segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Chairless Chair, uma cadeira que anda com você


Por Nick Ellis, no Digital Drops. Tecnologia da Informação.

sábado, 23 de agosto de 2014

sexta-feira, 22 de agosto de 2014


Propaganda institucional: Nova Zelândia.


Diana Krall - Narrow Daylight



Marcio Fernandes, da Elektro: “É possível uma empresa competitiva com funcionários felizes”

Marcio Fernandes, diretor-presidente da Elektro (Foto: Sidinei Lopes/ÉPOCA)


Da revista Época 

O diretor-presidente da Elektro, vencedora do As Melhores Empresas Para Trabalhar 2014, fala por que foi possível ganhar o prêmio pelo segundo ano seguido

O respeito aos funcionários de todos os níveis hierárquicos e a abertura para comunicação, inclusive com os cargos de chefia permitiram que a Elektro subisse ao palco para receber oprêmio As Melhores Empresas Para Trabalhar na categoria de grandes nacionais e multinacionais (com mais de mil funcionários), na noite da segunda feira (18). A Elektro levou o troféu para casa pelo segundo ano consecutivo.
Para Marcio Fernandes, diretor-presidente da Elektro, o bicampeonato reforça os valores da empresa e prova que é possível ser competitivo e produtivo no mundo dos negócios com funcionários, acima de tudo, felizes. 
ÉPOCA – A Elektro foi escolhida a melhor grande empresa entre as nacionais e multinacionais no ranking deste ano, depois de ter ganhado o mesmo prêmio no ano passado. O que fez o resultado possível?
Marcio Fernandes – 
Esse resultado reflete uma decisão das nossas pessoas, que transformaram o ambiente de trabalho. Elas resolveram fazer diferente e mudar a forma de gerir uma empresa e seus funcionários. Dessa forma, nós quebramos o paradigma de que não é possível fazer mais e melhor com menos. Os colaboradores da Elektro estão provando que é. Hoje somos mais eficientes, nossa produtividade melhorou e a satisfação dos nossos clientes também.
ÉPOCA – Qual palavra melhor define a Elektro?
Fernandes – 
Felicidade. Mas preciso também listar o respeito porque trabalhamos de forma extremamente respeitosa com os funcionários, a transparência, a comunicação bem feita e a valorização das pessoas. A empresa reconhece o talento de todos os seus membros, independentemente da função e nível hierárquico.
ÉPOCA – Essa felicidade é, então, equilibrada tanto na vida pessoal quanto na profissional?
Fernandes –
 Sem dúvidas. Nossos funcionários escolheram trabalhar na Elektro, entre outras razões porque aqui têm oportunidades de se desenvolver enquanto profissionais. Sei que as pessoas poderiam sair para trabalhar em outros lugares e até ganhar salários superiores, mas a Elektro oferece uma perspectiva de crescimento consistente e é por isso que retemos os talentos.
ÉPOCA – Com o troféu em mãos, que mensagem o senhor levará para os funcionários nos próximos dias de trabalho?
Fernandes –
 A mensagem que carrego desta noite de premiação é que é possível revolucionar a própria vida e, principalmente a sociedade brasileira, tão tachada de incompetente e improdutiva. Estamos mostrando que, por meio da felicidade e do engajamento das pessoas, é possível ter uma empresa competitiva e muito produtiva. Sabemos que vale a pena ser assim porque nossos resultados melhoram continuamente. É possível prosperar assim na sociedade brasileira.
ÉPOCA – Qual o perfil ideal de um colaborador da Elektro?
Fernandes –
 Precisamos de pessoas que tenham brilho no olhar e estejam dispostas a mergulhar em uma nova filosofia, em que não existe o “manda quem pode e obedece quem tem juízo”. Na Elektro, as pessoas escolhem estar e não precisam de chefe para mandar. As coisas acontecem de maneira organizada e favorável ao negócio, sem que tenha alguém que fique cobrando continuamente.
ÉPOCA – Posso enviar meu currículo para lá amanhã?
Fernandes –
 Pode. Aliás, pode me entregar agora.

O Google e a escova de dentes.

Sabe o que o Google 'usa' para comprar outras empresas? Uma escova de dentes

Da redação do Canaltech   


Escova de dentes

Nos últimos meses, você certamente deve ter acompanhado uma lista considerável de aquisições feitas por empresas de tecnologia. Obviamente, entre elas está o Google, que tem ampliado sua participação em diversos mercados, principalmente os de software e robótica. Mas deixando de lado toda a parte burocrática, o que essas companhias levam em consideração na hora de pagar bilhões de dólares por uma startup, programa ou serviço?

No caso da gigante das buscas, quem autoriza as negociações é ninguém menos que Larry Page, presidente do Google. Toda vez que a entidade está interessada em adquirir uma outra empresa, Page realiza um "teste da escova de dentes", que consiste em responder uma pergunta simples e bastante curiosa: "Isso [no caso a empresa] é algo que eu vou usar uma ou duas vezes ao dia e que vai deixar a minha vida melhor?".

