segunda-feira, 3 de agosto de 2020

UM TÚNEL PARA O FUTURO



Recém-inaugurada, tem quase o tamanho do Estádio do Pacaembu e também deve acelerar pesquisas que vão de remédios a biocombustíveis

A foto chegou ao WhatsApp dos colegas no fim da tarde do dia 10. Apesar das máscaras, era fácil perceber o sorriso de Ana Carolina Zeri e Andrey Nascimento, pesquisadores do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) ,em Campinas. Eles posavam ao lado de uma tela, onde se via um pequenino cristal escuro sobre um fundo verde-claro. Era uma amostrada proteína 3CL concentrada, uma molécula essencial para a replicação do novo coronavírus. Na manhã seguinte, dia 11 de julho, um sábado, o time do LNLS viveria um momento histórico: eles iluminaram aquela amostra com um raio-x superpotente (bilhões de vezes mais forte que um de hospital) para produzir uma imagem tridimensional de alta resolução da proteína. Era a primeira vez que a 3CL era observada por aquele ângulo e com tantos detalhes. Era também a primeira imagem feita pelo Sirius, a maior e mais complexa estrutura científica do país, um acelerador de elétrons quase do tamanho do Estádio do Pacaembu que promete incluir o Brasil na primeira divisão da pesquisa nos próximos anos.


O Sirius é primo dos famosos aceleradores de elétrons europeus, como o CERN, na Suíça. Mas, ainda que sirvam para acelerar elétrons, eles são parentes distantes. A tecnologia europeia é um“acelerador colisor”, ou seja, ela impulsiona as partículas até quase a velocidade da luz para chocá-las umas contra as outras. No equipamento brasileiro, um “acelerador de luz síncrotron”, não existe colisão. Os elétrons apenas giram em círculos, dentro de um túnel de vácuo — eles dão 600 mil voltas por segundo no percurso de 518 metros. Desse túnel circular, partem “braços” para onde é desviada a valiosa luz síncrotron, que consegue fazer imagens de alta precisão de estruturas muito pequenas, do tamanho de poucos átomos.

Outra diferença é que o Sirius é mais barato e tem aplicações mais voltadas ao dia a dia das empresas e da sociedade. Os colisores custam dezenas de bilhões de dólares e buscam responder a questões fundamentais da ciência (o CERN estuda partículas ligadas à origem do Universo). O equipamento brasileiro custou 1,8 bilhão de reais, pagos pelo governo federal, e serve para desenvolver tecnologias que vão de remédios contra o câncer a equipamentos para o pré-sal. “O escopo de pesquisa de um acelerador síncrotron é extremamente amplo. É uma ferramenta ‘estruturante’ para a ciência do país”, diz Antônio José Roque, diretor do CNPEM, o conjunto de laboratórios públicos de alta tecnologia onde fica o Sirius.

O Sirius começou a ser construído em 2015. Ele substitui o UVX, um gerador de luz síncrotron feito nos anos 1980 que ficava no mesmo câmpus e foi desligado no ano passado. Tinha sido o primeiro acelerador do tipo no Hemisfério Sul e ainda era o único da América Latina, mas estava obsoleto. Era um equipamento de segunda geração, enquanto o Sirius é de quarta. O brilho da máquina nova (e essa é apenas uma de suas vantagens técnicas) é bilhões de vezes superior ao da antiga. Existem apenas outras duas semelhantes no mundo, o sueco MAX IV e o europeu ESRF, porém, sob diversos aspectos, o Sirius é o mais moderno. “Durante uma janela de dois ou três anos, teremos o acelerador de luz síncrotron mais avançado do mundo, o que vai atrair pesquisas internacionais”, diz Marcelo Knobel, reitor da Unicamp e membro do conselho do CNPEM. “A comunidade científica global está ansiosa.”

