quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Gestão, educação e autoritarismo.

  
A palavra democracia já se popularizou entre nós. Tornou-se parte do vocabulário popular incorporando-se ao cotidiano das pessoas. Se por um lado esta situação representa um avanço expressivo, dado que qualquer que seja o significado adotado, falar em democracia sempre será oxigenar o ambiente político; por outro, pode encerrar certa hipocrisia, um invólucro bem produzido para escamotear formas mais sutis de opressão e dominação. Quem não se lembra que a parte da Alemanha assumidamente bucocrático-comunista do período muro de Berlim era pomposamente denominada “democrática”?

De origem grega, a palavra democracia, na realidade, encerra uma multiplicidade de significados ditados, sobretudo, pela teoria política, ou mais apropriadamente pelas idiossincrasias circunstanciais. Originalmente significa uma forma de governo caracterizada pelos cidadãos exercerem diretamente o poder de decisão, quando prevalece a maioria.

Mas mesmo a maioria grega era bastante relativa, pois dela se excluíam as mulheres e a esmagadora maioria da população escrava.

O crescimento das cidades e a explosão demográfica ensejaram a modernização do estado e as necessárias adaptações foram tomando forma, de sorte que da democracia direta passamos para a representativa, quando o exercício da decisão se processa através de representantes preliminarmente eleitos.

No Brasil, a história democrática é caracterizada por idas e vindas - infelizmente mais vindas que idas. Momentos de expansão – vezes acelerados - revezando com outros letárgicos e sonolentos. Longos períodos de obscurantismo e opressão cedendo uma fração do tempo aos curtos e efêmeros períodos de liberdades.

Desde a proclamação da república já tivemos sete cartas magnas. Sete constituições, o que registra nossa extrema vulnerabilidade e o quanto nosso ordenamento legal é volátil.

Os limites da constituição imperial de 1824 estavam mais que evidentes quando estabeleceram inamovíveis vinculações do exercício dos direitos políticos ao nível de renda dos cidadãos, uma forma nada sutil de excluir a maioria da população do processo de participação institucional. Como que para redimir a tendência ultra elitista, a constituição de 1891 se volta para outra direção, garantindo alguns direitos, assegurando a representação das minorias e instituindo o sufrágio universal masculino. Mas manteve os analfabetos, mendigos, soldados e religiosos ao largo desta importante conquista política e social.

Decorre daqui, portanto, dois problemas que de certa forma perduram até a atualidade.

O primeiro é que o voto aberto, nas condições em que foi estabelecido, permitiu a manipulação eleitoral, o voto de cabresto e o coronelismo, que de certa forma – assumindo formatos mais sofisticados – ainda dominam o panorama político em vários rincões do país.

E o segundo é que a falta de justiça eleitoral independente depositou nas mãos do governo o reconhecimento dos deputados eleitos.

No ano de 1934 surge uma nova constituição, inspirada na alemã, e que incorpora a Justiça do Trabalho e outras conquistas trabalhistas.

Se sete foram as constituições, as intervenções militares foram nove, testemunhando nossa cultura autoritária e a onipresença dos quartéis.

Quando lançamos o olhar sobre o conjunto dos mandatários da nação, percebemos que dos cerca de trinta presidentes brasileiros, dez não completaram o mandato. Destes dez, quatro foram depostos por golpes, três morreram, e um sofreu impeachment.

Do total dos presidentes brasileiros é curioso observar que apenas quinze foram escolhidos pelo voto direto, portanto menos da metade.

Mas a história política brasileira mostra um outro viés: a utilização do eleitorado como massa de manobra dos grupos dirigentes. Esta situação chegou a tal grau que, durante a república velha, apenas 3% dos que poderiam votar eram chamados a colocar o voto na urna.

Em contrapartida, mais recentemente foi a opinião pública que, mobilizada, possibilitou o impedimento do ex-presidente Fernando Collor.




Já tivemos presidente que imaginava ser a gestão pública um ramo da engenharia civil. Era o caso de Washington Luiz que chegou a afirmar que “governar é construir estradas”.

Se Washington Luiz foi o benemérito originário das grandes empreiteiras, não ficou atrás quando o assunto era a exclusão social. Conseguiu atribuir às forças policiais uma função muito maior que a de assegurar a elucidação de crimes e a prisão de delinquentes. Foi Washington Luiz quem perenizou a expressão “a questão social é caso de polícia”.

Mas nossa sina autoritária tem raízes mais profundas. Nosso primeiro presidente, o marechal Deodoro da Fonseca (1889-1891), determinou o fechamento do congresso, decretando a seguir o estado de sítio.

Floriano Peixoto (1891-1894) arquitetou durante todo o tempo contra as liberdades individuais, sobretudo a de opinião e foi o primeiro a fazer prisões políticas.

Arthur Bernardes (1922-1926) conseguiu aprimorar os desvios despóticos de Floriano Peixoto, tornando-se o primeiro a construir uma prisão especial para presos políticos.

E daí segue um conjunto de acontecimentos de cunho autoritário, incorporados às nossas tradições e imaginário; registrando o quanto a democracia tem sido até o momento uma cantilena principalmente para os excluídos.

Mesmo nos dias de hoje, quando vivemos uma experiência democrática jamais experimentada, salta aos olhos o que parece uma inesgotável capacidade das elites políticas de promover exclusão social. A verdade é que, se avançamos na democratização da vida política, no campo econômico o que se fez foi muito pouco, haja vista o país ostentar uma das mais perversas concentrações de renda do planeta.

