, a Empiricus consegue mover o mercado. O que a gente escreve faz preço nos ativos. Se a gente recomenda, ação sobe. Se paramos de recomendar, a ação cai. Então todo mundo quer falar com a gente, o que nos coloca em vantagem, porque informação é dinheiro nesse mercado.

Vocês pretendem avançar para outras áreas?

Esses 360 mil assinantes gostam da gente porque ganharam dinheiro. Agente precisa criar um ecossistema inteiro fechado. Eu quero ter um research independente que possa ser executado com um clique. Eu preciso ter uma corretora aqui do lado que vá executar as minhas idéias. Isso só vai parar de pé se eu não cobrar corretagem e se a corretora tiver o mesmo rebate (taxa de administração) para todos os fundos.

Essa corretora será parte da Empiricus ou uma empresa parceira?

Já temos uma parceria há dez meses com a Vitreo, uma corretora cujos sócios são o Paulo Lemann, o Patrick O’Grady e o Alexandre Aoude. Essa gestora executa a parte das nossas idéias para 40 mil clientes e já está com R$ 2,4 bilhões sob gestão. Hoje aa parceria é comercial: eles pagam por anúncio publicitário na Empiricus. A ideia é que a gente esteja cada vez mais junto.

Como você avalia o governo Bolsonaro?

Se você julgar o governo pelo que ele fala, é péssimo. Eu nunca vi um governo se expressar tão mal, principalmente o Bolsonaro e a “família real”. Só que isso, em termos pragmáticos, representa muito pouco. Do ponto de vista prático, eu acho o governo formidável. A agenda econômica talvez seja a melhor da história. A reforma da Previdência, todo mundo tentou e ninguém fez. Se passar a tributária, a mesma coisa. Há uma forte agenda de privatizações. O ganho de produtividade que pode vir com a privatização da Eletrobrás é absurdo. E um governo muito bom, que acaba subdimensionado porque o discurso é muito ruim.

Você investe em cirptoativos?

Eu me interesso por critomoedas porque estão associadas a tecnologias realmente disruptivas. As empresas mais valiosas do mundo só chegaram onde estão por causa da tecnologia. Em termos de ativo, a criptomoeda traz uma possibilidade de retomo extraordinário. Aposte centavos para ganhar dólares. Se você põe R$ 100 em bitcoin e vem uma porrada negativa, você perde no máximo R$ 100. Mas se vem uma porrada positiva, você pode ganhar muito. Então eu acho que todo mundo deveria aplicar alguma coisa do portfólio de investimentos em criptomoeda. Ele é um excelente diversificador, que pode aumentar o retomo dentro de um dado grau de risco.

O Brasil está atrasado nas criptomoedas?

Aqui a influência do sistema financeiro tradicional é muito grande. Além disso, não somos um grande polo tecnológico. Não somos o Vale do Silício, nem Israel, nem a China. Aposição do Brasil é aguardar a regulação externa para definir a própria. Como moeda de troca, do varejo, ainda falta maturação. Acredito que a Wibx fará esse papel, para o qual foi prensada. Temos confiança de que ela pode se tornar importante.

Por Celso Masson, na Isto É Dinheiro


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sexta-feira, 18 de outubro de 2019

ARTIGO - O que aprendi sobre chatbots na China


Há pouco tempo fiz uma viagem de 14 dias à China, com foco em aprender mais sobre o uso de tecnologia por lá e comparar com o cenário brasileiro. Foi aí que me deparei com descobertas impressionantes. A interessante e muito propícia união da disciplina oriental com a criatividade na resolução de problemas logo me chamou a atenção. Esse conjunto resulta em um trabalho focado, que não reduz o ritmo diante de adversidades e que, soma do a uma população de 1,3 bilhão de pessoas e um PIB de 13 trilhões de dólares em 2018, é capaz de causar um alto impacto.