A primeira estação de pesquisa do Sirius, chamada Manacá, inaugurada no dia 11, será dedicada exclusivamente ao coronavírus por alguns meses. “Poderemos saber como possíveis fármacos interagem com aquela e outras proteínas do vírus”, diz Kleber Franchini, diretor do Laboratório Nacional de Biociências, que fica no mesmo câmpus e coordena o estudo. A segunda estação, batizada de Cateretê, deve ficar pronta em agosto. O plano é que seis estejam em operação até o fim do ano. O prédio comporta 38 estações.

Apesar do nome espinhoso, não é difícil entender a luz síncrotron. Ela é uma luz de alto brilho e “amplo espectro”, o que significa que pode alcançar frequências como a ultravioleta, a infravermelha e a do raio-x — usado para iluminar a 3CL, por exemplo. É a única maneira de observar a organização dos átomos em uma molécula com esse nível de qualidade. Por isso ela pode ser usada para pesquisas de temas tão variados.

No antigo UVX, aconteciam cerca de 400 projetos por ano, selecionados a partir de uma fila de interessados em usar o equipamento. A maioria eram iniciativas acadêmicas, mas dezenas de pesquisas envolviam empresas — nesse caso, as marcas pagam pelo uso da estrutura. O laboratório Aché, por exemplo, usava o velho acelerador para estudar uma molécula que pode virar um remédio para o câncer. A Braskem desenvolveu um material para coletes à prova de balas a partir do polietileno, o mesmo dos frágeis saquinhos de supermercado. A Natura aprimorou cosméticos, a Petrobras estudou a viscosidade de rochas, a Embrapa buscou compreender solos brasileiros e assim por diante. “Testamos 5 000 amostras e encontramos quatro ou cinco moléculas muito promissoras para o tratamento de um tipo específico de câncer”, diz Stephani Savério, diretor de inovação da Aché (um laboratório brasileiro, por sinal). “Agora vamos continuar as pesquisas no Sirius, com muito mais qualidade de imagem, o que aumenta nossas chances”, ele explica. Desde a abertura, o Sirius já recebeu três propostas de novas pesquisas.

Antes mesmo de funcionar, o Sirius deu um enorme impulso para dezenas de empresas do país. Quando o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações decidiu construir o laboratório, em 2009 (governo Lula), fez uma exigência: que a maior parte dos equipamentos fosse fabricada pela indústria nacional. Na época, os pesquisadores não gostaram. “Diversos colegas me disseram que seria impossível fazer o projeto daquela maneira”,diz Harry Westfahl Junior, diretor do LNLS. O índice de nacionalização do acelerador acabou sendo de 85%. Hoje, os cientistas elogiam a decisão. “Além de desenvolver a indústria brasileira de ponta, a construção ficou mais barata e será mais fácil fazer a manutenção”, ele diz.

Um resultado dessa estratégia foi a parceria entre o Sirius e a WEG, fabricante catarinense de motores, que faturou 13,3 bilhões de reais no ano passado. A marca produziu os cerca de 1.100 eletroímãs de alta precisão usados no acelerador (eles servem para guiar a trajetória dos elétrons). A empresa, de antemão, não sabia fazer esses equipamentos. “Tivemos de buscar um conhecimento novo”, diz Eduardo Ramos, responsável pelo projeto na WEG. “Conseguimos criar um eletroímã mais sofisticado que o dos concorrentes chineses, europeus ou americanos. Passamos a receber sondagens de empresas do exterior, interessadas no equipamento”, ele conta.