Este passado histórico afeta todos nós e, de uma maneira especial, os educadores. É que cabe a esta categoria especial de pessoas uma atividade por demais nobre: a de reproduzir o conhecimento, reciclá-lo, torná-lo assimilável para os aprendizes; desvendar os mistérios que emolduram as artes e o saber, e torná-los disponíveis e acessíveis a todos. E como conviver neste ambiente ignorando esta herança autoritária já incorporada – ainda que inconsciente - ao nosso modo de ser, pensar e agir? Este é o desafio do verdadeiro educador, transformar-se em um agente em permanente renovação, transformador de si e das coisas, um homem capaz de reelaborar permanentemente o mundo, ao mesmo tempo em que reelabora a si próprio. Um agente que enxergue o outro, e não só seus alunos, como literais parceiros neste processo dinâmico e ininterrupto de resgate da ética e da solidariedade. Um cidadão que não entenda a sala de aula como seu universo, e sim que perceba o universo como sua sala de aula.

É deste professor que nossos alunos necessitam. Nada de falsos libertários, loquazes ventríloquos, papagaios de pirata, cintilantes, onipresentes; sempre com as respostas prontas e definitivas na ponta da língua, mas hipócritas e pobres de conteúdo. Precisamos do professor que consiga superar e romper a redoma autoritária em que a sociedade está envolta. Do professor que ao invés de se colocar acima, se coloque ao lado do aluno, que partilhe com ele as dúvidas e que aceite o desafio de comungar a busca pela melhor das alternativas. Sim ao professor que - ao contrário da prepotência e arrogância da academia, dê guarida à humildade, à troca, à generosidade.

Se o que desejamos é edificar uma sociedade que partilhe os valores e as condições que nos transformem todos em cidadãos, então teremos que procurar por novos educadores e gestores públicos, por um agente que entenda a educação e a gestão como uma troca entre iguais com diferentes tipos de conhecimento. E que todo conhecimento incorpora, no seu devido contexto, importância individual e social.

Evidente que a abordagem do professor aqui adotada não se restringe ao profissional stricto sensu, vez que cada um de nós, diuturnamente, nos locais de estudo, trabalho, entretenimento e moradia somos a um só tempo professores e aprendizes.

Antônio Carlos dos Santos - criador da metodologia Quasar K+ de Planejamento Estratégico e da tecnologia de produção de teatro popular de bonecos Mané Beiçudo.


terça-feira, 9 de setembro de 2014

Trigonometria tem a ver com escala musical?

Por Rodrigo, na revista Galileu
 (Foto: Samuel Rodrigues/Editora Globo)
Não, nada a ver. Mas a escala musical tem tudo a ver com a matemática. O grego Pitágoras (lembra do teorema?) descobriu que uma corda usada para fazer sons, quando é encurtada ou alongada, produz tons diferentes, guardando sempre uma relação entre o quanto você a reduz ou aumenta e qual será o tom gerado. Uma corda que tocada dá um Dó, reduzida a 3/4 do tamanho, produzirá um Fá. Essa mesma corda, reduzida a 2/3, produzirá um Sol. As escalas musicais, sequências ordenadas de tons que mantêm sempre os mesmos intervalos, pautam-se por essas proporções, não importa se começando em Dó, Ré ou outro tom.

Playing For Change - Stand By Me




Gil - Domingo no parque


É muito? Não, meu caro, é apenas o mínimo.



Um antigo ditado latino ensina que o tempo é o senhor da razão; o tempo... a quarta-dimensão capaz de dar cura a todos os males: mala omnia tempore finiunt.

É verdade.

O tempo é uma dimensão que desconhece a efemeridade humana. Sempre esteve aí e sempre estará. E como não há mal que resista à eternidade, está explicada a razão de, às vezes, a cura tardar, mas inexoravelmente se apresentar, mais dias, menos dias; mais séculos, menos séculos; mais milênios, menos milênios,... “O tempo cura o queijo, meu caro mancebo”, sussurrariam nossos avós.

Superando Galileu e Newton, Einstein com sua teoria da relatividade demonstrou que tempo e espaço não estão separados. E provou também que nem mesmo o tempo é absoluto.

Discutir a relação existente entre a cura dos males e o tempo tem sido a sina de muitos brasileiros. É que o Brasil já foi mais rico que os Estados Unidos, mas ficou para trás, lá atrás, bem lá atrás, em algum lugar longínquo do passado. A república tupiniquim rompeu os 500 anos atolada num lodaçal e patina, movendo-se milimetricamente em direção à sustentabilidade. Mas velozmente em direção à insignificância.

Dando asas ao pensamento poderíamos exclamar: como o tempo nos tem sido indiferente. E ‘indiferente’, aqui, tem um significado antagônico ao do ‘amor. Peçamos arrego: o tempo tem nos tratado com repulsa e ódio. Vejam se não é assim: em apenas 40 anos Coréia e Cingapura emergiram do terceiro para o primeiro mundo, enquanto Pindorama... Pindorama continua mergulhada em seu pântano sombrio.

Os países que lá chegaram, que conseguiram lidar de forma inteligente com o tempo, ensinam diuturnamente que investir em educação é o caminho mais rápido, justo e seguro para chegar ao mundo desenvolvido. Investiram de forma massiva e determinada em educação e sustentabilidade econômica, por isso chegaram à outra margem.

O subdesenvolvimento e o atraso geram problemas e muitos males. Romper o tempo, atravessá-lo como um bólido, fincar raízes no rol dos países desenvolvidos significa virar uma página que para nós, tem se mostrado horrenda, vergonhosa. Exatamente a página onde estão inscritos a fome e a miséria, o analfabetismo e a exclusão, a burocracia e a corrupção, o clientelismo e a politiquice – viés partidário e carreirista onde a arte da política se apresenta como sinonímia de patifaria e vigarice.