Conheci de perto cerca de 20 empresas durante esse período, já que o motivo principal dessa viagem era observar iniciativas chinesas disruptivas em diversos setores, em especial aquelas que focam na Inteligência Artificial para serviços de interação e suporte aos clientes. Logo na chegada, já pude ver o quanto essas questões são cotidianas para os chineses: no hotel, por exemplo, havia uma concierge robótica encarregada do serviço de quarto. Ao receber um pedido, ela pega o elevador sozinha para fazer a entrega ao hóspede. Visitamos algumas empresas que desenvolvem robôs para atendimento a clientes.

Inicialmente detectamos que cada uma dessas empresas é bem focada em um determinado nicho ou segmento de mercado. Vimos empresas focadas em robôs para atendimento de estudantes que querem entrar na faculdade, robôs para atender pais de crianças que estão nas escolas, ou empresas focadas em robôs para serviços de cobrança e oferta de produtos financeiros. Somente na região de Beijing (Pequim) estima-se exis tirem 500 startups focadas em desenvolvimentos de robôs com funcionalidades de entendimento de linguagem natural (NLP) para atendimento a usuários de um segmento do mercado.

É impressionante a qualidade que algumas empresas têm atingido com seus atendimentos por voz sem aquele característico sotaque robótico que muitas vezes incomoda os usuários. Uma das fintechs que visitei, a Du Xiaoman, fintech da Baidu avaliada em 2018 em mais de US$ 3,6 bilhões, tinha mais de 6.000 bots ligando para clientes com diversos propósitos, a fim de gerenciar seus empréstimos e em alguns testes que vi, os clientes nem percebiam que falavam com um robô. Somente essa fintech já tinha mais de 80 bancos clientes usando sua tecnologia.

Essa tendência vai ao encontro da pesquisa da Digital Consumer Survey de 2017, da Accenture, que mostrou que 46% dos consumidores dos Estados Unidos estavam usando assistentes digitais de voz, enquanto na China esse número era ainda maior, chegando a 55%. Nos últimos anos, as tecnologias por voz na China, especialmente aquelas relacionadas a reconhecimento e geração de fala, receberam altos investimentos. Enquanto no resto do mundo esse mercado cresceu 30% entre 2016 e 2017, na China esse crescimento foi de 70%. Além disso, somente no ano passado, o mercado “smart-voice” estava estimado em 2,3 bilhões de dólares. Para se ter uma dimensão melhor disso, o mercado global estava estimado em 6,2 bilhões, de acordo com a Zion Market Research.

Estamos em um momento em que as grandes plataformas no Ocidente começam a se abrir para facilitar conversas entre empresas e consumidores, algo já muito avançado no país asiático. Os canais de comunicação entre pessoas e empresas seguem se modernizando e convergindo para oferecer cada vez mais facilidade e simplicidade. Em pouco tempo, nosso jeito de comprar, pagar e nos relacionar com marcas será totalmente diferente. Agora, é correr para não ficar para trás da revolução. Os chineses estão, literalmente, trabalhando nisso enquanto dormimos.

Por Eduardo Henrique, na Revista Isto É Dinheiro  





quinta-feira, 17 de outubro de 2019

América Latina é responsável por 20% das perdas de alimentos no mundo




A América Latina concentra 9% da população global, mas é a região responsável por um quinto das perdas de alimentos (foto: Adauto Cruz/CB/D.A Press)

América Latina e o Caribe são responsáveis de 20% da comida que se perde no mundo desde a colheita até sua chegada aos postos de vendas, segundo um informe da oficina regional de FAO revelado nesta segunda-feira.

O Índice de Perda de Alimentos desenvolvida pela FAO permite aos países medir a quantidade de alimentos perdidos depois da colheita e durante o armazenamento, transporte e processamento, mas sem incluir o nível da venda no varejo (ou quando chega aos supermercados e lojas), quando a perda se transforma formalmente em desperdício.

Com somente 9% da população global, a região é responsável por um quinto das perdas de alimentos.

Concentrando-se somente nas perdas que ocorrem na América Latina e no Caribe, segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), a região perde 12% de seus alimentos, inferior à média global de 14%.

No mundo todo, de acordo com o relatório, as causas da perdas de alimentos diferem amplamente ao longo da cadeia de fornecimento. Nas fazendas, por exemplo, a maior parte das perdas acontece por "cultivar no momento inadequado, por más condições climáticas, práticas erradas no cultivo e no manejo, e desafios na comercialização dos produtos".

