quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Brasil deve crescer 5% neste ano mas pode ter desaceleração forte em 2022, diz OCDE


   A economia brasileira deverá crescer 5% em 2021, mas em 2022 há riscos de forte desaceleração e o PIB do país deve aumentar apenas 1,4%, segundo previsões da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgadas nesta quarta-feira.

 

A expansão do PIB brasileiro deverá ficar pouco abaixo da média de crescimento da economia mundial neste ano, projetada em 5,6%, e poderá ser bem inferior à média global em 2022, estimada em 4,5%, de acordo com a organização.

A economia brasileira também deverá crescer menos em 2022 do que a de vários países da América Latina, como a Argentina (2,5%), Chile (2%), Colômbia (5,5%), Costa Rica (3,9%) e México (3,3%).

Em seu estudo sobre perspectivas para a economia mundial, lançado nesta quarta e publicado semestralmente, a OCDE, com sede em Paris, afirma que a aceleração da campanha de vacinação no Brasil contribuiu para a retomada do crescimento neste ano.

A atividade econômica também foi sustentada pelos programas sociais, como o auxílio emergencial, encerrado em outubro, que contribuíram para manter o consumo, e pelo investimento privado. Além disso, o aumento dos preços das commodities durou mais do que o esperado, impulsionando as exportações.

Por essas razões, a OCDE revisou para cima neste último estudo sua projeção de crescimento do PIB brasileiro neste ano, que era de 3,7% no relatório divulgado em maio, para 5% atualmente.

"Com o levantamento das restrições às atividades e o retorno à normalidade, a demanda interna acumulada pôde recuperar o atraso dos últimos meses", disse à BBC News Brasil Priscilla Fialho, economista especializada no Brasil do departamento de economia da OCDE.

Ao mesmo tempo, a OCDE alerta que o ritmo da recuperação da economia brasileira está desacelerando. A organização revisou para baixo sua estimativa de expansão do PIB do Brasil em 2022, que era de 2,5% e passou para apenas 1,4%, segundo o relatório divulgado nesta quarta.

"A revisão das projeções do PIB brasileiro para 2022 explica-se sobretudo pela desaceleração no final de 2021, que deverá persistir até meados do próximo ano, enquanto os gargalos nas cadeias de suprimentos da indústria se mantiverem, a inflação permanecer elevada e o Banco Central continuar o aperto monetário, com juros mais altos, como resposta à elevação dos preços", afirma Fialho.

Segundo ela, a recuperação da economia brasileira deverá voltar a acelerar progressivamente no segundo semestre de 2022, à medida que os gargalos na cadeia de suprimentos global desaparecerem. Também se prevê a recuperação do mercado de trabalho e a queda da inflação, decorrente das taxas de juros mais altas, que devem contribuir para melhorar o rendimento das famílias e sustentar a expansão do consumo interno.

Mas a OCDE ressalta que há "riscos importantes" de baixa para a previsão de 2022. Isso porque a crise hídrica pode durar mais tempo, o que leva ao aumento dos preços da energia, "resultando em inflação persistente e perspectivas de crescimento menores."

As incertezas políticas e o aumento do risco fiscal podem "minar a credibilidade" das regras fiscais, e resultar em inflação persistente e perspectivas de crescimento menor da economia brasileira no próximo ano, alerta o estudo da OCDE.

"Há muitas incertezas em relação a essas projeções. Não estamos, por exemplo, a salvo de uma nova crise sanitária e de novas restrições de mobilidade, como já se observa na Europa", afirma a economista da OCDE.

OCDE prevê que inflação no Brasil será de 7,8% em 2021; mercado financeiro estima 10,15%

Um crescimento mais fraco do que o esperado na China - estimado em 8,1% neste ano e 5,1% em 2022 e 2023 - também pode prejudicar o desempenho das exportações brasileiras.

Fialho afirma que a maioria dos fatores que explicam a inflação são temporais, como o aumento dos preços da energia elétrica por conta da crise hídrica e a falta de suprimentos que elevam os preços dos bens industriais.

Inflação

A OCDE prevê que a taxa de inflação no Brasil será de 7,8% em 2021, estimativa menor do que a dos mercados, que é de 10,15%, segundo a última pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central. Em 2022, a OCDE prevê que a inflação no Brasil será de 5,1%.

A organização afirma que as reformas fiscais também podem desempenhar um papel importante para conter as pressões inflacionárias. "Reforçar as regras fiscais aumentaria a confiança do mercado sobre o compromisso do governo de manter as finanças sustentáveis", diz o estudo.

Fialho ressalta que as incertezas em relação à política fiscal aumentam a percepção de risco nos mercados, o que afeta o câmbio e encarece as importações, o que também contribui para a inflação no Brasil.