Como o Brasil não faz o dever de casa assume características de um imã eletromagnético, um corpo que atrai poderosas energias negativas, descomunais forças deletérias. Então se intenta o próprio círculo vicioso, o rolo compressor que arrasta tudo e todos em direção ao precipício, ao despenhadeiro da terra arrasada onde nada germina.

Quando a terra não é irrigada e quando ao bem não se empresta guarida, é o mal que comemora. O descaso com que o país trata a educação implica no fortalecimento de vetores que aprofundam as desigualdades e as injustiças. Basta verificar a relação dos brasileiros com o Congresso Nacional, sobretudo após os episódios das quadrilhas como a do orçamento e a do mensalão.

O caldo cultural resultante do descaso para com a educação engendra uma mega-burocracia que torna o Brasil porto seguro para a mais avassaladora corrupção. Que já atravessou fronteiras tornando o país ilha idílica, retiro, paraíso onírico para os maiores traficantes internacionais de cocaína.

As prisões dos colombianos Juan Carlos Ramírez Abadía, Gustavo Durán Bautista, e a de Pablo Rayo Montano – ocorridas há poucos anos atrás - mostram apenas a ponta de um ignóbil iceberg. São os especialistas da Polícia Federal, os juízes e os procuradores federais que identificam o motivo pelos quais os mega-traficantes adotam o Brasil como pátria-mãe-generosa: a corrupção.

Máfia dos gafanhotos, do INSS, das sanguessugas, dos correios, o valerioduto e o mensalão, as obras superfaturadas,... a cada dia uma nova quadrilha toma conta dos noticiários, e casos como o da compra de parlamentares apenas evidenciam que a corrupção enraizou, fixando-se em todos os meandros do estado nacional.

A corrupção abre as portas para a lavagem de dinheiro em grande escala, estimula o suborno de policiais, autoridades e parlamentares, irriga o processo de cooptação de laranjas e faz vista grossa às aquisições de bens valiosos com dinheiro vivo.

Banalizou-se de tal forma que até cueca virou embalagem para dinheiro sujo.

E por que tudo isto ocorre? Porque a população – privada dos meios que só a educação proporciona – não tem como interpretar a realidade que mal vislumbra, e como não consegue criticar, interpretar e refletir, se mobiliza tão somente para ser tangida qual boi no pasto.

Não podemos aceitar que, em pleno século XXI, continuemos a experimentar a vida amargada pelos vassalos da idade média. Façamos como a Coréia e Cingapura. Resgatemos a educação brasileira. A frase é curta, mas o significado largo: traduz-se em tomar as rédeas do nosso destino, recuperar nossas próprias vidas, reinventar nossas esperanças, acreditar e construir um futuro digno, melhor e radiante para os que herdarão nossos sonhos.

É muito? Não, não é. È apenas o mínimo.

Antônio Carlos dos Santos, criador da metodologia de Planejamento Estratégico Quasar K+ e da tecnologia de produção de teatro popular de bonecos Mané Beiçudo.


segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Sobre leões, jacaré, elefante e trabalho em grupo...


Muitos hão de lembrar do antigo ditado popular "caititu sozinho na mata, é comida de onça".

Por isso, nada melhor que as relações sociais, a capacidade de interagir e compartilhar, de dividir e, ao mesmo tempo, agregar... Adquirir a expertise e a nobreza do agrupar, do associar, firmar a singela opção de ter o próximo como um bem a ser conquistado no dia a dia... o vídeo acima não deixa de ser uma lição, enfatiza que, até mesmo quando a questão é a sobrevivência, tem mais oportunidades os que adquirem a habilidade de trabalharem em grupo.


Lamento sertanejo - Gilberto Gil



O IDEB continua desmascarando...

Ideb 2013, o índice de atraso do ensino médio

Redes de 21 Estados não atingem metas estabelecidas pelo governo federal; em 16 deles, médias são inferiores às obtidas em 2011

Bianca Bibiano e Jadyr Pavão Júnior, na revista VEJA
Estudante antes do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio)
Estudante antes do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) (Douglas Magno/Futura Press/VEJA)
O Inep, órgão ligado ao Ministério da Educação, divulgou nesta sexta-feira os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) relativos a 2013. Os dados revelam avanço nos anos iniciais do ensino fundamental e estagnação nos anos finais e também no ensino médio. Neste, a situação é ainda mais dramática (confira os dados nos gráficos abaixo).
Vinte e um Estados não atingiram as metas estabelecidas pelo próprio governo federal para o ano de 2013. Além disso, 16 das unidades da Federação conseguiram colher resultados inferiores aos registrados na avaliação anterior do Ideb, em 2011. Ou seja, era ruim, ficou pior. Na prática, os dados mostram que a maioria das redes mantidas por Estados e Distrito Federal não avançou.
"A queda das notas do ensino médio e a estagnação nos anos finais do ensino fundamental revelam um problema estrutural da escola brasileira: do 1º ao 5º ano, os alunos têm apenas um professor em sala. A partir do 6º, o número de docentes aumenta. É nessa transição que está o problema", diz Alejandra Velasco, gerente da área técnica da ONG Todos pela Educação. "É preciso rever o currículo e entender o que causa a queda ao longo dos ciclos escolares. No ensino médio, ele é sobrecarregado, os alunos acabam não acompanhando e desistem de estudar."
O que torna a situação dramática é que as metas do Ideb já são modestas. Elas preveem, por exemplo, que o conceito médio nos primeiros anos do ensino fundamental atinja só em 2021 a nota 6 — correspondente, segundo cálculo do Inep, à média alcançada em 2003 pelos alunos de nações desenvolvidas no Pisa, mais importante avaliação educacional do planeta. Ou seja, se o brasileiro médio chegar a esse patamar em 2021, estará quase duas décadas atrasado.
Mais, aqui

O Haiti está bem ali na esquina.

