domingo, 19 de abril de 2026

Poluição fina está ligada a 830 mil mortes de fetos por ano, diz pesquisa

Poluição fina está ligada a 830 mil mortes de fetos por ano, diz pesquisa


Um estudo que calculou o impacto das partículas de poluição fina na saúde gestacional sugere que a inalação de ar com esse tipo de material está relacionada à morte de mais de 800 mil fetos por ano.

Conduzida por cientistas da China e dos EUA, a pesquisa cruzou dados de natimortalidade (partos de fetos mortos) com medições da qualidade do ar em 54 países em desenvolvimento para entender a relação entre um problema e outro.

Num artigo publicado na revista "Nature Communications", o grupo investigou o impacto das partículas de poluentes com menos de 2,5 micrômetros (chamadas de PM2.5) nas taxas dessas mortes de fetos. Da pesquisa, saiu uma fórmula: para cada 10 microgramas de concentração dessas partículas por metro cúbico de ar que uma mulher grávida respira, o risco de sua gestação terminar em uma morte perto do nascimento aumenta em 11%.

A partir dessa relação estabelecida, os cientistas, liderados por Tao Xue, da Universidade de Pequim, usaram mapeamentos de qualidade do ar em 137 países em desenvolvimento, incluindo o Brasil, para estimar a relação entre a poluição fina e a natimortalidade. Nesses locais, onde ocorrem 98% das mortes perinatais do mundo, é onde ocorrem os 830 mil casos projetados pelo estudo. Considerando a margem de erro da estimativa, os números ficam entre 540 mil e 1,08 milhão.

Para o Brasil, os partos de natimortos atribuídos à poluição estão na casa dos milhares por ano. Na simulação apontada pelos pesquisadores como a mais representativa, o Brasil aparece com 2.165 mortes anuais atribuíveis ao problema (considerando a margem de erro, é um valor entre 1.060 e 3.329).

Essa estimativa levou em conta o ano-referência de 2015, considerando proncipalmente os locais em que a concentração de PM2.5 supera 10 microgramas por metro cúbico com frequência.

O Brasil preocupa por ter um grande número de mortes ligadas ao problema, mas em termos percentuais não está entre as piores nações desenvolvimento. As mortes perinatais no país atribuíveis à poluição fina são cerca de 9%.

O lugar mais crítico do mundo para o problema é a Índia, que além de ter população enorme possui muitas cidades grandes extremamente poluídas. Ali, 52% das mortes de fetos estão ligadas à qualidade do ar, totalizando mais de 215 mil casos estimados por ano.

Os mecanismos biológicos pelos quais a poluição fina eleva o risco de natimortalidade não foram objeto direto do estudo, mas o pesquisadores elencam algumas possibilidades.

"Em primeiro lugar, partículas finas do ambiente podem atravessar diretamente a barreira placentária e desencadear lesões hipóxicas [por asfixia] ou imunomediadas [por inflamações], que podem causar danos embrionários irreversíveis", escrevem Xue e seus coautores. "As anormalidades placentárias são mais freqüentemente encontradas em natimortos do que em nascidos vivos, e têm sido consideradas como possíveis mecanismos para explicar as mortes fetais."

Uma das vias de dano que as partículas finas podem causar é a chamada "metilação de DNA", processo químico que provoca mutações genéticas, explicam os cientistas.

'Tragédia negligenciada'

Todas esses problemas já haviam sido relatados na literatura médica, disse o pesquisador, mas até agora não existia ainda uma estimativa global da escala que o problema possui. Os pesquisadores defendem que os números divulgados agora deixam claro que o investimento em políticas de combate à poluição teriam um impacto grande na saúde gestacional.

"A ONU considera o impacto global da natimortalidade uma tragédia negligenciada", afirmam os autores. "Entretanto, essa questão tem recebido pouca atenção. Por exemplo, a natimortalidade não foi incluída nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio nem é rastreada pelo estudo Global Burden of Disease (GBD), que contava apenas nascidos vivos."

Xue e colegas defendem que o problema se torne um indicador mais importante nas metas de progresso para saúde nos próximos anos.

O Globo (com adaptações) 

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sábado, 18 de abril de 2026

Shakespeare, 'Medida por medida': Ensaios sobre Corrupção, Administração Pública e Distribuição da Justiça

 


O livro:

Conforme o momento histórico, Shakespeare foi construindo nuvens com peças dotadas de diferentes características, propriedades específicas para cada fase de sua produção literária. “Medida por Medida” e “Bem está o que bem acaba” integram o que se convencionou denominar “comédias sombrias”, peças onde tensão e situações cômicas as categorizam em desacordo com outras comédias do dramaturgo como “A comédia dos erros”, “As alegres comadres de Windsor” e “Sonho de uma noite de verão”. E a explicação é singela: foram elaboradas no mesmo período em que o autor escreveu Hamlet e Otelo, grandes obras da literatura universal que elevam a tragédia ao ápice do gênero teatral.

Na peça “Medida por Medida”, com inusitada habilidade, Shakespeare discute administração pública, direito e corrupção de maneira magistral.

O universo da administração pública adotado na peça é largo e profundo. Entrelaçados às cenas emergem assuntos como

- o autoritarismo oriundo do poder divino do rei, as prerrogativas do monarca e a antecipação do liberalismo;
- a descentralização administrativa;
- o abuso do poder na administração pública;
- os limites da delegação de competência;
- accountability, fiscalização e controle;

Quanto ao direito, lança um forte debate sobre quesitos por demais importantes para a humanidade:

- a aplicabilidade das leis mesmo quando se apresentam fora de uso por um longo tempo, gerando disfunções de toda ordem;
- a execução da pena quando esta resulta de uma lei extremamente dura;
- a discricionariedade do juiz na aplicação da lei, a subjetividade do magistrado e a fragilidade dos paradigmas que orientam o sistema de decisões no judiciário;
- a distribuição da justiça.

Especial enfoque o Bardo dá ao tema da corrupção, mostrando:

- a moral e a ética corroídas pelos interesses pessoais e pelo tráfico de influência;
- a força do poder para alterar o caráter dos administradores.

Neste aspecto Shakespeare nos faz refletir sobre a utilização do Estado enquanto instrumento de satisfação dos interesses pessoais.

E todo este universo é entrecortado por discussões sobre o amor e o ódio, a moral e o imoral, o sexo e a abstinência, a clausura e a liberdade, a prisão e a salvação, a vida e a morte.

O presente livro, além de disponibilizar a versão original de “Medida por medida” de Shakespeare, apresenta um conjunto de ensaios contextualizando a peça teatral às questões que incendeiam os panoramas contemporâneos brasileiro e latino-americano como corrupção, estado e administração pública; controle e accountability; direito e administração da justiça.

O livro integra a Coleção Quasar K+:
Livro 1: Quasar K+ Planejamento Estratégico;
Livro 2: Shakespeare: Medida por medida. Ensaios sobre corrupção, administração pública e administração da justiça;
Livro 3: Nikolai Gogol: O inspetor geral. Planejamento estratégico e planejamento marginal;
Livro 4: Liebe und Hass: nicht vergessen Aylan Kurdi. A visão de futuro, a missão, as políticas e as estratégias; os objetivos e as metas.


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