A revelação foi feita por Donal Harrison, vice-presidente de desenvolvimento corporativo do Google, ao jornal The New York Times. De acordo com Harrison, Page tem o costume de olhar para potenciais negócios em um estágio muito inicial, mas que a companhia prefere utilizar o método da escova de dentes em vez de consultar bancos de investimentos para concluir os processos de compra. "Os banqueiros podem ser úteis, mas eles não estão necessariamente no centro das discussões", comentou.

Na prática, isso significa que, para chamar atenção de Page, uma empresa não precisa apresentar lucros apenas no presente, mas sim apresentar algo verdadeiramente útil a longo prazo, assim como é uma escova de dentes. "Os banqueiros são peritos em duas coisas: avaliação financeira e negociação. Mas há uma sensação de que os banqueiros de investimento podem não ser tão importantes durante a avaliação de uma nova empresa [feita por uma gigante do setor]", afirmou o advogado Richard E. Climan.

A dinâmica da escova de dentes foi aplicada na compra da Nest Labs Inc. pelo Google, em janeiro deste ano, por US$ 3,2 bilhões. O NYT destaca que as vendas atuais da startup representam apenas "uma gota no oceano de lucros do Google", mas que o negócio permitiu que a companhia entrasse em um mercado novo e com enorme potencial: o da internet das coisas, conceito de hiperconectividade dos nossos dispositivos em todos os lugares (casa, trabalho, estabelecimentos) e que tem sido uma das apostas de outras empresas de tecnologia.

Claro que tomar como base uma escova de dentes nem sempre é sinônimo de sucesso. A mesma lógica fez parte de outra negociação do Google, em 2010, quando a entidade adquiriu a startup de aplicativos sociais Slide por US$ 228 milhões. Um ano depois, ela foi fechada. Segundo analistas, o erro foi o Google ter comprado a empresa sem o aconselhamento de bancos. A corporação enfatiza que mantém boas relações com essas instituições, mas que muitas vezes o que importa é a cultura e visão daquela companhia e não os lucros e receitas gerados por ela.

É só olhar tudo aquilo que o Google adquiriu nos últimos meses: foram mais de doze empresas ligadas a hardware e software, como a Holomni, especialista em design e produção de rodas inteligentes; a Makani Power, fabricante de turbinas eólicas; a Boston Dynamics, que produz máquinas humanoides para o Pentágono e outras entidades governamentais; a DeepMind Technolgies, startup britânica de inteligência artificial; a empresa de satélites SkyBox Imaging; a drawElements, que otimiza gráficos mais complexos para vários componentes de dispositivos móveis; e tantas outras companhias.

Outro exemplo de que muitas empresas desconsideram o lucro inicial na hora de adquirir uma nova entidade é a compra da Oculus VR pelo Facebook, em março deste ano, por US$ 2 bilhões. Primeiro que são dois produtos diferentes: um serviço (software) e um headset físico, o Rift. Segundo que o anúncio não foi feito por nenhum banco ou assessoria de imprensa, mas pelo próprio CEO da rede social, Mark Zuckerberg, que na época compartilhou sua visão de como a realidade virtual é a próxima revolução no mundo da informática.


Desenhos das crianças indicam futura inteligência, diz estudo

Desenho das crianças (King's College)
Desenhos com mais atributos físicos tiveram pontuação maior
A maneira como as crianças desenham aos 4 anos de idade pode ser um indicador de como será a sua inteligência no futuro, concluiu um estudo da universidade britânica King’s College.

Hannah Richardson, da BBC Brasil
Dez anos atrás, pesquisadores pediram a 7.752 pares de gêmeos que desenhassem uma criança. Depois, eles classificaram os rabiscos segundo o número de elementos presentes, tais como cabeça, pernas, mãos e pés.
Juntamente com os desenhos, os pesquisadores aplicaram testes de inteligência às crianças. Os mesmos testes foram repetidos quando os meninos e meninas completaram 14 anos.
Os especialistas encontraram uma ligação moderada entre os desenhos e os resultados obtidos uma década depois.
O método é conhecido como teste do desenho da figura humana, criado nos anos 1920 para medir a inteligência de crianças de quatro anos de idade.
"Desenhar é um comportamento primitivo, que data de 15 mil anos atrás. Por meio do desenho, tentamos mostrar a outras pessoas o que se passa na nossa mente", disse a coordenadora da pesquisa, Rosalind Arden.
"Essa capacidade de reproduzir figuras é exclusiva dos humanos e um sinal de habilidade cognitiva. Algo similar à escrita, que transformou a capacidade da espécie humana de armazenar informação e construir uma civilização."
Desenhos (King's College)
Complexidade dos desenhos das crianças indicou pontuação em testes
Arden diz que não se surpreendeu de ver que a complexidade dos desenhos das crianças de quatro anos de idade correspondia ao seu desempenho nos testes de inteligência verbal e não-verbal.
"O que nos surpreendeu foi a correlação com a inteligência uma década depois", ela disse. Arden ressaltou, porém, que "essa ligação é moderada, os pais não precisam se preocupar se seus filhos desenham mal".
"A habilidade para desenhar não determina a inteligência – há inúmeros outros fatores, tanto genéticos como ambientais, que determinam a inteligência futura."