Quanto ao armazenamento, práticas equivocadas geram uma vida útil muito mais curta em alguns produtos. "Um armazenamento em frio adequado pode ser crucial para evitar perdas quantitativas e qualitativas de alimentos", adverte a FAO.

Durante o transporte, uma boa infraestrutura física e uma logística comercial são determinantes para evitar a perda de alimento, enquanto que um processamento correto pode desempenhar um papel importante na conservação dos alimentos.

Do Correio Braziliense



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quarta-feira, 16 de outubro de 2019

ESTRATÉGIA – Vapor de mudança



Com redução de fumantes, a Philip Morris e suas concorrentes buscam nos cigarros eletrônicos um recomeço. Mas a segurança ainda está em discussão

A lista das empresas que precisam se reinventar neste início do século 21 é longa. A indústria de alimentos corre para reduzir o açúcar e a gordura da comida. As redes varejistas prestam serviços de marketing e logística para pequenos comerciantes usarem suas lojas virtuais. Mas como se reinventa um produto que, segundo a Organização Mundial da Saúde, mata até metade de seus consumidores, como o tabaco?
É o que a Philip Morris, maior fabricante do planeta, fundada em 1847 em Londres — mas hoje uma empresa americana — e dona de marcas como Marlboro e L&M, tenta descobrir. Em jogo, um mercado global com 1,1 bilhão de clientes e 700 bilhões de dólares de faturamento por ano. No Brasil, além dos 18 milhões de fumantes, há 149.000 plantadores de fumo, fazendo do país o segundo maior produtor e maior exportador mundial. O Brasil é fundamental na reestruturação da Philip Morris — e nos debates sobre o futuro da indústria.
A mudança da empresa por aqui começa pelo endereço. A Philip Morris acaba de transferir a sede de Curitiba para São Paulo. O novo escritório, no bairro de Itaim Bibi, tem decoração colorida, ao estilo das startups. O objetivo é absorver a cultura da inovação do centro econômico do país, segundo Manuel Chinchilla, presidente da Philip Morris Brasil. Contando 26 anos no setor e com passagem por dez países, o hondurenho assumiu a subsidiária brasileira em 2018. Foi incumbido de abrir o mercado para o produto visto pelo setor como a salvação conforme o hábito de fumar perde força: um dispositivo que aquece o tabaco, sem queimá-lo. “Vivemos um momento de transformação. O produto que vendemos hoje faz mal e queremos parar de vender. Estamos investindo muito no desenvolvimento de novas categorias”, diz Chinchilla na primeira entrevista exclusiva no cargo.
Só há um problema. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a venda de cigarros eletrônicos no Brasil em 2009. Como o produto virou febre nos Estados Unidos e na Ásia, e os brasileiros conseguem trazê-lo de fora ou compram de importadores ilegais, a Anvisa abriu neste ano duas consultas públicas para rediscutir a legislação. Há basicamente dois tipos de cigarro eletrônico, que em geral se parece com uma caneta. Um recebe uma carga líquida de nicotina. O outro tem refil semelhante a um cigarro comum, mas recheado de um tabaco diferente (as folhas de fumo são prensadas em uma bobina, e não picadas). Ambos usam um mecanismo elétrico alimentado por bateria recarregável que apenas aquece a carga soltando um vapor — e não fumaça. Por isso, também são chamados de vaporizadores, ou vaporizers em inglês.
A Philip Morris só fabrica o segundo modelo, batizado de Iqos, que custa cerca de 100 dólares, com recargas no mesmo preço de um maço de cigarros comum. A empresa diz que pesquisas próprias nos últimos 20 anos mostram que é a queima do tabaco no cigarro a culpada por produzir as cerca de 4.700 toxinas que se espalham pelo pulmão do fumante. Já o aquecimento a até 350 graus Celsius libera principalmente nicotina, por isso a Philip Morris oferece o Iqos a quem pretende parar de fumar gradativamente ou reduzir os danos à saúde. De 2000 a 2016, a parcela de fumantes no planeta diminuiu de 27,7% para 20,5%. No Brasil, graças a políticas restritivas, recuou para 9,3% em 2018. Em 2025, 17,7% da população mundial será fumante, segundo a Organização Mundial da Saúde.
Mas os vaporizadores são de fato menos nocivos do que os cigarros tradicionais? Ainda não há pesquisas independentes que provem. “É bom lembrar que, no passado, as fabricantes também venderam a ideia de que os cigarros light são menos danosos. E não é verdade”, diz Monica Andreis, diretora da organização não governamental ACT Promoção da Saúde. Com mais furos nos filtros, os cigarros light facilitam a penetração de partículas nocivas mais finas nos pulmões. Outro sinal amarelo agora é a atração que os vaporizadores exercem sobre os jovens. A parcela de fumantes americanos no ensino médio subiu de 12% para 21% de 2017 para 2018 com a proliferação dos vaporizadores, especialmente os de carga líquida.