O próprio prédio do Sirius, projeto do arquiteto Paulo Bruna, demandou avanços técnicos no país. A estrutura de 68.000 metros quadrados (o Estádio do Pacaembu tem 75 000) é o edifício mais estável do Brasil. Qualquer possível vibração é amortecida, para não perturbar a trajetória dos elétrons — até os canos de água têm molas especiais. Mesmo o trepidar dos carros que passam na estrada Campinas-Mogi precisou ser levado em conta.Mas talvez o aspecto mais singular do projeto tenha sido o esforço para inaugurá-lo em meio à pandemia. Nas últimas semanas, quase uma centena de pesquisadores fez os últimos ajustes nos equipamentos por chamadas de vídeo e testes remotos. Apenas cerca de dez funcionários essenciais iam ao Sirius instalar ou ajustar os aparelhos. “Fizemos o possível para não perder o prazo (a data inicial acabou adiada em apenas dois meses), porque sabíamos que será uma ferramenta importante contra o vírus”, diz Westfahl Junior. “O que vai importar serão as nossas ideias, a ciência que vamos produzir nele”, complementa ele.

Além do Sirius, existem apenas dois aceleradores de luz síncrotron de quarta geração — aqueles capazes de produzir um brilho até bilhões de vezes superior ao de equipamentos mais antigos. O primeiro a ser construído foi o sueco MAX IV (à dir.), em 2016. No Sirius, o feixe de elétrons tem a metade da espessura obtida no MAX IV, o que é uma vantagem. “Além disso, nossas estações de pesquisa são mais modernas”, diz Harry Westfahl Junior, diretor do LNLS. O outro acelerador de quarta geração é o ESRF (à esq.), na França, que pertence a um consórcio de países europeus. Ele era um equipamento de terceira geração, que acaba de ser reformado e reinaugurado.

Por Pedro Carvalho, na Revista Veja

 

 






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domingo, 2 de agosto de 2020

No foco do Zoom - Empresa americana de videoconferência se torna febre na pandemia

 

Empresa americana de videoconferência se torna febre na pandemia e tem planos para o Brasil após registrar aumento de 2.900% no número global de usuários diários.

As academias fecharam as portas em março por causa da pandemia da Covid-19. Henrique Zola, proprietário da Cross São Caetano, na Grande São Paulo, começou a promover aulas on-line para manter as atividades, os alunos e o negócio em pé. “Foi a forma que arrumamos para continuar com os nossos serviços”, afirmou o coach. Os escritórios encerraram as atividades presenciais. André Zukerman, CEO da companhia de leilões que leva seu sobrenome, manteve o contato com fornecedores, clientes e seu time de forma remota. “Usamos as videoconferências e foi incrivelmente bom.” As escolas interromperam as aulas. Rodrigo Aquino, fundador da LeanIT, empresa de educação corporativa, tinha todos os 28 treinamentos e consultorias com realização in loco, em cinco estados (Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo). A relação com os clientes e as reuniões com seus colaboradores agora são virtuais. “Não perdemos negócios e abrimos margem para sermos mais flexíveis”, disse. Zola, Zukerman e Aquino escolheram o Zoom Video Communications para dar continuidade ao trabalho.

São três profissionais que usaram a ferramenta de videoconferência pela primeira vez. Por necessidade. Fazem parte do grupo de centenas de milhões de pessoas no mundo que passaram a utilizar a plataforma recentemente. Em dezembro, o Zoom tinha 10 milhões de usuários diários. Em abril, 300 milhões. Aumento de 2.900%. Os brasileiros aderiram em massa. O que faz o Zoom focar sua atuação para o País, onde já procura espaço para instalar escritório. O momento da companhia é de fortalecer os investimentos e se apoiar no mercado latino-americano, que tem o Brasil como player regional dominante, nas palavras de Abe Smith, head of international do Zoom. Ele é o responsável por novos negócios fora dos Estados Unidos e do Canadá. “Sendo a nona maior economia do mundo, temos o Brasil como um país importante para nossos planos globais”, disse com exclusividade à DINHEIRO.