Meus queridos, e mais um texto que escrevi em 2007, comprovando que os avanços se dão a passos de tartaruga...
                                 Esta é uma imagem do Haiti

 O Haiti está bem ali na esquina.
Não faz muito tempo o Ministério da Educação divulgou o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica. 

O Ideb é um indicador educacional que considera dois fatores determinantes para a qualidade do ensino. O primeiro é o rendimento escolar, mensurado através das taxas de aprovação, reprovação e abandono. O segundo, o desempenho dos alunos nos exames nacionais padronizados - Prova Brasil ou Saeb.

Fluxo e aprendizagem interagidos dão origem a uma média para cada estado, município, escola e país, numa escala que começa com 0 e termina com 10. 

Os últimos números do Ideb enfatizam que as coisas estão muito esquisitas, aliás, como sempre soubemos. Poucos, contudo, têm coragem de admitir que a vaca esteja atolada até o pescoço. Quando expostos os resultados, foi como uma revisita à Caixa de Pandora, a inesquecível lenda da mitologia grega. Exagero? Não, não estou exagerando nem tomado pela síndrome do ceticismo. Veja se não é de pasmar: tão somente 0,2% das escolas públicas brasileiras têm desempenho considerado médio nos paises desenvolvidos. 

Do universo de 55.967 escolas, apenas 160 alcançaram média igual ou superior a 6,0. No geral - quanto ao ensino médio - a rede municipal ficou com média 2,9 e a estadual 3,0, ficando evidenciado que ambas estão em estado de insolvência, na lata (não, lata é pouco; mais apropriado seria ‘tambor’) de lixo. Já a rede federal ficou com a média de 5,6. Esses números, salvo sutis variações, são os mesmos para a Fase 1 (1ª a 4ª séries) e para a Fase 2 (5ª a 8ª séries). 

O próprio governo estima que serão necessários 14 anos para que o Brasil alcance a média dos países desenvolvidos. Isto na Fase 1, por que na Fase dois, o tempo salta para 18 anos. Já no ensino médio, seriam necessários 21 anos para que cheguemos aos patamares dos desenvolvidos. 

Mas para atingir esta meta nos próximos 14 anos, alguns estados teriam que triplicar e até quadruplicar os investimentos que hoje realizam no setor. E pelo que conhecemos dos políticos brasileiros, alguém acredita que farão isso? As projeções mais modestas indicam a necessidade de estados como o Rio Grande do Norte, por exemplo – um dos que se encontra em pior situação – aplicar 32% na educação nos próximos anos. 
                                E esta, uma imagem do Brasil
Para ler o artigo completo, aqui.

Como aumentar a produtividade no Brasil?

Imagem de arquivo de produção em Manaus
Educação e investimento de empresas foram sugestões para aumentar produtividade
Como resolver o problema da baixa produtividade do trabalhador no Brasil?
Por Luiza Bandeira, na BBC Brasil
Melhorias na educação, aumento do investimento em tecnologia pelas próprias empresas e trabalho conjunto entre as firmas e universidades foram algumas das sugestões que a BBC Brasil ouviu de especialistas de diversas áreas.
Grande parte dos economistas brasileiros afirma que, num contexto de baixo desemprego, é preciso aumentar a produtividade dos trabalhadores para acelerar o crescimento econômico do país.
A necessidade de investimento na educação, tanto no nível fundamental como também no ensino médio e profissionalizante, foi quase unanimidade nas respostas.
Só não foi citada por Marcelo Manzano, economista da Unicamp.

BBC nas Eleições: Economia

O desafio do ensino técnico no Brasil é o tema da segunda semana da cobertura especial de eleições da BBC Brasil. A falta de mão de obra qualificada foi um assunto destacado por leitores em Cliqueuma consultapromovida pelo#salasocial - o projeto da BBC Brasil que usa as redes sociais como fonte de histórias originais - e apontado como um dos temas que deveriam receber mais atenção por parte dos candidatos presidenciais.
"Não é a qualificação da mão de obra que fará as taxas de produtividade no país avançarem. A produtividade do trabalho não decorre da qualificação do trabalhador, mas sim da intensidade com que as inovações tecnológicas são implementadas no processo produtivo", disse à BBC Brasil.
"Em nenhum momento da história mundial a qualificação puxou a produtividade."
Já Haruo Ishikawa, do Sinduscon-SP, que representa as empresas da construção civil, diz que os trabalhadores que chegam na área têm tantas lacunas na educação básica que não conseguem decidir sua profissão levando em conta três critérios básicos: o que eles querem fazer, o que sabem fazer e em que áreas há demanda por trabalhadores.
Por isso, segundo Ishikawa, fazem escolhas erradas - e essa inadequação derruba a produtividade da mão de obra.
E a baixa produtividade de um setor pode afetar todos os outros, segundo Jorge Arbache, economista da UnB. Ele afirma que, como as empresas são cada vez mais dependentes uma das outras, as que têm baixa produtividade acabam puxando todas as outras para baixo.
Ele sugere estabelecer um currículo nacional, valorizar a educação profissional, melhorar tecnologias e o ambiente físico das empresas, entre outras medidas.
Rogério César de Souza, do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), acrescenta à lista a aproximação entre empresas e academia. Ele cita como exemplo bem sucedido o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), uma das melhores instituições de ensino do Brasil, que funciona em parceria com a Embraer, uma das grandes fabricantes globais de aviões.
Mas Fernando de Holanda Barbosa Filho, economista do Ibre-FGV, diz que as empresas investem pouco, tanto no trabalhador, devido à alta rotatividade, quanto nelas mesmas, por causa dos resultados econômicos do país.
"Se a situação econômica melhorar, se as firmas passarem a investir mais, isso ajudará a aumentar a produtividade da mão de obra", afirma.
Veja abaixo a resposta de cada especialista.