O fabricado pela californiana Juul Labs, parecido com um pen-drive, detém 76% do mercado americano. Cargas com aromas de manga e piña colada são chamarizes para os adolescentes. Mais grave: no mercado negro é possível comprar cápsulas de óleos ilegais, como o tetraidrocanabinol (THC), principal substância psicoativa da maconha. Ela foi relacionada a 78% dos casos de uma misteriosa doença pulmonar que matou 21 pessoas nos Estados Unidos e mandou 1.080 ao hospital desde abril. A agência reguladora Food and Drug Administration pediu em outubro aos usuários para não comprarem refis com THC.
Com a Juul sob ataque, a Philip Morris acelera. A companhia aberta, que tem entre os maiores acionistas os fundos de investimento Vanguard e State Street Global Advisors, conseguiu a liberação para vender o Iqos nos Estados Unidos e iniciou a comercialização neste mês. A empresa está estagnada. A receita de 29,5 bilhões de dólares é praticamente a mesma de 2014. O lucro de 11,8 bilhões de dólares é inferior aos 13 bilhões obtidos há cinco anos — ainda assim, uma alta rentabilidade. Na América Latina, o faturamento, de 3,2 bilhões de dólares, e o lucro, de 1,2 bilhão de dólares, mantiveram-se nos níveis de 2014. O Iqos, vendido em 48 países, já responde por 14% da receita mundial, compensando parte da perda com o cigarro comum. No Japão, a participação de mercado do Iqos é de 16,6%.

Para tentar liberar os cigarros eletrônicos no Brasil, a Philip Morris e seus concorrentes defendem uma regulamentação rígida, como a dos cigarros convencionais. Isso ajudaria a evitar uma epidemia semelhante à vista nos Estados Unidos. É também o caminho, segundo a empresa, para dar novo impulso à Região Sul do Brasil, que concentra a produção de tabaco. A companhia diz que a fábrica na cidade gaúcha de Santa Cruz do Sul, 150 quilômetros a noroeste de Porto Alegre, está operando abaixo da capacidade e poderia abrigar uma linha para produzir o tabaco usado no Iqos. A concorrente Souza Cruz, líder do mercado brasileiro e dona da marca Hollywood, acha que é muito cedo para falar em mudanças. “Não sabemos se e quando a regulação vai mudar”, diz Liel Miranda, presidente da Souza Cruz. “Mas queremos fazer parte da solução.”

Com menos fumantes no mundo, cerca de 37.000 produtores de tabaco sulistas deixaram o setor nos últimos dez anos, diminuindo o número em 20%, e a área plantada em 22%, para 289.000 hectares. Ainda assim, o setor responde por 30% da arrecadação de impostos em cidades como Santa Cruz do Sul. EXAME visitou a região. Os agricultores têm buscado a diversificação, plantando milho e feijão e criando aves. O Ministério da Agricultura pretende lançar até o fim do ano um programa de cultivo de plantas para a extração de óleos essenciais, como alecrim e lavanda.