O fator genético ficou explicitado pelas habilidades semelhantes de desenho compartilhadas pelos irmãos gêmeos idênticos, em relação aos pares de gêmeos não idênticos.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Propaganda institucional: República Checa.



Diana Krall - Fly Me To The Moon (Quartet Performances, Las Vegas)




Linux X Windows

Munique, cidade pioneira no uso do Linux, deve voltar para o Windows
Por j. noronha, no Meio Bit. Tecnologia da Informação.

Sou introvertido demais, como fazer networking?


POR QUE O LINKEDIN ESTÁ MUDANDO O MODO TRADICIONAL DE RECRUTAMENTO

COMO AS EMPRESAS USAM A REDE SOCIAL PARA CAÇAR TALENTOS. E O QUE BRASILEIROS TÊM FEITO PARA BUSCAR ESSAS OPORTUNIDADES

Tantas conexões...  e nenhuma me ajuda  a avançar na carreira (Foto: Shutterstock)
Por Barbara Bigarelli, na revista Época-Negócios
Classificados de empregos nos jornais, murais de vaga nos corredores da faculdade ou listas das empresas com vagas abertas. Há uma geração de profissionais que não olha nada nisso. Eles gastam parte de seu tempo diário atualizando seu perfil profissional em redes como o LinkedIn e já se acostumaram à abordagem constante de recrutadores - oferecendo vagas que, muitas vezes, eles nem sabiam que estavam abertas. O paulista Vitor Cunha Criscuolo, 31 anos, é dessa turma. Formado em desenho industrial, estava trabalhando na área internacional do Ibope quando foi abordado pela Natura. A empresa brasileira de cosméticos queria saber qual era a expectativa profissional de Vitor.
A conversa evoluiu para o telefone, entrevistas pessoais até chegar ao final feliz da contratação. Há quatro meses, ele atua como gerente de insights da marca, respondendo pela área do site do consumidor. "Consumo receber muitas abordagens pelo LinkedIn até porque meu ramo de atuação é carente no mercado brasileiro. Atualizo a rede desde 2008 e acho que o que facilitou foi ter um perfil construído com muitas recomendações e avaliações de competências", afirma Vitor.

A Natura é uma das empresas brasileiras que mais utiliza o LinkedIn para recrutar. De julho de 2013 a março de 2014, mais de 30% das contratações da empresa foram impactadas por alguma das ferramentas do LinkedIn. No mesmo período, cada vaga publicada na rede ultrapassava 3 mil candidaturas. A Natura fica atrás apenas da Vale em ranking das 20 empresas brasileiras mais desejadas pelos profissionais da rede. E aproveita isso comprando produtos e ferramentas para encontrar talentos ou analisando os mais de 178 mil seguidores de sua página. “Cada departamento da Natura tem a licença de Recruiter, ferramenta customizada do Linkedin que oferece filtros mais precisos para buscar talentos”, diz Rafael Brazão, responsável pelas contratações da marca via Redes Sociais. A Natura também pede que seus funcionários construam bons perfis profissionais. "Fazemos oficinas para ensinar a turbinar o perfil. Indiretamente, cada colaborador ajuda a construir a nossa marca: eles carregam parte da empresa em cada post que publicam", conta Brazão.
 
"Esse emprego pode te interessar" 
Oferecer soluções e ferramentas para as empresas encontrarem talentos é um baita negócio para o LinkedIn. Aliás, é o que mais gera lucro. No 2º trimestre de 2014, a área de talentos e soluções foi responsável por 60% da receita da empresa, chegando a US$ 322 milhões. As contas Premium (pagas e que proporcionam maiores benefícios e interações) geraram apenas 20% da receita e área de marketing ficou com o restante. Para vender seus produtos e soluções aos setores de RH das empresas, o LinkedIn endossa o discurso de que ter, obter e reter talentos é o grande diferencial competitivo dos dias atuais.
Dan Shapero, VP de Talentos e Soluções do LinkedIn (Foto: Divulgação)
“Ajudar a encontrar as pessoas certas tem sido um desafio para as empresas e a maioria delas percebe que as pessoas são a sua competitividade. Se elas contratam profissionais vencedores, elas podem ganhar marqueteiros, gente que divulgue a sua marca", diz o americano Daniel Shapero, vice-presidente da área de Talentos e Soluções, em entrevista àÉpoca NEGÓCIOS. O executivo esteve no Brasil pela primeira vez em maio, quando conheceu o escritório da empresa no país - responsável pelos negócios de toda a América Latina.
Shapero é um entusiasta de seu trabalho e do LinkedIn, vendo um enorme potencial do banco de dados que a empresa possui a partir de informações profissionais de mais de 313 milhões de usuários e 40 milhões de empresas. É a partir do manuseio desse gigantesco banco que Shapero vende às empresas a ideia de alcançar e descobrir os "candidatos passivos", que usam a rede para fazer networking, ler artigos ou mostrar sua experiência. "Mais de 80% das pessoas que estão ativas na rede não estão procurando emprego e muitas vezes são profissionais muito qualificados e competentes. É muito difícil para as empresas encontrá-los nos meios tradicionais, como os anúncios de emprego. É aí que nossos filtros e ferramentas tem diferencial", afirma.