O trabalhador tem que ter máquina e equipamento e tem que estar apto a usar essas tecnologias. Ou seja, há dois pontos importantes: melhorar a qualidade do capital humano, com educação, e investimento em capital.
Os índices de matrícula no ensino médio são baixos, menos de 55% dos adolescentes estão na escola. Isso é um problema porque as novas tecnologias demandam algum tipo de conhecimento. Imagina uma pessoa sem conhecimento operar uma colheitadeira? Esses equipamentos têm GPS, joystick, é tudo feito por satélite.
As empresas dão treinamento específico, mas pensam "não vou dar formação geral senão o empregado pode sair e levar para qualquer lugar". Isso não é só no Brasil. O que acontece só no Brasil é que nossa legislação de alguma forma estimula uma rotatividade elevada, o que faz com que a firma não invista.
Há um acordo tácito em que o trabalhador não investe na firma e firma não investe no trabalhador. A rotatividade é prejudicial porque inibe o investimento que as firmas poderiam fazer pra corrigir a má formação da mão de obra.
Um segundo ponto é o investimento da firma na firma. O fato de as perspectivas econômicas das empresas terem sido frustradas gerou uma taxa de investimento menor. O trabalhador está operando com máquinas menos modernas e isso não faz com que produtividade aumente. Se a situação econômica melhorar, se as firmas passarem a investir mais, isso ajudará a aumentar a produtividade da mão de obra.

PLANTAS NO ESCRITÓRIO PODEM AUMENTAR EM ATÉ 15% A PRODUTIVIDADE DOS FUNCIONÁRIOS


NOVO ESTUDO REVELA QUE “ESPAÇOS VERDES” AUMENTAM A SATISFAÇÃO E QUALIDADE DE VIDA

Plantas no escritório aumentam produtividade (Foto: Thinkstock)
Um escritório cheio de plantas faz com que a equipe de funcionários seja mais feliz. E mais: aumenta a produtividade no local de trabalho em 15%. É o que defendem pesquisadores em um novo estudo. A análise é a primeira a avaliar os impactos no longo prazo de plantas em um ambiente corporativo. Ela constatou melhora na satisfação dos funcionários e na qualidade de vida.

Segundo o coautor do trabalho Alex Haslam, professor da Universidade de Queensland, na Austrália, um "escritório verde" ajuda os funcionários a serem emocionalmente mais envolvidos com suas tarefas.
"Paisagismo no escritório ajuda o local de trabalho a se tornar um lugar mais agradável, confortável e rentável", diz o acadêmico, em comunicado. "Parece que, em parte, isso acontece porque um escritório verde comunica aos funcionários que o empregador se preocupa com eles e seu bem-estar". O estudo foi realizado em parceria com outros pesquisadores da Universidade de Cardiff (País de Gales), da Universidade de Exeter (Inglaterra) e da Universidade de Groningen (Holanda).
A equipe analisou o impacto que espaços com e sem verde têm sobre trabalhadores tendo como base dois grandes escritórios no Reino Unido e na Holanda. O grupo monitorou os níveis de produtividade ao longo de dois meses. Os funcionários também foram entrevistados para determinar as percepções de qualidade do ar, concentração e satisfação no local de trabalho.
"Os funcionários estavam mais satisfeitos, apresentaram um aumento nos níveis de concentração e melhor percepção da qualidade do ar em um escritório com plantas", afirma Haslam. "Os resultados sugerem que o investimento em paisagismo de escritório será pago por meio de um aumento na qualidade de vida e na produtividade dos trabalhadores."
A pesquisa, diz Haslam, ainda desafia filosofias empresariais que sugerem que uma mesa mais limpa é sinônimo de produtividade. "Escritórios modernos e mesas foram despidos para criar espaços mais escassos — nossos resultados questionam a teoria generalizada de que menos é mais. Às vezes, menos é só menos mesmo."

domingo, 7 de setembro de 2014

“Cordas”: curta-metragem espanhol agraciado com o Prêmio Goya em 2014.


IMAGENS DRAMÁTICAS MOSTRAM IMPACTO DA SECA NA CALIFÓRNIA

ESTADO AMERICANO TEM 82% DE SEU TERRITÓRIO CLASSIFICADO EM SITUAÇÃO DE "SECA EXTREMA"

POR ÉPOCA NEGÓCIOS ONLINE

Enquanto São Paulo enfrenta problemas de abastecimento no Sistema Cantareira, o estado mais populoso dos Estados Unidos apresenta cenário semelhante. Só que mais grave. Localizada na costa oeste do país, a Califórnia tem 82% de seu território classificado como em situação de "seca extrema".
Durante anos de escassez, já foi necessário utilizar reservas de águas subterrâneas e, ainda assim, os reservatórios apresentam alguns dos níveis mais baixos da história.
Os lagos Shasta e Oroville estão hoje com 30% de sua capacidade, expondo as margens que antes estavam cobertas por água.
O fotógrafo Justin Sullivan, da Getty Images, visitou diversos reservatórios no último mês. Ele registrou imagens dramáticas, que provam a gravidade da crise de água no estado americano.
Comparação mostra Green Bridge, sobre o lago Oroville, em julho de 2011 e agosto deste ano (Foto: Getty Images)