Vai ser difícil compensar a retração do setor de tabaco. Como a indústria fornece insumos e se compromete a comprar a safra, o fumo tem margem de lucro maior e menor instabilidade. “Defendemos a cadeia do tabaco pelo impacto econômico, mas sabemos que é necessário pensar em alternativas”, diz Angelo Hoff, pró-reitor de extensão e relações comunitárias da Universidade de Santa Cruz do Sul. Procurada, a Anvisa afirma que não estabeleceu prazo para decidir se mudará as normas, mas a indústria espera uma resolução até o fim de 2020. Enquanto isso, os plantadores reclamam da má fama. “Em termos de prejuízo à saúde, as petroleiras também deveriam ser responsabilizadas pelos danos causados pela poluição”, diz Benício Werner, presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil. Mais do que buscar outros culpados, a indústria foi atrás de soluções. Falta convencer o governo — e os consumidores.

Só o contrabando cresce

A parcela de cigarros importados ilegalmente dispara para 57% dos 111 bilhões vendidos em 2019 no Brasil
Com a diminuição do número de fumantes no Brasil, indústrias como a Philip Morris e a Souza Cruz têm reduzido a produção. Mas um segmento desse mercado não para de avançar: o contrabando. A parcela de cigarros ilegais no mercado disparou para 57% dos 111 bilhões de cigarros já vendidos no Brasil em 2019, ante 48% em 2017, segundo um levantamento do Ibope para o Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco).
A maior parte do material contrabandeado vem do Paraguai, onde 30 fábricas produzem os cigarros trazidos ao Brasil de maneira ilícita. A principal explicação para a alta no contrabando é o aumento de impostos. A carga sobre o maço no país pode chegar a 90%. No Paraguai, os cigarros são taxados em 18%, resultando num preço de comercialização no Brasil entre 2 e 3 reais por maço, ante mais de 7 reais do artigo legalizado. Elevar os preços dos cigarros é uma medida para diminuir o consumo sugerida pela Organização Mundial da Saúde.

Doenças relacionadas ao tabagismo matam 7 milhões de pessoas no mundo por ano e custam 1,4 trilhão de dólares aos cofres públicos. No Brasil, as mortes são da ordem de 30.000 por ano, com custos para o sistema de saúde e previdência social de 57 bilhões de reais, segundo dados do governo. “Os impostos não precisam ser tão altos, porque só beneficiam os criminosos. O país deixa de arrecadar 8 bilhões de reais por ano em impostos por causa do contrabando”, diz o advogado Rodolpho Ramazzini, diretor de comunicação da Associação Brasileira de Combate à Falsificação.

O ministro da Justiça, Sergio Moro, criou neste ano um grupo de trabalho para estudar a possibilidade de reduzir os impostos. O relatório não chegou a uma conclusão. Especialistas de saúde pública que participaram da discussão disseram que uma eventual diminuição da taxação poderia elevar o número de fumantes, enquanto a Receita Federal e as polícias federal e militar defenderam a medida para reduzir o contrabando. Enquanto uma solução definitiva não vem, o documento defendeu apostar mais na repressão policial, em acordos bilaterais com os países envolvidos e na conscientização da população. “O consumidor do cigarro clandestino precisa saber que está financiando as mesmas quadrilhas que contrabandeiam drogas e armas”, afirma Edson Vismona, presidente do Etco.
Por Denyse Godoy, na Revista Exame.


Do Correio Braziliense Online


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terça-feira, 15 de outubro de 2019

'Não há mágica para o crescimento'



Um dos maiores bancos de investimentos do mundo, o Morgan Stanley tem perspectiva de crescimento do Brasil inferior a de seus concorrentes. Enquanto o mercado estima alta do PIB de 2,2% em 2020, o Morgan estima 1,7%. Mesmo assim, Alessandro Zema, que está à frente da instituição no Brasil, enxerga boas perspectivas para o País. "Não existe solução mágica para o crescimento sustentável: ele é lento e gradual", diz. "Tentamos soluções mágicas no passado e todas falharam."