São três as principais ferramentas. A principal é o Recruiter, que apresenta à empresa uma lista de possíveis candidatos, filtrados a partir de segmentos, competências, empresas que trabalham, onde estudaram - entre milhares de outras combinações. Há ainda o "Job Slots", que compartilha postagens de empregos personalizados quando usuários visitam a página da empresa ou de um funcionário. Os usuários que veem o anúncio "Esse Emprego Pode Te Interessar" são escolhidos por uma série de combinações encontradas graças a um algoritmo e, segundo o LinkedIn, são relevantes para aquela vaga ofertada. "É um modo das empresas acharem talentos em grande escala, sem fazer muito esforço", defende Shapero.

A terceira solução oferecida consiste ajudar a empresa a construir sua marca na rede. É saber fazer o branding principalmente para criar a imagem de uma "empresa fantástica a se trabalhar", o que estimulará possíveis profissionais a quererem mudar-se para lá. "No Brasil, 61% dos profissionais acreditam que o "branding convincente" é o fator mais importante na hora de considerar uma empresa". Shapero afirma que o resultado é uma equação simples. "Os bons profissionais pensam que o sucesso daquela companhia é o sucesso deles, porque aquela empresa pode aperfeiçoar suas carreiras".
 
"Os brasileiros gostam de ser abordados na rede" 
No Brasil, o LinkedIn tem mais de 700 clientes, entre empresas de 50 funcionários até aquelas com mais de 150 mil profissionais. Entre elas, Vale, Vorotorantim, B2W, Totvs e Facebook recrutam através da rede, buscando talentos de diversas áreas entre os 17 milhões de usuários brasileiros cadastrados. Deste total, apenas 3,5 milhões são "ativos". O restante (83%) interage sem procurar emprego ao mesmo tempo em que se sente feliz ao ser abordado por um recrutador. Essa percepção é de Milton Beck, diretor de vendas da área da Talentos e Soluções do Brasil. "Em outras culturas o profissional se sente incomodado ao ser abordado. Mas os brasileiros não. Eles gostam. Sentem-se profissionalmente reconhecidos", afirma.
É o caso do pernambucano Paulo Carvalho, ativo na rede desde 2012. Quem olha o seu perfil detalhado, montado com referências, recomendações e muitas conexões, mal acredita que ele tem apenas 21 anos. Formado em administração, ele afirma gastar meia hora por dia na rede, aperfeiçoando o seu perfil com novas ferramentas e recursos pagos. "Tudo que faço na vida profissional, além de alguns projetos pessoais, está lá. Qualquer reconhecimento que ganho, atualizo imediatamente o meu perfil. É a minha marca, meu marketing pessoal". 
Os bons profissionais pensam que o sucesso daquela companhia é o sucesso da carreira deles
DAN SHAPERO, VP DE TALENTOS E SOLUÇÕES DO LINKEDIN
Carvalho defende que qualquer profissional que esteja crescendo na carreira precisa estar "o mais visível possível". Ele afirma já ter sido abordado por um profissional de RH de uma empresa de São Paulo e outra de Cuiabá (MT). Headhunters de Recife também ofereceram a ele novos posicionamentos. Não aceitou nenhuma das oportunidades para "não dar um salto maior que a perna" e poder "crescer com consistência". Conseguiu uma vaga no setor de RH de uma multinacional do setor alimentício. Segundo estatísticas do próprio LinkedIn, o perfil dele foi visualizado 1.259 vezes e apareceu nos resultados de pesquisa 5.198 vezes. É o 39° perfil mais visto entre todos os funcionários da sua empresa no mundo todo.

No caso das empresas não chegarem até você, brasileiros também têm usado a rede para o networking. Formada em marketing, Ana Luisa Bartholo viu no LinkedIn uma maneira de se reposicionar profissionalmente. Ela estava trabalhando há anos na área de esportes e queria voltar para a indústria de educação. "Eu identificava e enviava mensagens para headhunters e profissionais de RH. Muitos me recebiam para uma conversa pessoalmente. Através dos novos contatos que criei, chegou até mim a vaga do meu emprego atual", afirmou. Ana tem mais de 22 recomendações escritas e dezenas de avaliações de competências. Tudo construído e montado há muitos anos.

O LinkedIn é uma ameaça aos headhunters? 
Milton Beck concorda que o foco e atuação de recrutamento das empresas no país mudou ao longo dos últimos anos. "Antigamente, investia-se muito para contratar o topo da pirâmide porque as empresas consideravam que eles tinham um efeito interno multiplicador por 100, trazendo valor e estimulando resultado. Ninguém ligava muito para as baixas posições, preenchidas com baixo custo", afirma. Hoje, explica Beck, criou-se uma "nova categoria" de profissionais. "Eles não estão nem na base, nem no topo. As empresas querem aquelas pessoas que farão a diferença entre a empresa ser mediana e ótima".