Antes e depois do lago Folsom, que hoje está com 40% de sua capacidade total (Foto: Getty Images)

Foto mostra ponte Enterprise, acima do lago Oroville, em 2011 e agora, depois de três anos de seca na região (Foto: Getty Images)

Margens do lago Shasta estão há meses expostas em razão da falta de água  (Foto: Getty Images)

Lago Shasta tem hoje 30% de sua capacidade, o nível mais baixo desde 1977 (Foto: Getty Images)

sábado, 6 de setembro de 2014

Empreendedorismo por Abilio Diniz


Neil Young with Stephen Stills - Long May You Run


8 técnicas pra memorizar as coisas que você aprende



                                                             (FOTO: THE LEAF PROJECT/ FLICKR/ CREATIVE COMMONS)

POR Ana Freitas na revista Galileu

Como anda sua memória? De acordo com estudo científicos, sua resposta só é honesta se você disser: mal, bem mal. É que pesquisas mostram que nos lembramos apenas de 10% daquilo que aprendemos. Os outros 90% são esquecidos rapidamente, logo depois que a gente aprende.
Infelizmente, não dá pra escrever esse argumento no vestibular e passar na faculdade, ou então dizer pro professor e esperar aprovação na prova. Especialmente no ensino tradicional, que quase sempre avalia a capacidade de reproduzir conteúdo, a memória é fundamental. Por isso, se você conhecer algumas técnicas que te ajudem a memorizar as coisas que você aprende, pode sair na frente. Confira:
1. Ler e ouvir não bastam
A melhor maneira de aprender é discutindo em grupo ou ensinando o que se está tentando aprender. É que se concentrar é muito mais fácil (mandatório, até) quando você está conversando com alguém sobre um tema ou explicando aquilo. Ler ou ouvir alguém falando é muito mais suscetível a distrações e interrupções no seu processo de concentração.
2. Ache um enfoque do assunto que lhe interesse
É mais fácil lembrar de algo do seu interesse do que de algo que não lhe interessa - óbvio. É por isso que, se você gosta de uma matéria, provavelmente tem muito mais facilidade em aprendê-la. Tente achar um enfoque dentro de um assunto que não te interesse tanto, um recorte ou uma abordagem que tenha mais apelo pro seu gosto pessoal. Depois, na vida adulta, se possível, estude só o que você gosta. A vida vai ser mais fácil.
3. Concentre-se
Deixe de lado as notificações do celular e foque no que está estudando. Se você estiver cansado ou distraído, é muito mais difícil para o cérebro fixar o conteúdo com o qual você está tomando contato.
4. Lembretes na hora certa
Há horas melhores e piores para se lembrar de algo que você aprendeu (e o resgate desse conteúdo ajuda você a fixar as coisas na memória). Se você precisa fixar algum conteúdo, a dica é: estude, estude de novo dali uma hora e depois de 24 horas. Ou use o SuperMemo, um site que calcula o tempo exato em que você vai se esquecer de algo e te ajuda a lembrar imediatamente antes de esquecer.
5. Descanse
Faça pausas entre os estudos. Não dá pra saber exatamente quanto e como você deve parar porque isso varia de indivíduo para indivíduo, mas uma boa técnica é estudar por 45 minutos, que é o tempo máximo que alguém consegue se focar em uma tarefa, na média, e dar uma pausa de 15 a 20 minutos antes de recomeçar. De novo, isso pode variar, então fique atento aos sinais da sua mente.
6. Antes de dormir, logo que levantar
Estudar nessas horas é uma boa maneira de fixar conteúdo, por causa das substâncias químicas liberadas pelo cérebro nesses horários.
7. Faça conexões entre o que você aprende e o que você já sabe
Aprender é um processo conectado, e não individual. Uma maneira excelente de fixar algo novo é conectando isso com algo que você já saiba ou conheça. Por exemplo: ao aprender uma palavra nova em outra língua, você pode tentar conectá-la com um som com que ela se pareça em uma língua que você já conheça, por exemplo.
8. Reflita sobre o que você aprendeu
Reserve 15 a 20 minutos entre cada sessão de estudo pra refletir sobre o que você acaba de aprender. Essa reflexão sobre o conteúdo, que provavelmente vai fazer você questionar e correlacionar o aprendizado com coisas que já sabe, também ajuda a fixar coisas na memória.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Discurso inspirador de Ashton Kutcher




Neil Young - Change Your Mind


A angustia da escolha e Charles Darwin



Há uma fase na vida das pessoas em que tudo é dúvida e o futuro pode ser reduzido a um inquietante ponto de interrogação. As dúvidas pululam freneticamente, sobretudo, quando se trata de optar pela carreira a escolher ou pelo destino a seguir.

É uma etapa em que nada está claro, nada está definido. Nesta situação de insegurança e instabilidade emocional, solicitar que cada um de nós responda à angustiante pergunta (O que deseja da vida?, ou que direção seguir?) pode parecer crueldade das mais maquiavélicas, mas é como dor de parto, aquela dor tipicamente necessária, aquela tensão que antecede alguns raros momentos de genuína graça.

“Que rumo você quer dar à sua vida?” é a questão chave, a pergunta que se recusa a calar, o questionamento que repercute e reverbera na mente de quase todos, indiferente às etapas da vida: na juventude e adolescência, na fase adulta e também na senil...