O desembarque do Zoom no Brasil deve ser pelo estado de São Paulo, onde a companhia possui um de seus 17 servidores de dados instalados em todo o mundo. É também no território paulista que está alocado o primeiro funcionário brasileiro contratado pelos americanos. O engenheiro de soluções já está em processo de onboarding na companhia e vai encabeçar o plano de entrada no Brasil. A empresa não autoriza qualquer pronunciamento dele e nem sequer revela seu nome, por questão do compliance. Nos Estados Unidos, o Zoom possui cinco funcionários que falam português. O planejamento do ingresso no Brasil inclui a expansão dos negócios com aumento da conversa com usuários, clientes privados e investidores. O setor público é outro alvo da companhia, um espaço importante a ser ocupado. O Zoom foca em números: 210 milhões de habitantes, 5.570 municípios, 26 estados mais Distrito Federal. São milhares de empresas públicas e autarquias. Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgados ano passado, municípios, estados e governo federal possuem juntos 11,4 milhões de funcionários.

Ao atuar mais assiduamente no País, seja na iniciativa privada ou no setor público, o Zoom oferece a praticidade de realizar videoconferência para melhorar a rotina e os negócios. Como consequência, um dos argumentos usados para conquistar o mercado local é minimizar um dos maiores gargalos dos grandes centros urbanos: o trânsito. Abe Smith mostra estar familiarizado com a capital paulista ao citar sua precária mobilidade. “Se você também considerar o congestionamento do trânsito em São Paulo, pode demorar 90 minutos ou mais para atravessar essa megacidade de carro”, afirmou.

Reduzir tempo e reduzir custos. A partir do uso do Zoom, os gastos com deslocamentos pelas cidades, viagens, refeições, estacionamento e outras despesas caíram na empresa de treinamento de gestão de Rodrigo Aquino. “A economia girou entre R$ 50 mil e R$ 80 mil”, disse o CEO da LeanIT, que contratou o Plano Profissional, no valor de US$ 14,99 por mês. Ele inclui até nove anfitriões por conta, participação de 100 pessoas por reunião, limite de duração da conferência de 24h, relatórios, ID personalizado, 1GB de gravação em nuvem, entre outras ferramentas. Há ainda planos corporativos e empresariais que podem chegar a US$ 1.999,00 por mês. “Criamos grupos, dividimos as salas virtuais para dinâmicas diferentes. É fácil de usar, tem bom custo-benefício e atendeu as nossas expectativas”, afirmou.

André, da Zukerman Leilões, migrou os 60 colaboradores para home office. As reuniões gerais com toda a equipe eram realizadas semestralmente. Agora, ocorrem a cada semana, para atualizar metas, divulgar informativos e azeitar processos internos. Sem os deslocamentos do time, houve diminuição de gastos e, principalmente, ganhos em qualidade de vida e bem-estar dos funcionários, além de mais contato das pessoas com as famílias. “Melhorou o rendimento”, afirmou Zukerman. No pós-pandemia, a intenção é por um modelo híbrido, com mais trabalho remoto e menos presença no escritório - que será usado para cocriação de projetos, brainstorming e espaço para conversas privativas. Mudança do mindset. André Zukerman dizia ter repulsa por processos remotos. Dizia. Uma pesquisa da Robert Half, consultoria especializada em recrutamento e seleção para cargos de média e alta gerência, revelou que 86% dos profissionais brasileiros entrevistados gostariam de trabalhar remotamente com mais frequência no pós-pandemia. Exatamente a aposta do Zoom para prosperar por aqui. “O Zoom está capacitando a economia e ajudando as equipes a permanecerem sempre conectadas e trabalhando”, disse Abe Smith.