Oficialmente, o LinkedIn não se vê como um concorrente ao trabalho dos recrutadores, consultorias, outplacements e, principalmente, headhunters (os chamado ‘caça-talentos’). Dan Shapero afirma que a empresa oferece ferramentas tanto para clientes internos quanto para os recrutadores e que o lugar do LinkedIn nesse processo é apenas o primeiro passo: a busca pelos candidatos aptos. “Recrutar é uma habilidade, nunca vai ser uma demanda”, afirma.
Consultorias vão se transformar em certificadoras e avaliadoras no processo de seleção"
RICARDO BARCELOS, SÓCIO DA HAVIK
O executivo, no entanto, reconhece que há uma mudança forte em curso e que as empresas e headhunters precisam adaptar-se para acompanhar esse novo ritmo. "Buscar talentos não é mais a maneira como os headhunters tem obtido sucesso. Os que vencem hoje são aqueles que sabem entender as necessidades dos clientes, acessar bem os profissionais e convencê-los a aceitar a nova oportunidade", diz.
Consultorias e headhunters ouvidospela NEGÓCIOS vêem o LinkedIn com receio a medida que as empresas estão contratando ferramentas da rede para recrutar ao invés de profissionais externos.

Para não perder mercado, espaço e clientes, esses recrutadores têm buscado inovações para agregar valor aos seus serviços - e ir além apenas da indicação de profissionais. Eles apostam em um trabalho inerentemente humano, que o LinkedIn não chega: identificar se aqueles possíveis talentos estão de acordo com os valores e propósitos da empresa. "Consultorias vão transformar-se em certificadoras, avaliadoras e esse vai ser o grande valor", afirma o sócio da Havik. A empresa de heahunting mudou o foco e abrangência dos serviços que oferecia. "Fizemos um processo fechado de seleção, que foge do modelo entrevista, pergunta e resposta. Elaboramos situações estratégicas para testar o candidato na futura empresa", conta Ricardo Barcelos.

Além disso, essas empresas apostam em um tipo de recrutamento específico, cuja seleção o LinkedIn ainda interfere pouco. É a seleção dos altos executivos ou profissionais de grandes cargos gerenciais, que geralmente é fechada e ocorre com discrição. "Neste caso, falamos da contratação de profissionais que a empresa não tem margem de erro. Se for mal recrutado, pode colocar em risco um projeto inteiro. Por conta do risco, as empresas ainda preferem investir em uma consultoria para ajudá-las", diz Barcelos.
 
O futuro a partir das conexões 
LinkedIn (Foto: Getty Images)
Para os próximos anos, um dos desafios da área de Talentos e Soluções do LinkedIn é o melhorar a experiência dos usuários no mobile. Este, aliás é um maiores pontos criticados pelos usuários da rede. Segundo Shapero, a ideia é oferecer melhor interação e ferramentas mais direcionadas para os 41% de usuários que só acessam o LinkedIn através do celular e tablets.
A empresa também quer dar mais atenção aos estudantes - e, indiretamente, ajudar os recrutadores a chegarem mais fácil até eles. "Os estudantes oferecem muita informação, enquanto nós temos o contato com as empresas. É muito animador pensar no LinkedIn como uma plataforma de engajamento para acessar talentos, ajudando os futuros profissionais a fazerem boas escolhas", afirma Shapero.

Fazer o bem, “escolhendo” a quem. E de graça!

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Suzana Camargo, na SUPER Interessante
Você pode ter estranhado o título acima. O ditado popular correto é fazer o bem, sem olhar a quem. Mas a intenção da organização social UHELP é justamente esta: que os internautas conheçam bem os casos de pessoas com deficiência que precisam de ajuda e só depois disso, votem em quem acharem que necessita mais.
E se você não tem dinheiro para doar, não precisa se preocupar. Com um clique do mouse, você escolhe a história que mais te emocionou. O site funciona através do sistema de crowdfunding  e é possível votar em mais de um caso e distribuir, através de porcentagem, o recurso já existente entre eles.
As histórias são contadas em vídeos. São relatos como o de Gabriel, por exemplo, que apesar de ter nascido saudável, com apenas 4 meses ficou gravemente doente. O menino acabou surdo e aos 2 anos, os médicos revelaram que ficaria cego também.
Hoje, aos 19 anos, o jovem descobriu um enorme talento artístico. Agora Gabriel gostaria de aprimorar seus conhecimentos para poder se profissionalizar nas artes plásticas. Sem dúvida nenhuma, o caminho ideal para sua inclusão social.