Tomar uma decisão que – para o bem ou para o mal – será capaz de conformar a vida futura é tarefa das mais complexas, por isto o primeiro passo, a primeira resposta, seguramente não se encontra fora e distante, no mundo exterior, mas bem rente, dentro, pertinho, como cantam os poetas “no lado esquerdo do peito/dentro do coração”. Nesta etapa do processo é necessário mergulhar, lançar o olhar para a alma, debruçar sobre o próprio interior, auscultando os valores mais profundos e, nos valores, tratar de selecionar o que existe de mais verdadeiro, sagrado e revelador.

É deste universo particular - um bravio oceano de princípios e valores difusos - que deveremos resgatar o que efetivamente nos pertence, o que verdadeiramente guarda consonância com nossa identidade, com a vida pregressa, nossos sonhos, desejos e aspirações.

Neste ambiente estão fincadas as âncoras do futuro desejado, o espaço que nos tornarão mais produtivos e felizes.

Uma série de testes e questionários ajuda esquadrinhar este mundo um tanto inóspito, ainda misterioso e turbulento, mas que logo – com paciência e persistência - se mostrará inteiro, claro e límpido.

Ao término deste processo se espera o conhecimento sobre insumos vitais: o perfil, as habilidades mais destacadas, o temperamento, a personalidade, as aptidões, as preferências e, sobretudo, as alternativas mais adequadas e que melhor se encaixam nas características encontradas. O potencial estará quase todo à mostra. Insisto, não todo. Porque na vida existe um conjunto de variáveis que sempre escapam ao nosso controle e domínio.

A vida de um iluminado naturalista britânico ilustra com perfeição a situação a que me refiro.

Quando adolescente, Charles Darwin, o homem que fez tremer o planeta ao lançar sua obra “A Origem das Espécies por Meio da Seleção Natural”, estava predestinado a seguir a carreira médica.

Pelo menos assim desejava seu pai, o proeminente físico Dr. Robert Darwin, que o conduziu à Escola de Medicina de Edimburgo mal completara 16 anos. Desde os pajés, xamãs e curandeiros primitivos, os que exercitam as lides medicinais sempre encontraram respeito de suas tribos e comunidades.

Mas a medicina mostrava-se aos olhos do adolescente um fardo insuportavelmente pesado, capaz de arriar seus sinceros desejos de corresponder às expectativas dos progenitores. Para enfrentar e seguir a carreira médica há que se ter um estômago a toda prova, como o da avestruz, atributo que, definitivamente, passava ao largo do jovem Charles.

Não restou alternativa senão negociar com a família. Em troca da carreira médica, ofereceria a eclesiástica. Na época, as famílias e a sociedade estimulavam em seus filhos o interesse pelas coisas de Deus, pelas missões religiosas, de modo que, ao matricular-se no Christ’s College, de Cambridge, para tornar-se pastor, lançou uma pá de cal sobre o assunto, satisfazendo simultaneamente a gregos e troianos.

Pá de cal? Qual, meu caro! Enquanto há vida, há movimento. E como bem poderia ter dito Drummond “No meio do caminho havia uma pedra / Uma outra alternativa pairava no meio do caminho”. E no caso de Charles Darwin a sorte grande o espreitava na esquina.

Dadas as habilidades como professor das disciplinas relacionadas à história natural e a fama conquistada de dedicado colecionador de besouros, foi indicado por John Henslow, seu professor de botânica, para uma instrutiva e inusitada missão.

O navio HMS Beagle partiria em longa viagem numa missão cartográfica para mapear as águas do sul do continente americano. Mas seu capitão, como que antevendo a explosão de luz iluminando no futuro, resolveu levar quem pudesse se dedicar ao estudo científico das espécies encontradas.

E lá foi Darwin, em dezembro de 1831, iniciar um cruzeiro ao redor do mundo, uma viagem que demandou cinco longos anos, e que embasou a obra que marcaria a história da humanidade.

Portanto, Darwin passou por médico, pastor missionário, professor, colecionador de besouros, classificador de espécies encontradas, para se encontrar como grande cientista que revolucionou o mundo com sua doutrina evolucionista.

A leitura da obra de Darwin ensina que os seres vivos sobreviventes às grandes catástrofes planetárias não foram os mais fortes e sim os mais flexíveis.

Ao se deparar com o instante fatídico da decisão a tomar, sobre o vestibular a fazer, a profissão a escolher, a direção a seguir, devemos refletir sobre o fato de que, muitas vezes, a força reside muito mais na capacidade de flexionar, de se adaptar, de interagir com o cenário e suas circunstâncias.

Antônio Carlos dos Santos, criador da metodologia Quasar K+ de Planejamento Estratégico e da tecnologia de produção de teatro popular de bonecos Mané Beiçudo.


O QUE É MAIS IMPORTANTE: TALENTO OU ENGAJAMENTO?


O GALLUP CHEGOU A UMA RESPOSTA QUE PODE SURPREENDER


E mais: quem tem talento em geral tem engajamento  (Foto: Getty Images)
A combinação de talento e engajamento no trabalho parece a mistura de inspiração e transpiração entre artistas, cientistas e criadores em geral. É conhecida a frase de Thomas Edison: “A genialidade é 1% inspiração e 99% transpiração”. Mas, inesperadamente, uma pesquisa indica que no mundo dos negócios a preponderância é do talento. O estudo foi feito nos Estados Unidos pelo Instituto Gallup e a empresa de varejo ANN Inc., do ramo de roupas femininas.
A ANN resolveu pesquisar qual é o diferencial de desempenho, baseando-se em dados colhidos ao longo de pesquisas que faz há anos com o Gallup. O resultado foi expressivo. As receitas das lojas com gerentes de baixo talento e alto engajamento são 5,9% menores que as das lojas que têm gerentes com o perfil oposto. Vitória do talento, também definido como “ajuste natural à função”.
À parte esse resultado, que surpreendeu até os envolvidos, o estudo também comprovou a certeza antiga de que as empresas não conseguem maximizar o desempenho se não promovem o engajamento dos funcionários. O compromisso com o trabalho resulta em produtividade e rentabilidade maiores e rotatividade menor. Mas o talento sempre toma a dianteira, porque, segundo a pesquisa, um gerente talentoso promove o engajamento naturalmente. Esse tipo de chefia (uma em cada dez, diz o Gallup) traz receitas 48% maiores do que os gerentes de talento mediano.