BOOM Smith foi contratado pelo Zoom em janeiro de 2019 para liderar o processo de crescimento da companhia fora da América do Norte, onde a marca já era forte. Na bagagem trazia experiência como gestor em grandes players da área tecnológica, como Cisco e Oracle. Apesar do otimismo que sempre permeia um novo desafio, não esperava uma ascensão tão rápida e vertiginosa em apenas um ano de trabalho. (E vamos combinar que não esperava, comom ninguém, uma pandemia da ordem da Covid-19). De janeiro a abril deste ano, o número de acessos ao recurso gratuito da plataforma cresceu 31 vezes no Brasil. As assinaturas a planos pagos, de clientes com mais de 10 funcionários, triplicaram no período. Sem divulgar os dados absolutos, a empresa abre somente que “o Brasil é um consumidor muito ativo dos serviços do Zoom, com crescente interesse mês a mês”.Nos Estados Unidos, o número de usuários móveis da plataforma no mês de março foi quase três vezes maior do que o do rival Microsoft Teams, que liderava o mercado de videoconferências, de acordo com a empresa de pesquisa Apptopia. O volume diário de usuários móveis do Zoom atingiu 4,84 milhões. O Teams foi usado por 1,56 milhão. “A plataforma cresceu pela facilidade de uso, que é intuitiva, qualidade na imagem e no áudio e estabilidade”, afirmou Sergio Yoshioka, representante institucional da Sociedade Brasileira da Computação e coordenador de cursos da área Computação e Tecnologia no Centro Universitário Salesiano de São Paulo.

Crescimento de uso potencializado pelo imponderável vírus da Covid-19, que deixou metade do planeta em algum tipo de quarentena. Ter mais usuários da plataforma significou automaticamente mais dinheiro no bolso do fundador e CEO do Zoom, Eric Yuan. O empresário sino-americano estreou este ano na lista de bilionários. Sua fortuna atual é estimada em US$ 7,8 bilhões de dólares. A companhia, criada em 2011 no Vale do Silício, na Califórnia (EUA), cresceu bastante em valor de mercado. Passou de US$ 26,1 bilhões em julho de 2019 para US$ 73,8 bilhões neste mês. Valorização de 182,7%.

Os negócios também avançaram de forma exponencial. A receita do primeiro trimestre foi de US$ 328,2 milhões, aumento de 169% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em apenas três meses, o Zoom faturou mais da metade de todo o exercício fiscal anterior, quando arrecadou US$ 622 milhões. Fechou contratos com 265,4 mil empresas com mais de 10 funcionários, crescimento de 354% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. São 769 clientes contribuindo com mais de US$ 100 mil em receita de 12 meses, um acréscimo de 90%.

Os números otimistas fizeram a companhia traçar projeção para triplicar o faturamento para este ano, alcançando US$ 1,8 bilhão. “Essa perspectiva de receita leva em consideração a demanda por soluções de trabalho remoto para empresas”, afirmou Abe Smith.

O Zoom aproveita o bom momento para lançar novos produtos e firmar parcerias com grandes marcas, para as quais oferece experiências inéditas. A mais recente é com a Fórmula 1. No domingo (19), no GP da Hungria, terceira etapa da temporada, a plataforma de comunicação por vídeo estreou o Virtual Paddock Club. O projeto oferece transmissão ao vivo para os convidados, por meio do Zoom. Os fãs, que estão proibidos de acompanhar as corridas nas arquibancadas dos autódromos, podem se sentir dentro do circo da F-1 ao assistir aos conteúdos em tempo real. “É a melhor maneira de recriar essa experiência esportiva VIP em casa”, afirmou Janine Pelosi, CMO do Zoom. Já existem conversas para expandir as possibilidades de uso do Virtual Paddock Club junto aos parceiros globais e equipes da categoria. Há possibilidade de criar um modelo híbrido virtual-presencial, para que a distância não seja mais uma barreira à hospitalidade esportiva.