UHELP-Gabriel-blog-superGabriel quer se profissionalizar para traballhar com artes
Assim como a história comovente de Gabriel, há outras. Kauã, de 8 anos, sobreviveu à meningite bacteriana, mas nunca voltou a ser o mesmo. O garoto depende de uma cadeira de rodas. Mas quer voltar a ter autonomia e mobilidade. Tem também o pequeno Samuel, que a despeito do problema auditivo, quer se integrar plenamente na escola. Ou ainda, o Toddy, um simpático cão que precisa de treinamento para ajudar um cadeirante a ter uma vida mais fácil e melhor.
 UHELP-Kauã-blog-super
Kauã quer ter mais autonomia e melhor mobilidade
A UHELP (brincadeira com o som da palavra em inglês you help, “você ajuda” em português) foi criada pela administradora Vanessa Dias, que sempre gostou da área social. Durante nove anos trabalhou na Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) e depois, no setor privado, percebeu as barreiras enfrentadas pelos deficientes. “Além de ter dificuldade de entrar no mercado de trabalho, eles não têm reconhecimento”, diz Vanessa.
O objetivo da plataforma digital, lançada em abril deste ano, é melhorar a qualidade de vida e fortalecer a inserção social de pessoas com deficiência, por meio de atendimento multiprofissional personalizado.
Deficientes que precisem de ajuda podem enviar suas histórias para o site (inicialmente só são aceitos casos de São Paulo). Será feita uma pré-seleção, seguida de visita domiciliar por uma assistente social qualificada e posterior avaliação do atendimento necessário. Depois disso, faz-se uma conta do valor que será necessário para realizar o trabalho. A UHELP não arrecada recursos para cirurgias.
“A UHELP disponibiliza 20% da soma do total da meta financeira de atendimento de cada história, mas é o usuário que decide de que forma esse valor deverá ser distribuído”, explica Vanessa. “Ele poderá escolher a ou as histórias que mais o sensibilizam, independente de realizar uma doação”.
Vanessa quer que todo o processo de arrecadação e uso de recursos seja bem claro e transparente. No site, é possível conferir o custo discriminado de cada etapa e profissional envolvidos no projeto. “Quero ter a confiança do público e aproximar as pessoas do projeto”, diz a fundadora do site.
Atualmente há cinco casos esperando pelo seu voto na UHELP. Se você quiser doar dinheiro, ótimo. Se não puder, sem problemas. O importante é votar e fazer a diferença na vida destes jovens. “Queremos realizar o sonho destas pessoas, mas não somente isto. Queremos mesmo é propiciar possibilidades futuras na vida delas”, acredita Vanessa.

Como proteger informações de um celular roubado


Celular sendo roubado
Por Marcello Ursini*, no Canaltec.com.br

Os smartphones e celulares têm sido, na maioria das vezes, alvo dos assaltantes em roubos e furtos nas grandes cidades. Em São Paulo, 18 celulares, aproximadamente, são roubados por hora, segundo a Secretaria de Segurança Pública. Outro levantamento, feito pela empresa especializada em segurança digital F-Secure, mostra que pelo menos 25% dos brasileiros já tiveram um celular levado.

Infelizmente, ninguém está livre de um dia poder ser parte desta estatística e a verdade é que com a quantidade de aplicativos móveis disponíveis, cada vez mais informações são armazenadas no dispositivo e uma vez tendo seu celular roubado, muitos dados, como telefone de familiares e amigos, trocas de mensagens e dados de GPS indicando seus caminhos podem ficar armazenados e trazer uma série de dores de cabeça.

Como resistir a entrega do aparelho não é uma ação nunca indicada, é importante saber como bloquear o celular para proteger seus dados e impedir que tenham acesso às informações sobre sua vida pessoal ou profissional.
Confira algumas dicas para evitar prejuízos maiores, caso passe por esta situação:

1) Descubra, anote e guarde seu IMEI
Todos os aparelhos têm um código contra roubos chamado IMEI – (International Mobile Equipment Identify), que pode ser encontrado na nota fiscal, na caixa ou sob a bateria do aparelho. Assim que seu celular for comprado, descubra e anote esse número em um lugar seguro. Outra forma de descobri-lo é digitar *#06# e o numero aparecerá.

Com este número em mãos, esta é a forma mais rápida de bloquear um celular roubado. Após este procedimento, faça um boletim de ocorrência (BO) na Polícia Civil para provar que, caso ele seja usado de forma ilícita, ele não está mais sobre seus cuidados. Feito isso, o próximo passo é ligar ou comparecer a uma loja de sua operadora com os números de BO e IMEI em mãos para bloquear o telefone e o chip.

2) Também é possível bloquear pelo gerenciador do sistema
É possível também bloquear os celulares remotamente por meio dos gerenciadores do sistema. Para qualquer sistema operacional é importante cadastrar e configurar sua conta o quanto antes:

• Para Android
O bloqueio deve ser feito por meio do Android Device Manager, do Google, fazendo login com a conta registrada do aparelho e clicar no item de configuração de bloqueio e limpeza.

• Para iOS
Usuários dos aparelhos da Apple devem entrar na iCloud de outro aparelho e, fazer o login na AppStore ou iTunes e clicar em “Buscar meu iPhone”, que marcará seu aparelho com um ponto verde no mapa. Clique no “i” e siga as orientações.

• Para Windows Phone
Basta acessar a opção “Localizar meu telefone” na loja virtual do sistema da Microsoft. Depois de configurar o serviço será possível encontrar opções para “tocar”, “apagar” e “bloquear” o celular, seguindo as instruções.