"Por outro lado, as mudanças que afetem o teto de gastos e o quadro fiscal no Brasil podem também criar incertezas quanto à gestão das finanças públicas a longo prazo. Isso pode influenciar as expectativas de inflação, fazendo com que ela persista mais do que o esperado", diz a economista.

"Por isso, é importante haver alguma clareza sobre os planos fiscais a curto e longo prazos. É preciso reduzir as incertezas e aumentar a credibilidade das regras fiscais", completa.

A OCDE projeta ainda que a economia brasileira deverá crescer 2,1% em 2023 e recomenda maior eficiência nos gastos públicos brasileiros. "Isso criaria espaço para melhorar o equilíbrio fiscal e financiar as prioridades do governo", diz Fialho.

Segundo ela, o Brasil precisaria reduzir a rigidez orçamentária e revisar a vinculação de receitas, as metas de gastos obrigatórios e os mecanismos de indexação.

Desmatamento na Amazônia tem crescido desde o início do governo Jair Bolsonaro

A organização também recomenda que o Brasil adote políticas que promovam atividades sustentáveis em relação ao meio ambiente, que aumentariam a resiliência contra os choques climáticos.

"As considerações ambientais devem ser integradas de forma sistemática às políticas públicas, incluindo o planejamento do uso da terra", diz o relatório, acrescentando que subsídios para atividades poluentes, como a produção de combustíveis fósseis e pesticidas, devem ser progressivamente reduzidos.

A OCDE afirma ainda que é necessário fortalecer as agências que monitoram o cumprimento das leis ambientais. O governo do presidente Jair Bolsonaro é criticado por ter promovido o desmonte dos órgãos de controle na área.

Desequilíbrio global

A OCDE afirma em seu estudo que a economia global continua se recuperando, mas ressalta que a retomada é desequilibrada. De acordo com a organização, existem diferenças marcantes entre os países, que se reflete nas condições de saúde, combinação de políticas e setores econômicos.

Há uma grande escassez de mão de obra em algumas atividades, embora o nível de emprego ainda não tenha se recuperado totalmente. Há também um "abismo persistente" entre a oferta e a demanda de alguns produtos, além dos custos mais altos de alimentos e energia, que levaram a um aumento de preços mais elevado e duradouro do que o previsto, afirma o estudo.

Para a organização, os governos têm de lidar com um equilíbrio difícil entre continuar dando apoio para enfrentar a crise da Covid-19 e, ao mesmo tempo, levar em conta as finanças públicas, os riscos de inflação e os desafios de longo prazo após a crise sanitária.

"Esses desequilíbrios criam incerteza e mais riscos negativos do que positivos", ressalta a OCDE, acrescentando que suas perspectivas encaram o futuro com "otimismo cauteloso".

O cenário projetado pela organização é o de que a recuperação global continue, que o mundo lide melhor com a pandemia e que as políticas monetárias e fiscais permaneçam favoráveis de modo geral em 2022.

Após um crescimento médio do PIB mundial de 5,6% neste ano e de 4,5% em 2022, a OCDE prevê aumento de 3,2% em 2023, o que representa uma leve desaceleração.

Daniela Fernandes, BBC News


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quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

Ômicron representa risco global muito alto e mundo precisa se preparar, diz OMS


A variante ômicron do coronavírus deve se espalhar internacionalmente e representa um risco muito alto de surtos de infecção que podem ter "consequências graves" em alguns lugares...

 

É o que afirmou a Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta segunda-feira.

Nenhuma morte relacionada à variante ômicron foi registrada, embora mais pesquisas sejam necessárias para avaliar seu potencial de resistência à imunidade induzida por vacinas e por infecções anteriores, acrescentou.

Em antecipação ao aumento do número de casos à medida que a variante, relatada pela primeira vez na semana passada, se espalha, a agência da Organização das Nações Unidas (ONU) pediu aos seus 194 Estados-membros que acelerem a vacinação de grupos de máxima prioridade e garantam que os planos estejam em vigor para manter os serviços de saúde.

"A ômicron tem um número sem precedentes de mutações da (proteína) spike, algumas das quais são preocupantes por seu potencial impacto na trajetória da pandemia", disse a OMS.

"O risco global geral relacionado à nova variante... é avaliado como muito alto."

Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, fez o alerta no início de uma assembleia de ministros da Saúde que deve iniciar negociações sobre um acordo internacional para prevenir futuras pandemias.

"O surgimento da variante ômicron, altamente mutada, sublinha o quão perigosa e precária é a nossa situação", disse Tedros. "A ômicron demonstra exatamente por que o mundo precisa de um novo acordo sobre pandemias: nosso sistema atual desincentiva os países de alertar os outros sobre ameaças que inevitavelmente pousarão em suas costas."

O novo acordo global, previsto para maio de 2024, cobrirá questões como o compartilhamento de dados e sequenciamento do genoma de vírus emergentes e de quaisquer potenciais vacinas derivadas de pesquisas.

Stephanie Nebehay, Reuters


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