 SEGURANÇA Com a ascensão meteórica do Zoom, também vieram as polêmicas. Como é recorrente com as novas tecnologias, a plataforma de videoconferência prezou inicialmente pela usabilidade e comodidade. A segurança ficou para segundo plano. Foi assim com os celulares. No início as chamadas eram facilmente captadas por terceiros com simples aplicações. Com o uso intensivo, as vulnerabilidades aparecem. No Brasil, o caso mais emblemático ocorreu no início de abril, quando a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu o uso da ferramenta por seus funcionários após sua equipe de tecnologia identificar, por meio de sites especializados, possibilidades de acesso não autorizado à câmera e ao microfone do usuário, viabilizando o roubo de credenciais e de informações trocadas nas reuniões.Pelo mundo, foram vários casos relatados de invasões de videoconferências por hackers, que publicaram imagens impróprias, de pornografia e violência. Roubos de senhas e exposição de vídeos privados dos usuários foram outros problemas detectados. Nos Estados Unidos, o FBI - a polícia federal americana - pediu para escolas, empresas e outras instituições evitarem a realização de reuniões abertas e divulgadas publicamente. Os episódios se tornaram tão populares que foi criado o termo ‘Zoom-bombing’.

Como antídoto, o Zoom colocou em prática três ações. A primeira delas foi transparência. O CEO Eric Yuan reconheceu publicamente as falhas. Disse que a companhia não conseguiu assegurar mecanismos adequados diante do aumento exponencial da base de usuários. “Nós admitimos que frustramos as expectativas de privacidade nossa e da comunidade. Por isso, peço desculpas e divido que estamos fazendo algo a respeito”, escreveu no blog da empresa em 1º de abril. A segunda medida foi a aquisição, em maio, da empresa Keybase, um serviço seguro de compartilhamento de arquivos e mensagens, para elevar a qualidade da segurança e acelerar o plano de criação da criptografia de ponta a ponta que possa alcançar a atual escalabilidade do Zoom - o que foi implantado neste mês de julho.

A terceira intervenção foi a contratação de Jason Lee como diretor de segurança da informação, no fim de junho. “O Zoom leva a segurança do usuário extremamente a sério”, disse Abe Smith, ao afirmar que um grande número de instituições globais - inclusive no Brasil - fizeram análises exaustivas da segurança das camadas de usuários, redes e datacenters e continuam a usar a plataforma.

Para o professor Sergio Yoshioka, da UniSal, um ambiente totalmente seguro na rede mundial de computadores ocorre apenas se não usar a internet. “O Zoom tem dado mostras ao mercado que está preocupado com isso e tem avançado em segurança.” Na análise de Paulo Gontijo, professor especialista em segurança da informação do Instituto de Gestão e Tecnologia da Informação (IGTI), o Zoom ainda tem sofrido com segurança, mas tem avançado. “É uma ferramenta com muita praticidade e muitos recursos. Para reuniões e aulas, é uma ótima opção. Agora, para encontro virtual entre chefes de Estados não seria recomendado”, disse.

Esse é um dos enfrentamentos do Zoom do presente. E deve ser contínuo. No futuro, o desafio é permanecer com esse modelo de negócio num cenário em que as pessoas voltam gradativamente ao seu local de trabalho. A febre do Zoom continuará ou se evidenciará temporária no pós pandemia? Os empresários Henrique Zola, André Zukerman e Rodrigo Aquino dizem que vão manter ao menos uma parte dos negócios com a utilização da plataforma. Indício de que não vai embaçar o foco dos planos de expansão do Zoom

Por Beto Silva, na Revista Isto É Dinheiro  

 

 

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sábado, 1 de agosto de 2020

Governo federal fica em penúltimo lugar em ranking nacional de transparência no combate à Covid-19


Estudo da Transparência Internacional Brasil avaliou informações de compras públicas de 54 entidades da federação; governo federal só perde para Roraima

SÃO PAULO - O governo federal aparece em penúltimo lugar no Ranking de Transparência no Combate à Covid-19, somente atrás de Roraima. O levantamento é elaborado pela Transparência Internacional (TI) Brasil e compara 54 entes federativos da União, entre prefeituras das capitais, governos estaduais e governo federal.