3) Mantenha sempre um backup atualizado de seus dados e agendas;

4) Não deixe senhas de bancos salvas;

5) Baixe aplicativos gratuitos de rastreamento;

6) Não deixe senhas de bancos armazenadas e salve seus documentos importantes em aplicativos com senhas;

*Marcello Ursini é o diretor-geral da BemMaisSeguro.com, site de e-commerce, pertencente ao grupo ProtectYourBubble, que oferece seguros para smartphones, eletrônicos, pets e viagens.


quarta-feira, 20 de agosto de 2014

O paradoxo da educação no Chile


O país quer ser desenvolvido e não se satisfaz em ser comparado apenas a seus vizinhos; sua referência são os membros da OCDE


Ariel Fiszbein e Emiliana Vegas, no El país

Uma estranha sensação de surpresa e confusão atinge o mundo da política educacional na América Latina. O Chile, país que por muitos anos vimos como o paladino do progresso educativo está hoje imerso em um debate profundo sobre o futuro de seu sistema educacional. A intensidade do debate no faz questionar se estivemos enganados em nossa admiração e se não estamos, subitamente, acordando para uma realidade muito mais negativa.
Felizmente, não se trata de tal pesadelo. O sistema educativo chileno obteve conquistas muito importantes, muito maiores que as do resto de nosso continente. Por exemplo, hoje a maioria das crianças chilenas pode ter certeza de que vai concluir pelo menos 12 anos de educação, muito mais do que a média do restante da região. Na prova PISA 2012 da OCDE, os estudantes chilenos se destacaram entre os demais latino-americanos, conseguindo pontuações mais altas do que as de seus colegas dos outros sete países que participaram. Além disso, os resultados do Chile na PISA vêm melhorando desde 2000, principalmente até 2009.
No Chile há escolas frequentadas apenas por ricos e outras frequentadas apenas por pobres
Mas o Chile quer ser um país desenvolvido e não se satisfaz em ser comparado apenas com seus vizinhos. Sua referência são os países mais desenvolvidos, membros da OCDE, da qual também faz parte. E nesse grupo, o sistema educacional chileno deixa muito a desejar. De fato, dos 65 países que participaram da avaliação PISA 2012, o Chile ficou em 51º lugar. Além disso, anos de um sistema de mercado educativo, onde os subsídios estatais são destinados igualmente a provedores particulares e públicos levaram a uma enorme segregação do ponto de vista socioeconômico. Hoje, no Chile, há escolas (públicas e particulares) frequentadas por ricos e outras frequentadas por pobres. Poucas escolas (públicas e particulares) reúnem alunos de famílias ricas e pobres.
Essa mistura de resultados muito superiores aos de seus vizinhos, mas muito inferiores aos países com os quais o Chile aspira se parecer, fica evidente nas fortes demandas de todos os setores sociais por melhoras substantivas na qualidade e na igualdade de oportunidades educativas. Os chilenos sabem que a educação é uma ferramenta poderosa para o progresso individual e coletivo.
E à medida que atingem níveis mais altos na educação, mais insatisfeitos estão com as diferenças entre ricos e pobres, e entre chilenos e pessoas de países que conseguiram níveis de desenvolvimento que permitem que todos os seus cidadãos vivam vidas dignas e produtivas.
Neste momento de fortes demandas por mudança, é importante manter a cabeça fria e revisar a evidência internacional acerca de quais políticas mostraram resultados positivos sobre a qualidade e equidade da educação.
A profissão de docente foi progressivamente se tornando menos atraente aos mais talentosos 
Em primeiro lugar, recordemos a importância de manter metas ambiciosas de aprendizagem como norte para todos e todas, e utilizá-las para definir o currículo e os materiais de ensino, assim como também os sistemas de avaliação – não somente para usá-los na prestação de contas, mas, especialmente, para apoiar todos os atores do sistema a buscar formas de melhoramento contínuo que consigam melhores resultados de aprendizagem estudantil. Isso requer um sistema de gestão da educação muito diferente do que até agora prevaleceu no Chile, onde quem pode gerir melhor o faz e os demais são deixados para trás.
Uma segunda lição da experiência internacional é a importância de assegurar que todas as crianças entrem no sistema escolar prontos para aprender. Isso requer expandir e fortalecer os serviços de desenvolvimento infantil inicial, desde o jardim da infância, programa de nutrição e estimulação prematura, até os pré-escolares de alta qualidade para todos os meninos e meninas. Mesmo com o Chile tendo avançado nessa direção, ainda falta muito o que fazer.
Em terceiro lugar, recordemos que os docentes são a chave do processo educativo. No Chile, como no resto da região, a profissão docente foi progressivamente sendo menos e menos atrativa para os mais talentosos. Simultaneamente, o mundo foi mudando a passos acelerados, e as escolas foram muito lentas em inovar e se adaptar às formas sobre como as crianças interagem e aprendem hoje. Apoiar os mestres e professores que temos, e atrair os mais talentosos para o sistema educativo, é o grande desafio para o Chile, assim como para o resto da região. Isso requererá condições de trabalho atrativas, mas sobretudo de oportunidades de crescimento profissional que impliquem a satisfação de ter impacto no mais importante: as vidas das crianças e dos jovens.
Em quarto lugar, não existe sistema educativo excelente que não conte com os investimentos necessários para garantir ambientes educativos atrativos para que os melhores profissionais entrem e permaneçam na docência e as crianças e jovens queiram ir diariamente para a escola. Assim como a tecnologia mudou a experiência diária das crianças e jovens em todo o mundo, também no Chile pode-se aproveitar melhor para fomentar as aptidões relevantes para o século XXI.
Por último, para que se materializar o potencial da educação como ferramenta de desenvolvimento individual e coletivo, é necessária uma maior aproximação do sistema educativo do mundo produtivo, e assim garantir que o que se aprende no sistema escolar é valorizado pelo mundo de trabalho. Muito chilenos que são da primeira geração formada no secundário e pós-secundário estão descobrindo que suas oportunidades no mundo de trabalho não são as que imaginavam. Somente quando a educação implica melhores oportunidades de trabalho – maiores probabilidades de emprego, melhores salários e condições de trabalho – também resulta em uma maior produtividade, inovação e igualdade socioeconômica para todo um país.
Nessas, e em outras áreas, sabemos que existem desafios que demandaram mudanças e inovação. Nós que admiramos os esforços do Chile em melhorar seu sistema educativo nas últimas duas décadas estaremos observando de perto essa nova etapa de mudança e transformação.
Ariel Fiszbein é Diretor do Programa de Educação no Inter-American Dialogue eEmiliana Vegas é Chefa da Divisão de Educação do Banco Inter-Americano de Desenvolvimento.