Para ele, a agenda macroeconômica está correta e o País tem a maior agenda de privatizações do mundo, o que cria a perspectiva atraente. Zema afirma, ainda, que os investidores estrangeiros não estão fugindo do Brasil. Pelo contrário: participaram de metade das emissões do mercado de capitais este ano, que movimentaram quase R$ 60 bilhões, e estão de olho em aquisições. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Como o sr. vê o desempenho da economia em 2019?

Estamos vendo o alinhamento da política monetária e fiscal, o que tem gerado resultados superpositivos. Taxa de juros baixas, inflação sob controle, percepção de risco país pequena. Dito isso, o crescimento virá de forma gradual. A gente já começa a ver os primeiros sinais, como sair de uma geração formal de 20 mil empregos por mês no início do ano, para 50 mil agora. Temos visto mais concessão de crédito e os índices de confiança do consumidor estão lentamente voltando. Há sinais de que esse crescimento está começando a voltar, mas não será exponencial. Não existe solução mágica para criar crescimento sustentado. O governo está na direção correta e teremos sinais mais auspiciosos daqui para frente.

Promissores mesmo com o cenário externo?

A gente não consegue ficar isolado das tensões internacionais, mas estamos vivendo um momento mais interessante de Brasil do que nos últimos anos. O Brasil está pouco presente em portfólios de mercados emergentes e temos um potencial de atratividade de recursos muito maior do ponto de vista macro. Vivemos no Brasil o programa de privatização mais ambicioso globalmente. O governo está dizendo que está saindo de 135 empresas estatais para 12, até 2022. Aliado a isso, há programas de concessões, leilões de pré-sal e cessão onerosa. Estamos falando de um volume de recursos, que pode chegar a R$ 1 trilhão vindo para o Brasil.

A chegada de recursos depende de aprovações de reformas?

À medida que se vai avançando nessa agenda - e ainda há muita coisa a ser feita -, maior a atratividade do Brasil para investidores de fora. Este ano, as empresas fizeram emissão de dívidas no exterior 44% maior que no ano passado, atingindo US$ 20,8 bilhões. As emissões de ações este ano também cresceram muito. Tivemos quase R$ 60 bilhões e vamos ver pelo menos mais R$ 30 bilhões em operações até o fim do ano. A normalidade da política macro andando em consonância com a política fiscal tem feito com que a atratividade do Brasil para os investidores tenha aumentado.

Mas os estrangeiros não vieram...

Queria desmistificar a ideia de que os investidores estrangeiros estejam saindo do Brasil. Segundo a B3, o fluxo de saída de recursos estrangeiros da Bolsa foi de R$ 22 bilhões. Mas dos R$ 58 bilhões em emissões feitos este ano, os estrangeiros ficaram com 50%. Teve a saída de R$ 22 bilhões e uma entrada de R$ 29 bilhões. Por outro lado, houve uma saída de mercados emergentes como um todo de US$ 35 bilhões. Do Brasil, saíram US$ 2,8 bilhões ou R$ 11 bilhões. Foram fundos passivos que saíram de mercados emergentes como um todo. Não é movimento de Brasil. Quando se incorpora o fluxo com emissões de ações, há um fluxo líquido de R$ 17,6 bilhões até agora no País. O investidor gringo está vindo e existe potencial de atrair mais.

Os discursos polêmicos do presidente Jair Bolsonaro não afugentam investidores?

Os investidores estão preocupados com assuntos macroeconômicos e a perspectiva de bons fundamentos para o Brasil não escapa de sua atenção. O que faria eles virem mais para o Brasil? Mais crescimento do PIB. Desta vez, há uma agenda muito clara do que tem sido feito e do que será feito. Ela vai ser lenta, gradual, mas vai ser sustentável, diferente de outras oportunidades do nosso passado recente, quando a gente teve um pico de crescimento e custou muito mais depois.

Quais benefícios da privatização, além dos recursos com a venda dessas empresas?

O que pouca gente fala é que, uma vez privatizadas, essas empresas vão se tornar mais eficientes, gerar mais resultados e pagar muitos mais impostos do que quando eram estatais. Não é só a monetização em si com a venda das estatais. Para o setor público, é um valor bem maior que o beneficio imediato da venda.

Do Broadcast (as informações são do jornal O Estado de S. Paulo).






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