Trabalho a distância

Após nove anos experimentando o home office para a área comercial, a Ticket economizou 3,5 milhões de reais com a extinção das filiais e aumentou 40% o volume de vendas novas

Por Ursula Alonso Manso, na Você
Funcionários da área comercial da Ticket durante reunião
Funcionários da área comercial da Ticket durante reunião num café: 20% do quadro da empresa já trabalha em esquema de home office

São Paulo - Na Ticket — empresa que oferece às outras empresas benefícios ao trabalhador como vales-alimentação, refeição, combustível e cultura —, o home office foi muito além de um modismo passageiro.
Antes de adotar o modelo para a área comercial, a Ticket se preocupou em preparar bem o terreno: promoveu estudos, redesenhou processos, criou estruturas de suporte aos funcionários que passariam a trabalhar em casa e até treinou as famílias para a nova etapa da vida do profissional.
Ao final, a efetiva implantação do esquema deteletrabalho, há nove anos, resultou em economia de custos, ganhos de produtividade e equipes mais motivadas, graças à maior qualidade de vida.
O Desafio
Até 2004, a Ticket contava com cinco gerências regionais e 24 filiais para atender clientes em todo o país. E isso somente na área comercial. “Percebemos que tínhamos mais trabalho com a administração do negócio do que com a comercialização de nossos produtos”, diz Arnaldo Moral, gerente de recursos humanos da empresa.
“Cerca de 50% do tempo de nossos gerentes de negócios, por exemplo, era gasto para atender telefonemas e resolver problemas que não cabiam a eles.” Após essa análise, a Ticket começou a redefinir processos da área e a desenvolver ferramentas internas capazes de suportar melhor seus vendedores (os chamados gerentes de negócios) na atividade-fim de se relacionar com os clientes.
“Montamos uma equipe interna para atendimento, revisamos plataformas operacionais e instituímos a área de back office, que organiza a agenda de visitas desses funcionários”, diz Moral.
A Solução
A total reformulação da área comercial da Ticket aconteceu em 2005, com a implantação do sistema de home office. Ela marcou o fim das 24 filiais da empresa no Brasil. Antes de extinguir as estruturas físicas das filiais e das gerências regionais, porém, a empresa dotou os funcionários de notebooks, celulares, banda larga e mobiliário de escritório adequado.
Além disso, os 120 empregados da área comercial passaram por treinamento para aprender a se organizar e a se disciplinar para o teletrabalho. “Demos dicas para evitar a queda de produtividade nessa transição, como falar para o funcionário se arrumar para a atividade diá­ria como se estivesse indo para o trabalho”, diz Moral.
A família dos empregados também receberam treinamento para aprender a respeitar o espaço e o tempo de trabalho do funcionário. Mas o contato presencial não foi eliminado por completo. Uma vez por mês, os vendedores participam de reuniões com seus pares e gestores, que podem acontecer em um hotel, restaurante ou café.
“Também contamos com o fórum de vendas, que é anual, e com uma reunião por ano, em São Paulo, juntando todos aqueles que trabalham em home office”, diz Moral, destacando que todos os treinamentos da empresa, mesmo os a distância, abordam a cultura corporativa e os valores da companhia. “Adotar o teletrabalho não significa que abrimos mão de nosso DNA.”
O Resultado
No começo, eram 120 funcionários na área comercial que adotaram o modelo de home office. Hoje, já são 160, o que corresponde a 20% do quadro total da Ticket. Desde então, os novos empregados são contratados sabendo que vão trabalhar de casa, que é um atrativo a mais, segundo o gerente. A economia da Ticket com a extinção das 24 filiais ficou em 3,5 milhões de reais.
“Eram 365 dias e 8 760 horas de locação do espaço físico, sendo que apenas 40% desse total era utilizado de fato, já que a área passa um bom tempo em visita a clientes. O restante eram horas ociosas, desperdiçadas”, diz Moral. Mais importante do que a economia com o aluguel dos espaços foi o ganho de produtividade.
Segundo o gerente de RH, de 2005 a 2013, a Ticket registrou aumento médio de 1,5 visita por dia — ou 1 770 por mês —, além do crescimento de 40% no volume de vendas novas e do incremento de 76% na receita proveniente dessas vendas. Os números derrubam qualquer argumento de que os empregados possam se perder em problemas domésticos e deixar o trabalho de lado.
“O funcionário executa suas atividades mais focado, só o fato de não se estressar no trânsito eleva sua motivação, e isso se reflete nos resultados”, afirma o gerente, citando pesquisa de clima organizacional realizada na área comercial, que mostrou crescimento de 12% da satisfação dos funcionários de 2009 a 2013.
Não é à toa que funcionários de outras áreas da Ticket vêm pedindo a adoção do home office para si. “Estamos mapean­do outras áreas que podem, também, se adequar ao teletrabalho e chegaremos com surpresas em 2015”, afirma Moral.