Com foco em medir a transparência das compras públicas durante a pandemia do novo coronavírus, o ranking avalia se as autoridades públicas proveem acesso pleno, ágil e fácil aos dados sobre contratações emergenciais. Considera também iniciativas de disponibilizar canais de comunicação para que a população possa fazer denúncias e solicitar outras informações que, a princípio, não estão disponibilizadas.

A TI Brasil divulga o estudo mensalmente desde maio, mas só incluiu dados do governo federal na edição lançada nesta sexta-feira.

A avaliação do governo federal, de 49,37 pontos, é menor do que todas as capitais e quase todas as unidades da federação. O desempenho considerado "regular" é dividido apenas com a Prefeitura de São Luís e o governo estadual de Roraima.

A TI Brasil identificou que a falta de um site que concentre informações sobre todas as contratações emergenciais realizadas pelo governo federal é uma das principais deficiências na transparência no combate à pandemia.

Para o coordenador de pesquisa da TI Brasil, Guilherme France, as informações de nível nacional não apresentam detalhamento suficiente e estão dispersas em vários sites com características diferentes. Concentrar todas as informações em um mesmo espaço facilitaria o controle social.

- O problema principal é a falta de organização sobre informações das compras realizadas. Isso dificulta até uma avaliação sobre a eficiência e eficácia do governo para fazer contratações. O TCU (Tribunal de Contas da União) já chamou a atenção do governo na semana passada para a falta de transparência - afirma France.

O pesquisador diz que o governo federal deveria aprender com prefeituras e estados que têm muito menos recursos disponíveis para o enfrentamento à pandemia, mas que dão maior transparência e facilidade de acesso aos dados locais.

- O ranking mostra que o problema não é a falta de recursos. É a falta de vontade política. Um primeiro passo para demonstrar essa vontade política seria organizar todas as informações num mesmo espaço. Não deveria ser preciso ser um especialista para entender dados sobre compras - diz ele.

France critica o que considera "repetidos sinais de que o governo federal não se preocupa com transparência e informações públicas". Ao longo da pandemia, por exemplo, mudanças constantes na forma de divulgação dos dados colocaram em dúvida a precisão dos dados disponibilizados.

Em resposta à decisão do governo federal de restringir o acesso a esses dados, os veículos O GLOBO, Extra, O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo, G1 e UOL decidiram formar um consórcio, no começo de junho, e trabalhar de forma colaborativa para buscar as informações necessárias nos 26 Estados e no Distrito Federal.

Procurado pelo GLOBO, o Ministério da Saúde rebateu a avaliação da TI Brasil. "Pelo contrário, além das informações de contratos e despesas estarem disponíveis no Portal da Transparência e publicações no Diário Oficial, o Ministério da Saúde ampliou informações sobre ações e cenários da pandemia por meio do site localizasus.saude.gov.br", respondeu a pasta em nota.

Prefeituras e governos estaduais

Entre as capitais, destacam-se João Pessoa, Macapá e Vitória, com desempenho ótimo. Ceará, Espírito Santo e Rondônia são os estados com melhor avaliação. Todos eles alcançaram os 100 pontos.

A atualização do ranking no mês de julho traz um panorama positivo para a transparência pública no Brasil. Desde maio, a média de desempenho das prefeituras e governos estaduais melhorou.

Dois meses atrás, no lançamento do ranking, as capitais tinham uma pontuação média de 46, e os estados, de 59. No mês seguinte, o mesmo critério subiu para 70 e 80, respectivamente. A última edição mostra um desempenho médio de 85 pontos tanto para prefeituras quanto para governos estaduais.

- É uma mudança drástica na avaliação. Houve interesse e boa vontade da maioria dos gestores em aperfeiçoar a transparência. Cerca de 90% dos entes avaliados nos procuraram para buscar sugestões de melhoria. Eles estão sendo muito cobrados pela sociedade e pela imprensa, e isso é bom - diz Guilherme France.

 

Por Guilherme Caetano, em O Globo Online  




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