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Copa: crônicas de nove mortes anunciadas.

Acidentes nos estádios da Copa: crônicas de nove mortes anunciadas?

Arena Amazônia (Reuters)
Arena Amazonônia foi um dos estádios da Copa com mais acidentes registrados
Canteiro de obras da Arena Amazonas, em Manaus, 4h da manhã. Marcleudo, 22 anos, trabalha a 35 m de altura, em local mal iluminado, usando uma ferramenta improvisada. Ele começou seu turno dez horas atrás. Faz três meses que cumpre cargas acima das recomendadas por lei. O cinto de segurança que deveria protegê-lo é mal projetado e difícil de encaixar.
Por alguma razão que jamais será conhecida, Marcleudo tomou a decisão de não conectar o cinto. O jovem morreu no dia 14 de dezembro de 2013.
Como ele, outros oito operários que trabalhavam na construção de estádios da Copa perderam suas vidas. Longe dos holofotes e da atenção da mídia, quase 1.400 trabalhadores morreram em atividades ligadas à construção no Brasil entre 2010 e 2012– segundo dados do Anuário Estatístico de Acidentes de Trabalho (AEAT) 2012 do Ministério da Previdência Social.
E o número de acidentes (incluindo doenças e acidentes de trajeto) na construção passou de 29.054, em 2006, para 62.874 em 2012 – ou seja, mais do que dobrou. (A maioria dos acidentes, no entanto, não é comunicada às autoridades.)
As mortes nos estádios da Copa ainda estão sendo investigadas e levará tempo para sabermos ao certo quem são os responsáveis. No entanto, um pesquisador e fiscal de segurança no trabalho ouvido pela BBC Brasil disse que a maioria dos óbitos poderia ter sido evitada - possivelmente, todos - se normas básicas de segurança (as Normas Regulamentadoras previstas na legislação trabalhista, CLT) tivessem sido obedecidas.

Alerta

Vitor Araújo Filgueiras, auditor fiscal do Ministério do Trabalho e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho (CESIT) da Universidade de Campinas, Unicamp, baseia suas conclusões preliminares em relatórios sobre os acidentes feitos pela fiscalização do trabalho, autos de infração lavrados, ações civis públicas do Ministério Público do Trabalho, fotos e reportagens publicadas pela imprensa.
A menos de dois anos da Olimpíada no Brasil, com obras atrasadas e grande pressão para que sejam finalizadas a tempo, os comentários do pesquisador são um sinal de alerta:
"Não há novidades nessas medidas (as normas de segurança), todo mundo sabe o que deve ser feito. E o que mais me incomoda é que as mortes vão continuar acontecendo", disse.
Veja, a seguir, como aconteceram cada um dos acidentes. E entenda como uma cultura mais consolidada de respeito à segurança poderia, provavelmente, tê-los evitado.
O auxiliar de carpintaria José Afonso de Oliveira Rodrigues, de 21 anos, caiu do anel superior do estádio Mané Garrincha, em Brasília. Ele sofreu uma queda de 30 metros (o equivalente a um prédio de dez andares).
Segundo relatório da fiscalização do Ministério do Trabalho (MT), José Afonso caminhava em um local que havia servido de passagem a trabalhadores da obra. Já devia ter andado por ali várias vezes, porém, muito provavelmente, ninguém o avisara de que parte da estrutura que sustentava a plataforma de madeira onde caminhava havia sido removida.
Sem sustentação, a plataforma não suportou o peso de José Afonso e cedeu, levando à morte do operário.
Segundo a fiscalização do MT, a remoção parcial das estruturas de sustentação da plataforma, deixando apenas as madeiras sem suporte, foi um erro de procedimento que induziu a uma falsa sensação de segurança no trabalhador.
Normas básicas de segurança - entre elas, sinalização e isolamento da área, de altíssimo risco, supervisionamento e controle das atividades e movimentação de trabalhadores no anel superior, orientação aos envolvidos e proibição de trânsito na área – poderiam ter salvo a vida de José Afonso.
Após o acidente, a fiscalização interditou parcialmente a obra até que fossem revistos certos procedimentos.